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domingo, 6 de julho de 2014

Você já escutou o silêncio? - IV

Poema cara de pau


Reclamas de minha atenção
Desde o primeiro dia
Sempre dizes
Sempre falas
E eu não escuto
Parece boba falando para ninguém
Pareço bobo, absorto, em outro lugar
Sem ligar para o que falas

Como dizes
Concordo contigo
Sempre que nos encontramos
Não consigo me concentrar
Quando vejo, não sei do que estás falando
Quando me dou conta, já perdi o assunto
Tens toda razão
Eu confesso
Não me concentro

Diante de teus olhos
Não consigo prestar atenção em mais nada





Eu, Álison

É o afeto justo

Não quero que você concorde com isso, mas leia com a mente aberta.
Porque se ele [o ódio] não fosse real, a gente não precisaria ter medo dele. É porque ele é real, é porque, às vezes, a gente tem que fazer guerra, é porque, às vezes, a gente tem que matar, é porque, às vezes, tem gente na humanidade que não dá para você amar, não dá para conviver.

Não adianta você dizer que todo filho, toda mãe, todo pai se amam. Senão não precisava de psicólogo. É bom ter melhor salário, mas nem por isso vai deixar de ter razão para odiar. É bom você ter um governo mais justo, mas nem por isso vai deixar de ter razão para odiar. É bom você ter melhor escola, mas nem por isso vai deixar de ter razão para odiar. Por que você não consegue fazer o ser humano ser bom por lei. E se o ser humano virasse bom não seria mais o ser humano. O ser humano é o que ele é. É assim que ele sobreviveu.

O ser humano odeia. Seja lá por que razão for. A gente mata. Alguns acham que você mata por causa de Deus, mas você pode matar porque você é contra Deus. O ser humano é fraco, medroso, precário, mentiroso sobre suas próprias angústias. A hipocrisia é parte da base da moral pública. Organização eficaz da agonia pode ser entendida como o modo como a seleção natural nos levou a conviver com esse monstro que a gente tem ou com essa fragilidade interna.

Quando você diz que todas as pessoas devem ser amadas, é como se você causasse a destruição das diferenças entre as pessoas que merecem realmente ser amadas e as que não merecem, porque mesmo você sendo a pessoa mais sortuda do mundo, deve conhecer no mínimo uma pessoa que você imagina que não merece, ou não deve, ser amada. Algumas pessoas na nossa vida, ou na vida dos outros, conquistam o amor, por uma série de razões. E outras não. Elas conquistam o ódio.
A ideia de que você deve ou consegue amar todas as pessoas é (teoricamente) muito nobre, aliás, uma das mais nobres. Mas na prática, é uma impossibilidade que é evidente por si só. Basta você pensar em todas as pessoas más que existem e que, por motivos lógicos, você não ama, para perceber que só o fato de elas serem o que são já é suficiente para você mantê-las longe. Dizer isso é horrível, mas por mais duro que pareça, você precisa reconhecer que, às vezes, o ódio é o afeto justo.







Eu, Álison

sábado, 28 de junho de 2014

Porque talvez ela tenha razão



É legal você pensar por que aquela pessoa está te chamando de racista, porque talvez ela tenha razão. Talvez você esteja sendo racista e não perceba isso.







Eu, Álison

sábado, 21 de junho de 2014

Você já escutou o silêncio? - I

Aquela poesia que tinha teu nome


Fica tranquila
Aquela poesia que tinha teu nome
Já não o tem mais
Coloquei outro
Coloquei nenhum
Qualquer nome
Ninguém saberá

Para ser sincero
Nem lembro bem o que fiz
Mas o tirei de lá

Confesso que agora o acho sem graça
Sem sentido e vazia
Parece um monte de palavras soltas
Sem razão de ser

Mas quando leres
Saberás que é tua
Saberás que a fiz pra ti
Que mesmo não estando ali
Teu nome está em todo lugar




 Eu, Álison

domingo, 11 de maio de 2014

Sem alma nem fala

Permanentemente mutável. Pacificamente amigável é o meu estado e como eu ajo. Mesmo que você me agrida, eu sei que erra também quem revida e onde eu vou não existe a razão. Fortes são aqueles que transformam em luz o que é escuridão.

