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sábado, 16 de agosto de 2014

Alegrias em ser feliz sozinho

"Há, na filosofia, uma histórica relação entre melancolia e inteligência. Você, que é meio melancólico, enxerga coisas que o alegre, que é bobo, não enxerga".






Eu, Álison

terça-feira, 10 de setembro de 2013

As almas sensíveis

Por consequência, considerando o belo como o meu terreno próprio, perguntei-me: “Qual é o tom para a sua manifestação mais alta?”. Este seria o tema de minha seguinte meditação, e toda a experiência humana nos leva a crer que esse tom é o da tristeza. Qualquer que seja seu parentesco, a beleza, em seu desenvolvimento supremo, induz às lágrimas, inevitavelmente, as almas sensíveis. Assim, a melancolia é o mais idôneo dos tons poéticos.

Edgar Allan Poe







Eu, Álison

sábado, 15 de junho de 2013

E a tristeza continua



Esse descarrilamento emocional de se projetar continuamente no futuro conduz à patologia da melancolia: a sensação de estar sempre chegando demasiadamente tarde ao encontro com a vida.






Eu, Álison

domingo, 31 de março de 2013

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Alexander von Humboldt

O navio abria caminho pela melancólica noite tropical. No tombadilho, o jovem cientista se achava mergulhado. A lua rompia tristonha por entre as nuvens, esparzindo gotas de luz ambarina sobre as ondas.
Nessa amplidão de existência animal, a raça humana se vê reduzida a uma insignificância melancólica.
O Cosmos foi escrito no crepúsculo da vida de um cientista privado de seus amigos. Um por um, como folhas de outono, eles tinham-se despencado da árvore da existência. Mas a grandeza é sinônimo de modéstia. Considerava seu irmão como um verdadeiro mestre, e a si mesmo como um simples aluno.
Ainda se sente capaz de um trabalho tão duro?
- Eu durmo pouco – respondeu Humboldt – A vida, para mim, é o trabalho. Anteontem trabalhei dezesseis horas.
E quando chegou o mês de Abril, os berlinenses começaram a dar pela falta do vulto familiar do Barão a passear sob as Lindens. “Onde está Sua Excelência?”, perguntavam-se uns aos outros. Mas ninguém sabia responder. Von Humboldt tornara a embarcar para um Novo Mundo.





Eu, Álison

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Leonardo e Freud

Todos os posts que tiverem o nome "Leonardo e Freud" contêm trechos retirados de um livro que Freud escreveu sobre Leonardo da Vinci. Esse é o primeiro, mas adiante haverão mais posts com outros trechos.

Leonardo da Vinci (1452 - 1519) foi admirado, até mesmo pelos seus contemporâneos, como um dos maiores homens da renascença italiana. No entanto, já nessa época começara a parecer um enigma, tal como nos parece hoje em dia. Era um gênio universal “cujos traços se podia apenas esboçar, mas nunca definir”.
O que impediu que a personalidade de Leonardo fosse compreendida pelos seus contemporâneos? O motivo, certamente, não terá sido a versatilidade de seus talentos, nem a extensão do seu saber. Tampouco pertencia ele à classe dos gênios fisicamente mal dotados pela natureza e que por isso mesmo desprezam as formas exteriores da vida e, numa atitude de penosa melancolia, fogem a qualquer contato com seus semelhantes.
Foi por isso, forçosamente, um solitário entre seus contemporâneos. Para eles, sua atitude em face da sua arte foi sempre incompreensível.
O que ao leigo pode parecer uma obra prima nunca chega a representar para o criador uma obra de arte completa, mas apenas a concretização insatisfatória daquilo que tencionava realizar; ele possui uma tênue visão da perfeição que tenta sempre reproduzir sem nunca conseguir satisfazer-se.
Parecia tremer o tempo todo quando se punha a pintar e, no entanto, nunca terminou nenhum trabalho que começou, sentindo um tal respeito pela grandeza da arte que descobria defeitos em coisas que, aos outros, pareciam milagres“.
Um de seus contemporâneos, o contista Matteo Bandelli, que na época era um jovem frade naquele convento, conta que Leonardo costumava muitas vezes subir nos andaimes pela manhã cedo e lá permanecer até o cair da tarde sem nem uma vez descansar o pincel e nem se lembrar de comer ou de beber. Depois, passava dias sem tornar a tocar no trabalho. Muitas vezes passava horas diante de sua obra, somente analisando-a mentalmente.
Ao contrário, é possível observar uma extraordinária profundeza e uma riqueza de possibilidades que vêm dificultar qualquer decisão final, ambições enormes difíceis de satisfazer, e uma inibição na execução definitiva para a qual não encontramos justificativa, mesmo considerando que o artista nunca consegue realizar o seu ideal.




