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sábado, 18 de outubro de 2014

Afasta-te de mim

Eu preferia ter morrido antes que alguém pudesse ver-me. Se tão somente eu jamais tivesse existido, ou fosse levado direto do ventre para a sepultura!


 Já estariam no fim os meus poucos dias? Afasta-te de mim, para que eu tenha um instante de alegria, antes que eu vá para o lugar do qual não há retorno, para a terra de sombras e densas trevas, para a terra tenebrosa como a noite, terra de trevas e de caos, onde até mesmo a luz é escuridão.






Eu, Álison

domingo, 12 de outubro de 2014

Somos programados

Moça, sai da sacada, você é muito nova pra brincar de morrer. Me diz o que há, o que que a vida aprontou dessa vez.
Venha, desce daí, deixa eu te levar pra um café, pra conversar, te ouvir e tentar te convencer.
Moça, não olha pra baixo, aí é muito alto pra você se jogar. Vou te ouvir, e tentar te convencer. Somos programados pra cair...
E a morte é como pai que bate na mãe e rouba os filhos do prazer de brincar como se não houvesse amanhã.
Mas tudo bem, nem sempre estamos na melhor.
Moço, ninguém é de ferro. Somos programados pra cair.






Eu, Álison

sábado, 13 de setembro de 2014

E apenas ela



 Estou morto. Apenas a vingança pode me restaurar. - Terry Goodking






Eu, Álison

Se importar não é uma vantagem

- Como sabia que ela estava morta?
- Tinha um objeto que garantia sua vida. Resolveu dá-lo. Olhe para eles. Se importam tanto. Se pergunta se há algo de errado conosco?



- Sentimento é um defeito químico achado nos perdedores.
- Sentimento? Do que está falando?
- Você.
- Olhe este pobre homem. Não achou realmente que eu estava interessada em você? Por quê? Porque você é o grande Sherlock Holmes?
- Não. Porque tomei seu pulso. Elevado. Suas pupilas dilatadas. Imagino que Watson acha que o amor é um mistério para mim, mas a química é incrivelmente simples e destruidora. Isso é muito mais íntimo. Este é seu coração e nunca deveria deixá-lo guiar sua cabeça. Sempre disse que o amor é uma vantagem perigosa. Obrigado pela prova final.
- Tudo que eu disse não foi real. Estava apenas jogando.
- Eu sei. E isso é você perdendo. Aí está, irmão. Espero que o conteúdo repare algum inconveniente que tenha causado hoje.
- Com certeza.
- Se for gentil, prenda-a. Se não, deixe-a ir. Não durará muito sem proteção.
- Espere que eu implore?
- Sim.
- ...Por favor.





Eu, Álison

Say yes to pull the trigger

Todas as cabeças se curvam em reverência silenciosa. O chão está molhado de lágrimas da lembrança dolorosa. Inspirado em seus passos vamos marchar à frente. Não fique chocado das pessoas morrem. Fique surpreso, pois continua vivo.

Do you believe in God? Say yes to pull the trigger.






Eu, Álison

sábado, 6 de setembro de 2014

Como eu disse anteriormente

Eu não sei se a minha doença vai se resolver.


E se der tudo errado...? Eu vou fazer o quê?


18/08/1973 - 24/03/2014





Eu, Álison

domingo, 20 de julho de 2014

Memories of somewhere

Lost in the darkness
Hoping for a sign
Instead there is only silence
Can't you hear my screams?
Never stop hoping
Need to know where you are
But one thing is for sure
You're always in my heart

Lost in the darkness
Try to find your way home
I want to embrace you
And never let you go
Almost hope you're in heaven
So no one can hurt your soul
Living in agony
'Cause I just do not know
Where you are

Wherever you are, I won't stop searching
Whatever it takes, I need to know

I'll find you somewhere
I'll keep on trying
Until my dying day
I just need to know
Whatever has happened
The truth will free my soul


Perdido na escuridão, esperando por um sinal. Ao invés disso só há silêncio. Você não pode ouvir meus gritos? Nunca perca a esperança. Preciso saber onde você está, mas uma coisa é certa. Você está sempre no meu coração.
Perdido na escuridão, tente encontrar seu caminho de casa. Eu quero te abraçar e nunca deixar você ir. Quase espero que você esteja no paraíso, assim ninguém pode ferir sua alma. Vivendo em agonia porque eu não sei onde você está.
Onde quer que você esteja, não vou parar de procurar. Seja o que for necessário, eu preciso saber.
Eu te encontrarei em algum lugar. Eu continuarei tentando até o dia da minha morte. Eu só preciso saber o que quer que tenha acontecido. A verdade libertará minha alma.


