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domingo, 10 de agosto de 2014

Tantas voltas

"Eu digo, tu dizes e, no fim, o diz também ele; depois de dar-lhe tantas voltas, ninguém mais vê aquilo que se disse."






Eu, Álison

sábado, 5 de outubro de 2013

O Dicionário do Diabo - Letra L, M e N

Ladrão = Um ingênuo homem de negócios. Conta-se que Voltaire certa noite hospedou-se com alguns companheiros de viagem um uma estalagem. Como os ouvintes fossem muitos sugestionáveis, após a ceia reuniram-se todos para contar histórias de ladrões. Quando chegou a vez de Voltaire, ele começou: “Era uma vez um Arrecadador Geral de Impostos”. E se calou. Quando os demais o encorajaram a prosseguir, ele disse: “Esta é a história”.
Liberdade (2) = Um dos bens mais preciosos da imaginação.
Longanimidade = Disposição para suportar uma injúria com meiga indulgência enquanto amadurecemos um plano de vingança.
Longevidade = Prolongação anormal do medo da morte.

Magnetismo = Algo que age em função de um magneto.
Magneto = Algo que age em função do magnetismo.
Mão = Instrumento singular usado na extremidade do braço humano e geralmente metido no bolso alheio.
Matrimônio = Cerimônia na qual duas pessoas tornam-se uma, uma torna-se nada e nada se torna suportável.
Médico = Sujeito a quem lançamos nossas súplicas quando enfermos e nossos cachorros quando curados.
Mendigar = Pedir algo com intensidade proporcional à crença de que este algo não será concedido.
Mendigo = Aquele que confiou no auxílio dos amigos.
Meu = Tudo que me pertence ou do que me aproprio.
Mitologia = Conjunto de crenças de povos primitivos relativas as suas origens, história antiga, heróis e deuses, etc., por oposição à história real que eles inventam mais tarde.

Noivos = Pessoas que se prendem com alianças ao invés de algemas.
Novembro = Décimo primeiro dos doze avos do tédio.






Eu, Álison

domingo, 16 de junho de 2013

Quando não tem luz

Um filho pergunta à mãe: "O que a gente vai fazer agora que faltou luz?" e a mãe responde: "Nós vamos dormir". E lá se vão meia dúzia de humanos com histórias, desejos, projetos, sonhos... Cada um com a possibilidade de cantar um pouco para o outro, fazer uma poesia, contar uma história, dar risada... E eles escolhem ir dormir...







Eu, Álison

sábado, 11 de maio de 2013

Deus está morto!

"Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu ato mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda a história até hoje!" - Friedrich Nietzsche.






Eu, Álison

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Seu destino era partir-se em pedaços

Ele achou que evitar a amarga despedida pouparia seu coração de quebrar-se em pedaços e de fazê-lo sentir o peso da distância.
 Mas o que ele não contava era que não vê-la teria um efeito tão devastador em seu peito quanto estar ao seu lado para dar o último adeus.
Sem conseguir fugir de sua sina, seu coração partiu-se mesmo sem tê-la visto partir. Ele partiu-se, pois não pôde vê-la pela última vez.
E hoje contam sua história. O homem que, desde então, dedica sua vida a colher pelo mundo afora os cacos perdidos do seu coração confrangido e anseia uni-los com o perfume de quem os partiu.
Mas mal sabia ele que não mais veria quem os partiu e ele teria que uni-los com o que sobrou dentro do seu peito. A dor que vivia e a dor que sabia que não acabaria...
Cacos espetam. Cacos machucam.
Cacos se partem e levam consigo o dono de um coração alquebrado e doído.






Eu, Álison

sábado, 5 de maio de 2012

Sinceramente

Eu sou uma pessoa que anda perdida.
E pode ter certeza: Uma hora... Eu vou embora.
Eu queria muito levar umas pessoas comigo,
Mas acredito que elas têm suas vidas 
Que elas têm sua história...

