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domingo, 31 de agosto de 2014

Você já escutou o silêncio? - X

Quero teu sorriso comigo


Quero teu sorriso comigo
Mais do que numa foto
Quero ele como é
Com direito ao som que emites
De preferência, com teu cheiro

Quero levá-lo aonde for
Guardá-lo comigo, não prendê-lo

Mas nesse sorriso, preciso dos teus olhos
Preciso de tua boca também
Todo teu rosto sorrindo, aqui comigo

E teus cabelos?
Devem vir junto também
Poder tocá-los, enquanto te vejo sorrir
E, inevitavelmente, tua nuca, teu pescoço

Para ficar melhor
Devia vir teu corpo junto
Teus seios, barriga, costas
Todo o corpo
Não que eu precise dele

Mas é que quando sorris
O fazes com todo o corpo
É todo uma alegria só
Preciso te ver sorrir inteira
Dos cabelos aos pés
Quero-te inteira

Como me dou
Um só, defeitos e virtudes
Belezas e imperfeições
Mas único, como tu
Como nós
Um só





Eu, Álison

sábado, 16 de agosto de 2014

Você já escutou o silêncio? - IX

Silêncio


I

Você já escutou o silêncio?
Já olhou para o vazio?
Sentiu gosto de nada?
Sem cheiro?

Um som no meio de todo silêncio
Precisa ter respeito
O único detalhe no meio do vazio
O gosto sutil, um perfume...

Quando tudo fala, tudo se mostra
Gosto e cheiro não identificáveis
Que valor há nisso?

O detalhe, único perfume
Som sutil, um só gosto
Este tem valor

Se por si, ou se pelo nada
Que o cerca, não sei
Mas tem valor, o pouco no muito
Ou só o nada
Só o vazio
A expectativa do que virá

A concentração em si
Do nada que nos forma
Do detalhe que somos

II

O único beijo, o toque de leve
O olhar que só os dois viram
A dúvida do nada real
O que virá?

O ponto criado
O quase sem som emitido
O perfume, o sabor

É só o que quero, o que tenho
Um pouco do todo de todos
O silêncio





Eu, Álison

domingo, 10 de agosto de 2014

Você já escutou o silêncio? - VIII

Fecha os olhos


Sei que não me amas
Sei que tens teu marido
Teu namorado, noivo
Sei que somos apenas amigos
Como dizes, e tentas acreditar
Sempre fomos só amigos
Nada mais do que isso
Se acredito ter algo mais
Fui eu quem criou sozinho
Nunca me deste motivo
Eu é que fantasio demais

Tu me dizes, eu acredito
Realmente não deves me amar
Pareces tão convicta

Mas, como amigo
Preciso te dar um conselho
Um único conselho
Que só mesmo um amigo
A uma hora dessas, daria
Fecha os olhos
Enquanto dizes que não me amas
Fecha-os
Pois eles estão mentindo





Eu, Álison

sábado, 2 de agosto de 2014

Uma prece sem fim

Sei que é tarde, mas através desta eu venho pedir uma breve oração. Já não conheço mais minha alma. Tenho saudade daqueles dias que o tempo passava e ainda era abril. E eu somente sonhava. Mas é novembro e eu não percebi as flores morrendo. Agora, qual rosa eu darei à Deus?
Simples de coração, nada mais, que ele se torne uma linda e simples decoração porque hoje essa velha morada é uma triste lenda e agora canta seus versos de arrependimento. Ouço sinos querendo soar dentro de mim. Ouço sinos soando em mim.

Hoje peço que junte os dedos e faça por mim uma prece sem fim. E acordada, vele meu sono. O meu silêncio é uma nota preta num imenso papel vazio, mas ainda é uma nota que toca a lágrima, toca o céu. Dura uma noite, mas no amanhecer vem a alegria.

Simples de coração, nada mais, que ele se torne uma linda e simples decoração porque hoje essa velha morada é uma triste lenda e agora canta seus versos de arrependimento. Ouço sinos querendo soar dentro de mim. Ouço sinos soando em mim.