In this world you tried
Not leaving me alone behind
There's no other way
I prayed to the gods let him stay
The memories ease the pain inside, now I know why

Made me promise I'd try
To find my way back in this life
I hope there is a way
To give me a sign you're ok
Reminds me again it's worth it all, so I can go home

Together in all these memories
I see your smile
All the memories I hold dear
Darling, you know I will love you 'til the end of time

All of my memories keep you near
In silence moments imagine you be here
All of my memories keep you near
Your silent whispers, silent tears

All of my memories....


Neste mundo você tentou não me deixar para trás sozinha. Não há outro modo. Eu rezei aos deuses para deixarem ele ficar. As lembranças aliviam a dor por dentro, agora eu sei porque.
Me fez prometer que eu tentaria encontrar meu caminho de volta nesta vida. Eu espero que haja um modo de você me dar um sinal que você está bem. Me recordo novamente o valor disso tudo, então posso ir para casa.
Juntos em todas essas lembranças eu vejo seu sorriso. Todas as lembranças eu guardei tão bem. Meu bem, sabes que irei amá-lo até o fim dos tempos.
Todas as minhas lembranças mantém você próximo. Em momentos silenciosos imagino você aqui. Todas as minhas lembranças mantém você próximo. Seus sussurros silenciosos, lágrimas silenciosas.
Todas as minhas lembranças.





Eu, Álison

domingo, 13 de julho de 2014

We can't die because we're young

Come spend the night inside our soul
It's so beautiful, at all

 

You're afraid of who you are
Crying 'cause your father's gone






Eu, Álison

domingo, 6 de julho de 2014

É o afeto justo

Não quero que você concorde com isso, mas leia com a mente aberta.
Porque se ele [o ódio] não fosse real, a gente não precisaria ter medo dele. É porque ele é real, é porque, às vezes, a gente tem que fazer guerra, é porque, às vezes, a gente tem que matar, é porque, às vezes, tem gente na humanidade que não dá para você amar, não dá para conviver.

Não adianta você dizer que todo filho, toda mãe, todo pai se amam. Senão não precisava de psicólogo. É bom ter melhor salário, mas nem por isso vai deixar de ter razão para odiar. É bom você ter um governo mais justo, mas nem por isso vai deixar de ter razão para odiar. É bom você ter melhor escola, mas nem por isso vai deixar de ter razão para odiar. Por que você não consegue fazer o ser humano ser bom por lei. E se o ser humano virasse bom não seria mais o ser humano. O ser humano é o que ele é. É assim que ele sobreviveu.

O ser humano odeia. Seja lá por que razão for. A gente mata. Alguns acham que você mata por causa de Deus, mas você pode matar porque você é contra Deus. O ser humano é fraco, medroso, precário, mentiroso sobre suas próprias angústias. A hipocrisia é parte da base da moral pública. Organização eficaz da agonia pode ser entendida como o modo como a seleção natural nos levou a conviver com esse monstro que a gente tem ou com essa fragilidade interna.

Quando você diz que todas as pessoas devem ser amadas, é como se você causasse a destruição das diferenças entre as pessoas que merecem realmente ser amadas e as que não merecem, porque mesmo você sendo a pessoa mais sortuda do mundo, deve conhecer no mínimo uma pessoa que você imagina que não merece, ou não deve, ser amada. Algumas pessoas na nossa vida, ou na vida dos outros, conquistam o amor, por uma série de razões. E outras não. Elas conquistam o ódio.
A ideia de que você deve ou consegue amar todas as pessoas é (teoricamente) muito nobre, aliás, uma das mais nobres. Mas na prática, é uma impossibilidade que é evidente por si só. Basta você pensar em todas as pessoas más que existem e que, por motivos lógicos, você não ama, para perceber que só o fato de elas serem o que são já é suficiente para você mantê-las longe. Dizer isso é horrível, mas por mais duro que pareça, você precisa reconhecer que, às vezes, o ódio é o afeto justo.







Eu, Álison

terça-feira, 1 de julho de 2014

É a última vez

Hoje, assim como ontem, foram dois dias especialmente tristes. Não só para mim, mas acredito que para metade da cidade. Ontem, dia 30 de junho, pela manhã, recebi a notícia de uma tragédia. Não era nenhum membro da família ou colega de escola. Era um professor do colégio em que estudava. A pessoa mais educada, mais inteligente, mais sábia e mais genial que já tinha conhecido havia morrido. Quero esclarecer que quando eu digo, por exemplo, que ele era inteligente, não estou me referindo a completar uma faculdade. Estou dizendo inimaginavelmente inteligente. Isso serve para todas as outras qualidades. Que isso fique bem claro. Uma das duas pessoas que mais me influenciaram com relação à minha busca e em como eu a projetaria durante todo o resto da minha vida. A pessoa que me ensinou a importância de ser gentil, que fez com que eu me apaixonasse loucamente pela Biologia (curso que atualmente frequento na faculdade), que me mostrou a infinidade de coisas que eu poderia descobrir com a minha curiosidade e a infinidade de coisas que uma pessoa poderia aprender através de seu próprio esforço, sendo ele o maior exemplo disso. A pessoa que me convenceu de tudo que eu poderia ganhar com o hábito da leitura, que me mostrou como é ter uma biblioteca na própria casa, que me ensinou a simplicidade. Desde a simplicidade de vestir até a simplicidade de ser.