Coloridamente infindável. Estaticamente dançável é a folha verde e a gota linda. Embora o seu conceito não mude, espero que você não me julgue porque eu jamais vou te julgar. Felizes são aqueles que não veem fronteiras para se expressar.


Sigo o som da sua voz que me faz ouvir melhor. A redenção virá para todos porque todos são um só.





Eu, Álison

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Pra você guardei

Pra você guardei o amor que nunca soube dar. O amor que tive e vi sem me deixar sentir sem conseguir provar. Sem entregar e repartir.
Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar. O amor que vive em mim vem visitar. Sorrir, vem colorir solar. Vem esquentar e permitir.
Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz no giz do gesto o jeito pronto do piscar dos cílios. Que o convite do silêncio exibe em cada olhar.

Guardei... Sem ter porquê. Nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei... Vendo em você e explicação nenhuma isso requer. Se o coração bater forte e arder no fogo o gelo vai queimar.

Pra você guardei o amor que aprendi vendo os meus pais. O amor que tive e recebi e hoje posso dar livre e feliz. Céu cheiro e ar na cor que arco-íris. Risca ao levitar.
Vou nascer de novo. Lápis, edifício, tevere, ponte. Desenhar no seu quadril meus lábios beijam signos feito sinos. Trilho a infância, terço o berço do seu lar.

Guardei... Sem ter porquê. Nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei... Vendo em você e explicação nenhuma isso requer. Se o coração bater forte e arder no fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor que nunca soube dar. O amor que tive e vi sem me deixar sentir sem conseguir provar. Sem entregar e repartir.
Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz no giz do gesto o jeito pronto do piscar dos cílios. Que o convite do silêncio exibe em cada olhar.

Guardei... Sem ter porquê. Nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei... Vendo em você e explicação nenhuma isso requer. Se o coração bater forte e arder no fogo o gelo vai queimar.






Eu, Álison

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Apenas de tormentos

É uma verdade incrível como a existência da maior parte dos homens é insignificantes e destituída de interesse, vista exteriormente, e como é surda e obscura sentida interiormente. Consta apenas de tormentos, aspirações impossíveis; é o andar cambaleante de um homem que sonha através das quatro épocas da vida, até a morte, com um cortejo de pensamentos triviais. Os homens assemelham-se a relógios a que se dá corda e trabalham sem saber a razão. E sempre que um vem a este mundo, o relógio da vida humana recebe corda novamente, para repetir, mais uma vez, o velho e gasto estribilho da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis.


Quando a ponta do véu de Maia (a ilusão da vida individual) se ergue diante dos olhos de um homem, de tal modo que já não faz diferença egoísta entre si mesmo e o restante dos homens, e interessa-se pelos sofrimentos dos outros como pelos próprios, tornando-se assim caritativo até à dedicação, pronto para sacrificar-se pela salvação de seus semelhantes, esse homem, chegado assim ao ponto de se reconhecer a si mesmo em todos os seres, considera como os seus sofrimentos infinitos de tudo quando vive, e apodera-se, dessa forma, da dor do mundo. Nenhuma miséria lhe é indiferente, todos os tormentos que vê e tão raramente lhe é dado amenizar, todas as angústias de que ouve falar, inclusive aquelas que lhe é possível conceber, perturbam-lhe o espírito como se fosse ele a vítima.
Insensível às alternativas de bens e de males que lhe sucedem em seu destino, livre de todo o egoísmo, penetra os véus da ilusão individual; tudo quanto vive, tudo quanto sofre, está igualmente junto de seu coração. Imagina o conjunto das coisas, a sua essência, a sua eterna passagem, os esforços vãos, as lutas íntimas, e os sofrimentos intermináveis; para qualquer lado que se volte, vê o homem que sofre. o animal que sofre, e um mundo que se desvanece eternamente. E une-se tão estritamente às dores do mundo como o egoísta a si mesmo. Como poderia ele, com tão grande conhecimento do mundo, afirmar com desejos incessantes a sua vontade de vida, e prender-se cada vez mais estritamente à vida?








Eu, Álison

domingo, 1 de setembro de 2013

Não se explica

- Como que a gente pode, em pleno século da razão, onde tudo é razão, alguém dizer que a gente também pode ter a verdade pelo coração? Como que se explica isso?