 



Eu, Álison

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Vídeo game

As pessoas falam muito que os jogos de vídeo game incitam a violência e contribuem para que as pessoas se tornem violentas. Algumas dizem até que os vídeo games fazem as pessoas cometerem assassinatos. Mas eu penso assim: o vídeo game foi criado no século passado. E os outros 5000 anos de história em que ocorreram tantos assassinatos quanto hoje em dia, qual a participação do vídeo game nisso? A não ser que você conheça algum egípcio que jogasse Street Fighter, não havia influência nenhuma, mas nem por isso os assassinatos deixavam de acontecer.
O mesmo serve para a música, desenhos, filmes e afins, que só servem de desculpa para a maneira errada como as pessoas agem. Então quando disserem algo sobre o vídeo game, pense melhor antes de sair falando qualquer coisa por aí.




Eu, Álison

sábado, 25 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Lê-los é o que ele faz

"Um deles era de pequena estatura, musculatura vigorosa, membros fortes, cabeça grande, cabeleira negra e abundante, bigode espesso, olhar vivo e penetrante, toda a sua pessoa impregnada dessa vivacidade meridional que caracteriza em França os filhos da Provença. Diderot, com justiça, afirmou que o gesto do homem é metafórico, e aquele homenzinho era a prova viva dessa asserção. Sentia-se que em sua linguagem habitual devia prodigalizar as prosopopéias, metonímias e hipólages. Fato que, aliás, nunca tive ocasião de verificar porque, em minha presença, usou sempre idioma singular e absolutamente incompreensível.

O segundo desconhecido merece descrição mais minuciosa. Era fácil de ler em sua fisionomia. Reconheci, sem hesitar, as suas qualidades dominantes: a confiança em si, porque a sua cabeça assentava nobremente sobre o arco formado pela linha dos ombros e seus olhos negros fitavam com impassível segurança. A calma, porque a sua pele, tendendo mais para a palidez do que para o corado, denunciava o equilíbrio sanguíneo. A energia, demonstrada pela facilidade de contração dos músculos superciliares e, enfim, a coragem, porque a sua respiração profunda denotava grande expansão vital.

Acrescentarei que sua altivez era visível, que seu olhar firme e claro parecia refletir pensamentos elevados e que todo esse conjunto, a homogeneidade das expressões, do gesto, do corpo e do semblante, segundo a observação dos fisionomistas, sugeria indiscutivelmente a sua franqueza.

Senti-me, involuntariamente, tranquilo na presença dele e augurei bem de nossa entrevista.

Se tinha trinta e cinco ou cinquenta anos, não me teria sido possível precisar. Sua estatura elevada, sua testa larga, seu nariz reto, sua boca nitidamente desenhada, seus dentes magníficos, suas mãos finas e alongadas eram dignos de servirem a alma altiva e apaixonada. Aquele homem constituía indubitavelmente o mais admirável tipo humano que até então me fora dado encontrar.

Particularidade estranha, os olhos dele, um pouco afastado um do outro, podiam abarcar simultaneamente cerca de um quarto do horizonte. Esta faculdade, como verifiquei mais tarde, era reforçada por capacidade visual superior a de Ned Land. Quando esse desconhecido fitava um objeto, a linha das sobrancelhas franzia-se, suas grandes pálpebras cerravam-se de modo a circunscrever-lhe a pupila dos olhos, restringindo assim a extensão do campo visual. Que olhar aquele! Como aumentava os objetos diminuídos pela distância! Como nos devassava até a alma!"


Trecho de "Vinte Mil Milhas Submarinas" de Julio Verne




Eu, Álison

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Como eu gosto dessas historinhas

Existem histórias que foram criadas há muito tempo para explicar fatos do nosso cotidiano e eu gosto muito delas, apesar de saber que são inventadas e que não condizem com a realidade. Um exemplo muito interessante é a explicação do porquê do Chow-Chow ter a língua azulada.

"Um dia, Deus estava pintando o céu e deixou cair algumas gotas de tinta no chão. O Chow-Chow, que O observava, lambeu as gotas e ficou com a língua azulada"

É uma história bem bobinha, mas eu acho muito legal. Em breve posto mais algumas.