Eu, Álison

Você já escutou o silêncio? - VII

Sonho de igualdade


Desculpem, mas tive um sonho

Estava num lugar muito estranho
O que mais chamava a atenção
O que mais tinha de diferente
Era que não havia comemorações
Como as nossas
Não havia os mesmos feriados

Festas apenas para a natureza
Plantio e colheita
Final e início de ciclos
Dançavam com as estações
Solstícios

Sem dia das mulheres
Sem dia das crianças
Nem mesmo das mães, dos pais
Dos negros, da independência
Nenhum dia do renascimento
Simplesmente nada desse tipo
Todos os dias eram iguais
Mesmo assim, especiais

Não havia distinções
Por isso não precisavam comemorar nada
Não havia minorias

Não havia desprezados para serem lembrados
Nem um dia do ano

Sim, havia algumas diferenças
Mínimas, sem muita importância
Apenas o suficiente para tornar cada um único
Apenas para identificar e diferenciar um do outro
Nada que lhes desse valor ou mérito
Para todos os efeitos, todos eram iguais

As diferenças eram só externas
O tamanho, o sexo, a cor, a origem, a idade...
Só detalhes externos
Internamente todos eram iguais
Todos eram humanos

Desculpem, foi só um sonho...





Eu, Álison

domingo, 20 de julho de 2014

Você já escutou o silêncio? - VI

Explicar o amor


Querem que lhes explique o que é o amor?
Quem poderá fazê-lo?
Quem terá palavras para descrevê-lo?
Traços para desenhá-los?
Música que nos faça senti-lo completamente?

Não há um perfume que o identifique
Embora existam tantos
Um livro, uma obra de arte ou de engenharia
Que se assemelhe a ele

Se me pedirem para cantar o silêncio
Dançar com o que há de mais imóvel
Tudo seria mais fácil, imaginável
Mas, explicar o amor...

Posso querer dizer como ele age
Mas ele age de tantas formas...
Posso ousar falar sobre como ele chega
Mas sei que não há regras
E que para cada ser pode acontecer
De maneiras tão inesperadas
Ou até mesmo programadas
O que é ainda mais inesperado

Explicar o azul para quem nunca o viu
Fazer entender o gosto do mel
Para quem nunca o provou
Por mais eloquente que seja
Por mais técnicas que utilize
Só entenderá quem o viu, quem o provou

Quanto ao amor
O que posso dizer é o mesmo

Provem!





Eu, Álison

domingo, 13 de julho de 2014

Você já escutou o silêncio? - V

Pôr do sol


Meu primeiro amor...
Você não é o meu primeiro amor
Você não é o último também
Você é mais do que isso

O primeiro tem um segundo, um terceiro
O último teve outros antes
Como você não há nada
Nunca houve, nem haverá nada parecido
Nada comparável

Se o que vivemos antes de nos encontrarmos
Foi amor
O que estamos vivendo juntos não o é
Falta outra palavra
O que vivemos é muito mais do que tudo isso
Que se chama de amor

Não sei que palavra usar
Como expressar?

Pôr do sol





Eu, Álison

domingo, 6 de julho de 2014

Você já escutou o silêncio? - IV

Poema cara de pau


Reclamas de minha atenção
Desde o primeiro dia
Sempre dizes
Sempre falas
E eu não escuto
Parece boba falando para ninguém
Pareço bobo, absorto, em outro lugar
Sem ligar para o que falas

Como dizes
Concordo contigo
Sempre que nos encontramos
Não consigo me concentrar
Quando vejo, não sei do que estás falando
Quando me dou conta, já perdi o assunto
Tens toda razão
Eu confesso
Não me concentro

Diante de teus olhos
Não consigo prestar atenção em mais nada





Eu, Álison

Você já escutou o silêncio? - III

E me calei


E me calei
Há tanto esperava por aquele momento
Tanto para dizer
Mas mal te olhei
E faltou coragem
Faltou ser homem

Quando te vi, mal acreditei
Teu olhar me reconheceu

E meu nome...
Nunca o ouvi tão doce

Valeu o dia, valeu a vida
O atraso ou o adiantado
Eu nem me lembro
Mas devia estar na hora errada
Ou, finalmente, na certa, não sei
Eu estava lá
Eu, o mundo, ninguém, e você
Tanto tempo!
Tanto a dizer!