Hoje, dia 1º de julho, foi seu enterro. Sua despedida desse mundo. Mesmo a pessoa mais nobre e mais humana que eu já conheci, mais cedo ou mais tarde (e nesse caso, foi mais cedo), teria de ir embora. Lembro da última frase que ele me disse na última vez em que nos falamos, há alguns meses atrás: "Foi um prazer conversar contigo". Então eu queria dizer que, e aqui falo na condição de pessoa que teve a sorte de ser iluminada e abençoada pela sua presença que fique certo de que o prazer foi e será sempre todo meu. Minha infinita gratidão por tudo. Fica com Deus.







Eu, Álison

sábado, 21 de junho de 2014

You're so happy that you could die

I am higher than the sky
I want to fly
Never felt so alive
So, show me how to play
and I'll surrender to you now
I don't know why
I wanna cry
I'm so happy that I could die
Show me how to play
and I'll stay right here with you

You are higher than the sky
You want to fly
Never felt so alive
He'll show you how to play
Make you surrender to him now
You don't know why
You wanna cry
You're so happy that you could die
He'll show you how to play
Make you stay right there with him

Estou mais alto do que o céu. Eu quero voar. Nunca me senti tão vivo, então me mostre como jogar e vou me entregar a você agora. Não sei por quê eu quero chorar. Estou tão feliz que poderia morrer. Mostre-me como jogar e vou ficar aqui com você.
Você está mais do que o céu. Você quer voar. Nunca se sentiu tão vivo. Ele vai mostrar-lhe como jogar. Faz você se render a ele agora. Não sei porquê você quer chorar. Você está tão feliz que você poderia morrer. Ele vai mostrar-lhe como jogar, faz você ficar ali com ele.






Eu, Álison

quarta-feira, 18 de junho de 2014

domingo, 4 de maio de 2014

Depende de você

A vida de uma pessoa se resume, basicamente, assim: ela nasce, cresce, envelhece e morre. Durante esse período ela pode incrementar um pouco. Ela trabalha, estuda, cozinha, viaja. Ela também mata, rouba. Se apaixona, faz arte. Ela lê, escreve, toma banho de chuva, dorme tarde. Chora de rir, fica triste, imagina cenas antes de dormir. Se assusta, se surpreende. Perde o fôlego, pula de alegria, anda de bicicleta. Esfola o joelho, dá presentes, tem borboletas no estômago, comemora aniversário, faz amizades. Se rebela, tem pesadelos, acorda assustado. Se emociona, conhece gênios, fala com idiotas, se confunde. E apesar de nossa vida ser apenas uma sequência aleatória de fatos independentes que decorrem por alguns anos, quando estamos fazendo alguma dessas coisas, o tempo parece mais lento e você até se esquece de que devia apenas nascer e morrer.






Eu, Álison

sábado, 12 de abril de 2014

Volta logo

Eu queria ajudá-la, mas ela sempre dizia que não queria que eu me envolvesse com seus problemas porque poderia me afetar... Tanto quanto a afetava. Hoje não consigo parar de pensar que tenho minha parcela de culpa nisso tudo e que se tivesse insistido um pouco mais em tentar salvá-la isso não teria acontecido. Nunca tive coragem de admitir que ela era uma mulher doente. Atualmente possuo essa coragem, só que ela foi despertada por algo muito mais forte. Hoje, tarde demais, eu admito que ela era uma mulher doente. Uma mulher que não conseguiu sobreviver ao próprio problema.
Da última vez que ela me visitou, eu disse a ela: "Volta logo, senão o meu coração vai doer". Ela dizia que estava melhorando.


Essa foi a visão que tive quando ela foi embora. 
Foi a última vez que a vi.






Eu, Álison

domingo, 6 de abril de 2014

O que acontece quando morremos?

- O que acontece? Nós retornamos ao lugar de onde viemos.
- Eu não me lembro do lugar de onde vim...
- Eu também não.
- Ela é tão pequena.
- Sim, é uma das coisas que acontecem. Parecemos menores.
- Ela parece estar em paz.

Trecho de "As Horas"







Eu, Álison