Eu, Álison

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Última vez

Ela foi a última pessoa que o fez sorrir antes de tudo acabasse. Hoje ela tem que viver sendo a última pessoa a tê-lo visto sorrir. E pensar que aquele sorriso talvez tivesse sido um sinal antecipado de que tudo iria acabar, ou talvez o motivo de tudo ter acabado tivesse sido aquele sorriso. Então hoje ela tem que viver sendo a última pessoa que o fez sorrir, a última pessoa a vê-lo sorrir e a causa de que essa tivesse sido a última vez.





Eu, Álison

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O horror

Interessante é quando você descobre que existe uma coisa pior do que a tristeza chamada melancolia. Ela é o fundo do poço. O escuro e solitário fundo do poço.


O sofrimento pode não durar para sempre, mas isso não significa que ele será breve.




Eu, Álison

domingo, 28 de outubro de 2012

Intolerável

Pois o meu coração não me convida a viver, nem a permanecer entre os homens.
Os seus dentes rangiam; os seus olhos reluziam como a chama numa fogueira; e, dentro de si mesmo, o seu coração era penetrado por uma dor intolerável.





Eu, Álison

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Desculpem o pessimismo

Com o tempo você descobre o nome do que você sentia.
E o nome do que eu sentia era tristeza.
E com o tempo você descobre que saber o nome do que você sentia
Não acaba com a melancolia.

Com o tempo você descobre o nome do que você sentia.
E o nome do que eu sentia era saudade.
E com o tempo você descobre que saber o nome do que você sentia
Não traz ninguém de volta.

Com o tempo você descobre o nome do que você sentia.
E o nome do que eu sentia era solidão.
E com o tempo você descobre que saber o nome do que você sentia
Não faz seu coração parar de chorar.

Com o tempo você descobre o nome do que você sentia.
E o nome do que eu sentia era medo.
E com o tempo você descobre que saber o nome do que você sentia
Não te faz mais corajoso.

Com o tempo você descobre o nome do que você sentia.
E o nome do que eu sentia era desespero.
E com o tempo você descobre que saber o nome do que você sentia
Não faz a tortura parar.

Com o tempo você descobre o nome do que você sentia.
E o nome do que eu sentia era aflição.
E com o tempo você descobre que saber o nome do que você sentia
Não faz a angústia diminuir.

Com o tempo você descobre o nome do que você sentia.
E o nome do que eu sentia era dor.
E com o tempo você descobre que saber o nome do que você sentia
Não faz a mágoa acabar.

Com o tempo você descobre o nome do que você sentia.
E o nome do que eu sentia era agonia.
E com o tempo você descobre que saber o nome do que você sentia.
Não faz os pulsos pararem de sangrar.

Com o tempo você descobre o nome do que você sentia.
E o nome do que eu sentia era minha própria consciência: o tormento do remorso.
E com o tempo você descobre que saber o nome do que você sentia
Não absolve sua culpa, 
Não te dá uma segunda chance
E não te trás de volta à vida. 