E me calei





Eu, Álison

sábado, 28 de junho de 2014

Você já escutou o silêncio? - II

Parabéns


Hoje é uma data especial
Faz dois anos que não te vejo
Um anos que não ouço tua voz
Um mês que não te procuro
Um dia que não falo teu nome

E, finalmente, completei
Depois de muita tentativa fracassada
Depois de muito esforço e suor
Agora há pouco consegui
E digo isso com muito orgulho
Fiquei um minuto sem pensar em ti






Eu, Álison

sábado, 21 de junho de 2014

Você já escutou o silêncio? - I

Aquela poesia que tinha teu nome


Fica tranquila
Aquela poesia que tinha teu nome
Já não o tem mais
Coloquei outro
Coloquei nenhum
Qualquer nome
Ninguém saberá

Para ser sincero
Nem lembro bem o que fiz
Mas o tirei de lá

Confesso que agora o acho sem graça
Sem sentido e vazia
Parece um monte de palavras soltas
Sem razão de ser

Mas quando leres
Saberás que é tua
Saberás que a fiz pra ti
Que mesmo não estando ali
Teu nome está em todo lugar




 Eu, Álison

domingo, 1 de junho de 2014

Viciado

Se o poema não dilacerou a sua alma, você não experimentou a poesia.
 
 






Eu, Álison

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

As almas sensíveis

Por consequência, considerando o belo como o meu terreno próprio, perguntei-me: “Qual é o tom para a sua manifestação mais alta?”. Este seria o tema de minha seguinte meditação, e toda a experiência humana nos leva a crer que esse tom é o da tristeza. Qualquer que seja seu parentesco, a beleza, em seu desenvolvimento supremo, induz às lágrimas, inevitavelmente, as almas sensíveis. Assim, a melancolia é o mais idôneo dos tons poéticos.

Edgar Allan Poe







Eu, Álison

sábado, 10 de agosto de 2013

E asas de anjo terei

“Vê, fui pedra e morri. E planta sendo, floresci.
Morri planta e animal renasci.
Tendo morrido animal, tornei-me homem. Que tenho, pois, a temer?
A morte não pode me extinguir,
Pois, novamente, homem morrerei
E asas de anjo terei.
Porém, também anjo serei sacrificado,
Para ser, algo que não posso compreender, um sopro do Divino.”


Rûmi (1207-1273)







Eu, Álison

domingo, 16 de junho de 2013

Quando não tem luz

Um filho pergunta à mãe: "O que a gente vai fazer agora que faltou luz?" e a mãe responde: "Nós vamos dormir". E lá se vão meia dúzia de humanos com histórias, desejos, projetos, sonhos... Cada um com a possibilidade de cantar um pouco para o outro, fazer uma poesia, contar uma história, dar risada... E eles escolhem ir dormir...







Eu, Álison

domingo, 26 de maio de 2013

Entre as junturas dos ossos

Por Vera Lúcia de Oliveira.

E, como a poesia concentra significados, cada palavra no texto tem seu peso específico, é feita de concretude e pesa como a coisa que ela representa. Tem cheiro, sabor, range, geme, uiva, fala, às vezes rasteja na página como um bicho, esbraveja como uma pessoa ferida, ilumina como uma lâmpada, chora como num luto ou rasga a casca da semente, que é de som e ao mesmo tempo não é.

Meninas

As meninas que da alma pulam
Brincam de esticar
O tempo

Com suas saias rodadas
Dançam a canção mais pura
Que aprenderam
Correndo
Entre as junturas dos ossos.


Os Pássaros

Os pássaros de pedra dilatam as oferendas
Os pássaros de carne batem-se contra as grades
Os pássaros de lata arrulham nas ferrovias dos nervos
Os pássaros de madeira mascam o macio dos músculos
Os pássaros de papel voam para dentro das crases
Os pássaros de carvão rabiscam suas asas no ventre
Os pássaros de fogo puxam os pássaros de chuva
Os pássaros de pano acalentam os pássaros de pranto


Sempre

Fui sempre
De percorrer na carne
O puído dos vãos
Sempre de pôr o pé
Na intimidade
Das veias
Sempre de lavrar
Os dias mais
Ferozes
Para que doendo
Amansem a morte






Eu, Álison

sábado, 11 de maio de 2013

Foi só um sonho

Mas QUE sonho!


"Estava esperando por esse abraço desde maio".
Porque tu imerges no que ela te faz sentir.
Porque tu mergulha e se afoga no que ela te faz sentir.
Naquelas borboletas no teu estômago.
Naquela pulsação descontrolada.
Naqueles nervos à flor da pele.
Naquele olhar de flor e fada.





Eu, Álison