Eu, Álison

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sou um cientista, sou o Álison

Eu não sou filósofo só porque eu falo sobre o que acontece na vida das pessoas. Também não sou um artista só porque eu faço alguns desenhos (que eu não coloco no blog porque são muito feios). Não sou Psicólogo só porque gosto de ouvir certas pessoas falarem e leio sobre o cérebro.
Não sou geólogo apenas porque coleciono pedras. Não sou astrônomo só porque olho as estrelas e sei o nome de algumas constelações. Não sou químico só porque sei o que é uma cadeia de carbono.
Não sou físico só porque faço experiências em casa. Não sou geógrafo só porque sei o conceito de ilha. Não sou Teólogo só porque sei quem foi Buda.
Não sou anatomista só porque sei que o osso da perna (fêmur) é o maior do corpo. Não sou psiquiatra só porque sei o que é Esquizofrenia. Não sou médico só porque sei que gripe é pior que resfriado.
Não sou zoólogo só porque sei a diferença entre camelo e dromedário. Não sou cosmólogo porque sei o que é a Teoria do Big Bang. Não sou historiador só porque sei o que foi o Renascimento.
Não sou farmacêutico só porque sei o que é um remédio ansiolítico. Não sou matemático só porque sei o que é fractal. Não sou neurocientista apenas porque sei o que é um neurônio. Também não sou um mago só porque sei o que é Alquimia.

Diferentemente do que muitos pensam, eu não sou um escritor (eu não suporto português e uso a licença poética como desculpa para os meus erros de escrita), apenas admiro as pessoas que escrevem e tento, de alguma forma, ser parecido com elas. Sempre tive dificuldade de me expressar falando, o contato humano não é o meu forte, com exceção de algumas pessoas mais íntimas, então acho que escrever é uma maneira de me expressar sem ter que olhar dentro dos olhos de cada um que lê. Isso pode ser ruim... Ou não, não sei, minha cabeça pensa muitas coisas, mas ainda vou descobrir.

Nem tudo o que eu escrevo eu coloco no blog. Textos em que cito nomes, situações fora do comum ou algo mais estranho eu prefiro não mostrar, pelo menos não agora. As pessoas podem não ter uma visão muito boa do que está escrito, então o anonimato é a melhor opção.
O que mais me surpreende, e falo por experiência própria, são as pessoas, no bom e no mau sentido, e muito do que eu escrevo é exatamente sobre elas. O que me frustra, às vezes, é que o que eu sinto (e aí entra a Filosofia) eu não tenho a capacidade de passar pro papel. Acredito que por um lado, a culpa é minha, por falta de habilidade e capacidade (apesar de, modéstia à parte, já terem dito que eu escrevo muito bem). Mas acredito que as pessoas são complicadas demais (e aqui eu me incluo) e isso dificulta que eu escreva exatamente o que sinto.
Ainda posso melhorar muito, vou melhorar, mas acredito que sempre vai ser difícil escrever sobre as pessoas. Quer fazer um teste? Tente você escrever algo sobre alguém que você conhece ou até sobre você mesmo, você vai ver como é complicado.
Acho que escrever é um passatempo, quase uma terapia.

Bem, vou parar de escrever sobre mim senão daqui a pouco eu falo demais. E eu preciso manter alguns segredos... Secretos. 




Eu, Álison

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Uma fábula

Um cachorro dormia sobre uma pele de ovelha. Uma de suas pulgas, tendo sentido o cheiro da lã, achou que ali seria um lugar onde viveria melhor e mais protegida das garras do cachorro, em vez de alimentar-se dele como fazia. Sem mais refletir, abandonou-o e tentou com grande dificuldade insinuar-se até a raiz dos pelos, tentativa que se revelou inútil, pois eles eram tão compactos e espessos que a pulga não tinha como chegar à epiderme. Exausta, fatigada, desejou voltar a seu cachorro, mas ele havia partido. Após um longo arrependimento e lágrimas amargas, ela acabou por morrer de fome...







Eu, Álison