Eu, Álison

segunda-feira, 16 de julho de 2012

R. Schumann

Um duplo talento despertara nele prematuramente – um dom para a literatura e um dom para a música.
Surpreendera o olhar da amada num arco-íris lunar e imaginou ouvir-lhe o riso da brisa ao dançar sobre um lago perdido entre as montanhas. "Nesse momento aprendi a ideia sublime da Divindade".
Robert voltava-se amiudadas vezes para o teclado quando sentimentos profundos demais para lágrimas – e palavras – se lhe agitavam no cérebro.
Era sujeito a intensos acessos de melancolia. Escreveu à mãe, referindo-lhe as suas desventuras, num estilo calculado para apertar-lhe o coração. “Se eu, ao menos, tivesse aqui alguém que me compreendesse direito e com simpatia e que tudo fizesse por mim em virtude de um amor puro e desinteressado que me dedicasse!”.
“Emociono-me com demasiada facilidade”, queixava-se ele.
“Nem posso matar-me, a despeito do meu desespero, porque me falta o dinheiro suficiente para adquirir uma pistola”.
Eram os seus dias uma série de estados de espírito que flutuavam violentamente entre o êxtase e o desespero.
Além disso, repartira o tempo entre a música e a poesia. Expressava-se igualmente bem com o piano e com a pena, o que, aliás, representava para ele, de certa maneira, uma fonte de fraqueza. “Se ao menos o meu talento para a poesia e para a música se concentrasse num ponto único, a luz não se ofuscaria tanto assim...”.
Na amizade do gênio o prato da familiaridade é condimentado com o sal do respeito.
“Sentimentos estranhos agitavam-me o coração...”. “Permiti que essa noite, ao menos, se passe sem que eu perca a razão!”
Nessa altura, Schumann desfaleceu. Durante toda a vida obcecara-o a ideia de que estava perdendo a razão. Referia-se ao “lado obscuro” da sua vida, manifestava o desejo de divulgar, algum dia, o segredo de uma “grave enfermidade psíquica” de que padecera. Um dia, ele teria a “chave” de todas as suas ações, “de toda a minha estranha natureza”.
“Poderá o jovem Schumann edificar uma catedral de ideias musicais?”.
Essa infâmia abateu a natureza sensitiva de Schumann.
Schumann não era homem com quem se lidasse facilmente. Era distraído, sem cerimonioso, arrebatado, irresoluto e caprichoso com o vento. Inclinado à melancolia, acreditava que o casamento o curaria dos seus periódicos acessos de tristeza.
Referia-se, repetidamente, à sua boa fortuna de possuir “uma esposa à qual estou ligado pela arte, pela afinidade mental, pelo hábito de muitos anos de amizade e pelo mais profundo e mais sagrado amor...”.
O meu respeito pelo gênio de Robert, pela sua inteligência e pelos seus dons de compositor aumenta com cada uma de suas obras.
Padecia, continuamente, de acessos de melancolia e fazia viagens frequentes ao campo para tratar da saúde. Com os nervos tensos e a ponto de arrebentar, tinha medo da morte e tinha medo da vida.
Para Schumann, porém, valia o oferecimento como escápula temporária às algemas do desespero.
Era um homem de poderosas emoções e dificuldade de expressão. “Quando os meus pensamentos são mais eloquentes”, lamentava-se, “é quando me vejo mais incapacitado de falar”.
Excesso de gênio, carência de talento. Tal era o paradoxo daquele homem, que padecia da excitabilidade nervosa provocada por um cérebro demasiado fértil. Essa excitabilidade nervosa trouxe-lhe, de um lado, o fardo das aflições e, de outro, o condão de cantar.
Pouco depois, decompunham-se as notas num milhar de sons majestosos. Que maravilha! Brilhavam-lhe nos olhos visões do paraíso. “Sofro maravilhosamente”.
Uma bela manhã, saltou da cama dizendo que os anjos lhe estavam cantando um tema que ele precisava copiar. Saiu depois impetuosamente de casa e precipitou-se no Reno. Foi salvo e mandado para um hospício.
Tal foi a tragédia de seu espírito. O artista hipersensitivo vivera uma vida de frustração mental. Não poderia ser feliz o final dessa historia de um gênio tão poderoso com tão limitadas oportunidades de expressão, vulcão ativo de música peado pelas cinzas de um mundo desatento. Havia, forçosamente, de explodir.
Durante dois anos arrastou-se ele no meio dessa morte viva. Vivia num mundo de música divina – aquelas harmonias celestiais que lhe roubavam o repouso.
A luz do sol é apenas uma lembrança irrisória na treva da tormenta.
No instante, porém, em que ela se ergueu, ele a beijou. O beijo instintivo, confiante e indefeso de uma criancinha.