- Na verdade, não se explica. Se sente...






Eu, Álison

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Não passa de insanidade

A loucura já está na mente,
Apenas desperta a incompetente,
de forma indecente!
Talvez em mim, em muita gente…
Passa por mim ou por outrem,
como se não passa-se por ninguém.
Com razão se tolera, é uma fera
que nasce de muita espera
por algo que não se tem
e um dia já se teve…
E o que se têm na realidade,
Não passa de Insanidade…






Eu, Álison

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A negação



Negar que a vida é totalmente má e, pelo mínimo, achar na arte uma razão de viver. A arte é a razão da existência do indivíduo, mas por que é a razão? A arte é uma maneira de criar, às vezes, contra o vazio psíquico do indivíduo, para preencher esse mundo árido que, por vezes, nos deixa refletindo sobre quão mesquinha é a nossa existência, quão apagada, quão cinza e quão elementar é.






Eu, Álison

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Aquilo que você está enxergando

Não necessariamente é daquele jeito.

Filosofar é você trabalhar na tentativa de ir além do óbvio. É você trabalhar contra a ideia de que as coisas são aquilo que a aparência carrega.
A Filosofia é uma indagação. Ela lida com o "por quê" e não com o "como".


Você não pode se conformar com as coisas.




Eu, Álison

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Misterioso e incompreensível

"Na verdade, o grande Leonardo continuou a ser como que uma criança durante toda a sua vida, e em mais de um sentido; diz-se que todos os grandes homens devem conservar alguma parte infantil. Mesmo adulto continuou a brincar, e foi essa a razão por que se mostrou frequentemente misterioso e incompreensível aos olhos dos seus contemporâneos."

- Sigmund Freud


"Em conjunto, o seu gênio era tão prodigiosamente inspirado pela graça de Deus, os seus poderes de expressão eram tão fortemente alimentados por uma memória e por uma inteligência sempre prontas, e os seus escritos transmitiam as suas ideias com tanta precisão, que os seus argumentos e os seus raciocínios confundiam os críticos mais formidáveis."

- Giorgio Vasari




Eu, Álison

sábado, 13 de outubro de 2012

Lonely city

Maybe there's a reason for it
But it's so hard to see so many broken people
Living in this lonely city
It feels right to give up, I get up
I realize your blood can cover all these stains


Talvez haja uma razão para isso
Mas é tão difícil ver tantas pessoas feridas
Vivendo nesta cidade solitária
Ele se sente bem para desistir, eu me levanto
Eu percebo que seu sangue pode cobrir todas as manchas




Eu, Álison

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Se maravilhar

"a mais profunda emoção que podemos experimentar é inspirada pelo senso do mistério. Essa é a emoção fundamental que inspira a verdadeira arte e a verdadeira ciência. Quem despreza esse fato, e não é mais capaz de se questionar ou de se maravilhar, está mais morto do que vivo, sua visão, comprometida. Foi o senso do mistério - mesmo se misturado com o medo - que gerou a religião.
A existência de algo que nós não podemos penetrar, a percepção da mais profunda razão e da beleza mais radiante no mundo à nossa volta, que apenas em suas formas mais primitivas são acessíveis às nossas mentes - é esse conhecimento e emoção que constituem a verdadeira religiosidade; nesse sentido e nesse sentido apenas, sou um homem profundamente religioso."

Albert Einstein




Eu, Álison

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Eu que o diga!



O cérebro nos engana e cria uma percepção irreal do outro, em que defeitos não existem, o medo do desconhecido é drasticamente reduzido e os critérios de avaliação racional do parceiro estão muito diminuídos.




Eu, Álison

sexta-feira, 27 de abril de 2012

O que é Bullying?

Bullying é aquele tipo de coisa que faz os jovens americanos entrarem com uma metralhadora na sala de aula e matarem todos os seus colegas.
E eles têm um pouco de razão nisso... Você já foi zuado alguma vez?





Eu, Álison

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Acho que é assim

Há mais coisas na minha cabeça do que no meu coração.



Mas isso não me faz mais esperto do que você
Nem me faz mais frio do que você



Eu, Álison