Eu, Álison

sábado, 14 de julho de 2012

F. F. Chopin

Era uma "criança aluada, pálida e sentimental", dotada de um instinto musical quase tão agudo quanto o de Mozart e uma predisposição para perturbações pulmonares, indício de morte prematura.
A sua pessoa, como sua música, era um poema elegante, o que representava para ele fonte de grandes satisfações.
A palavra tristeza é, porventura, pesada demais para se aplicar a um rapaz de vinte anos. A tristeza, no entanto, era o talismã a que ele se apegava, desesperado, para subtrair-se às angústias do seu contentamento. Cria fervorosamente na melancolia, aquele feixe de nervos superexcitados e cansados, aquela ruína tuberculosa e maltratada de vinte anos.
A consciência o torturava. O momento era de nervosismo nacional. O povo se esquecera das humanidades, das artes, das ciências, da paz contemplativa e criadora.
Mas nos dias angustiosos, como Dante o observou, não há sofrimento tão amargo quanto a memória das passadas alegrias.
“Aqui estou eu com as mãos vazias, deitando o meu desespero em notas tinintes”.
Volvido algum tempo, abrandou-se-lhe a extrema aflição mental.
No meio dessa sociedade de magníficos sonhadores, artistas que tinham a audácia de olhar para um mundo melhor, caminhava o polonês enfermiço e triste. Sentava-se ao piano e arrebatava-os, a todos, com a sua poesia. Tinha vinte e poucos anos e sentia que ainda lhe faltava muita coisa para aprender no respeitante à sua arte.
Entre os primeiros a reconhecer o gênio de Chopin figura Franz Liszt, o maior pianista do seu tempo. Liszt achava-se presente a um concerto dado a pelo recém chegado a Paris, e, ao lado dele, sentara-se aquele outro músico mágico, Felix Mendelssohn. Quando Chopin principiou a tocar, ambos compreenderam que era Deus quem falava pelos dedos do rapaz.
Diversamente de Liszt, Chopin tinha qualquer coisa de recluso. Aristocrático por instinto, desadorava a humanidade quando representada pelas massas. Temia as multidões.
“Enchia a sombra de um conclave de fadas”.
Instalou-se em luxuoso apartamento e, na sua soledade, aspirava o perfume das violetas.
Para compensar, contudo, a sobriedade obrigatória da existência física, enriquecia sua música com uma incomparável embriaguez psíquica. Com menos de trinta anos, escrevendo exclusivamente para piano, cuspindo sangue dos pulmões devastados, era adorado pela sua música.
E quem poderá escrever música forte quando tem o coração fraco?
“Se me tivesse compreendido, talvez me pudesse ter amado”.
Um dizia que eu havia de morrer, o segundo, que eu estava prestes a morrer, o terceiro, que eu já estava morto.
Embora lhe declinassem rapidamente as energias, a poderosa labareda do gênio senhoreou-se dele e imprimiu-lhe verdadeira fúria criadora. Sentava-se ao piano e embrenhava-se na música. “Ele não sabe sequer em que planeta vive”. Chopin, sepultado na própria música, não atentava em coisa alguma.
Amigos instaram-lhe que escrevesse óperas e sinfonias a fim de “demonstrar o seu talento a um mundo que não se fiava dele”. Ele, porém, encolhia os ombros, a sorrir. “Quem quer que pudesse ler-lhe o rosto veria quão amiúde possuía a convicção de que entre todos os senhores bem vestidos e entre todas as senhoras perfumadas que lhe frequentavam os concertos, não havia uma única pessoa que compreendesse verdadeiramente o seu propósito”.
Sentado em sua cela, Chopin conversava com o seu piano e contemplava o declinar da própria vida.
Cada um de seus dedos “era uma voz delicadamente diferenciada”. Ele sentava-se ao piano e convertia-o em vida.
Não tema os pesares da tristeza. A sua vida dissolvia-se em música.
As luzes estavam apagadas. Chopin arpejava. Tinha lágrimas nos olhos. As notas semelhavam as vergastadas de uma tempestade de neve açoitando o quarto. “Sonhei que você estava morta”.
Despertara o monstro oculto no piano e este lhe atirava setas de melancolia ao coração.
Espalhados em vasos por todos os cantos havia ramos de violetas – suas flores prediletas. Um perfume leve. Música perfumada. Canções crepusculares de fragrante tristeza.
A sua música delicada estremecia ainda como uma chama tocada pelo vento. Música estranha e melancólica, em tons menores, canções do vento e das estrelas e dos mistérios da noite.
Um dia, após o pôr do sol. As suas almas, como a de Chopin, afinar-se-iam com a música da noite. Porque a noite é apenas um prelúdio para outro dia.
“Quando eu tiver ido embora”, - foram estas as suas últimas palavras – “toquem um pouco de música para mim, pois sei que hei de ouvi-los no além”.




Eu, Álison

segunda-feira, 2 de julho de 2012

G. F. Handel

Já não são as notas cascata rumorejante, mas constelação de sons a dançar!
Era-lhe, contudo, possível compor tão depressa e tão bem porque fora dotado de um poço inexaurível de gênio musical, que exsurgiu fervilhante, à superfície numa idade pasmosamente tenra.
Apaixonou-se com ardor pela pintura italiana, pois era um poeta da vista como o era do ouvido.
O gênio traçou-lhe um caminho próprio. Parou, com efeito, alguma vez, à beira da estrada para colher uma flor familiar e aspirar-lhe o perfume.
Flor estranha, nova, bela e exótica da música.
Tornou-se o público de Handel "extremamente escasso" e o compositor deixou-se possuir de "estranhada melancolia".
Não é, pois, de admirar, que se lhe debilitasse a saúde e tenha chegado seu espírito quase a ponto de extraviar-se.
Foi, porém, como um fuzilar de um relâmpago nas trevas da noite.
No meio do espetáculo, perdeu os sentidos. Levado para casa e posto na cama, nunca mais se levantou.






Eu, Álison

quinta-feira, 8 de março de 2012

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A pintura deve...

"Nas coisas confusas o gênio desperta para novas invenções, saber olhar..." Leonardo anota. Para ele, é evidente que a pintura deve suscitar o riso e as lágrimas, o prazer e o pavor, o entusiasmo ou a melancolia.





Eu, Álison