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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A dor era absurda


 

Em 07 de fevereiro de 1909, uma mulher de 30 anos de idade chamada Emma Hauck foi internada no Hospital Psiquiátrico da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, diagnosticada com demência precoce (esquizofrenia). As perspectivas melhoraram rapidamente e, um mês depois, ela recebeu alta, mas foi readmitida dentro de semanas com sua condição ainda mais agravada. Infelizmente, a crise continuou e, em agosto do mesmo ano, com sua doença considerada terminal e sem possibilidade de reabilitação, Emma foi transferida para o asilo Wiesloch, onde viveu durante onze anos até sua morte, em 1920.



Foi nessa época que uma coleção comovente de cartas foi descoberta nos arquivos do hospital Heidelberg, todas escritas obsessivamente pela mão de Emma durante sua segunda estadia na clínica, em 1909. Cada carta desesperada é direcionada à marido ausente, Mark, e cada página é marcada pela sobreposição das frases no texto. Algumas são tão repetitivas que tornam-se ilegíveis, mas pode-se ler em algumas partes "Herzensschatzi Komm" (Meu querido, venha), repetidas vezes, e em outras ela simplesmente repete incessantemente "Komm Komm Komm" (venha venha venha), milhares de vezes.


As cartas nunca foram enviadas.






Eu, Álison

sexta-feira, 29 de março de 2013

Frederick Banting

Cadáveres jaziam em promiscuidade uns com os outros no último abraço da morte, esmagados, contorcidos, irreconhecíveis... Delgado fio de sangue escorria dos lábios de Fred Banting. O moço resfolegava, presa dum delírio intermitente. Um louco obstinado e pugnaz. Essas as palavras que melhor o caracterizam.
Entrou no Hospital Infantil de Toronto como cirurgião residente. Achava interessante remendar corpos enfermos, dar aos seres humanos mais uma oportunidade na vida. “Parece que não vou conseguir êxito”, disse, com um sorriso contrafeito. “Mas de qualquer modo, sou bastante louco para teimar”.
De súbito, uma ideia lhe brotou no cérebro. Por alguns momentos Banting procurou “iluminar o abismo” interposto entre a ideia e a deliciosa vaga de sonolência que o invadia. Depois adormeceu. Os maiores fisiologistas do mundo têm passado anos fazendo experiências com o pâncreas. E qual foi o resultado de tudo isso? Elaboraram uma dieta de fome para torturar e matar lentamente as vítimas.
Mas os soldados não tinham medo. Esperando a morte em qualquer caso, estavam dispostos a submeter-se às experiências de Banting.
Agora mostrou-se igualmente imperturbável sob outra espécie de fogo – uma saraivada de honrarias e distinções. Aceitava todas as honras com um sorriso e prosseguia modestamente o seu labor. “A satisfação é coisa que não está ao alcance do espírito humano bem constituído”. O que importa ao progresso humano não é o pensador, mas o pensamento. “O pensador morre, mas o pensamento sobrevive”.
Terminadas as horas de paciente investigação, Banting pegava um pincel e telas e saía a percorrer o campo, fixando as cenas que encontrava. Pois a pintura era seu modo de descansar o espírito.
Chegara aos 49 anos. Na escuridão do outono do mundo, teve início uma nova e obstinada pesquisa para combater uma enfermidade maligna – o assalto à liberdade humana.
Mais de uma vez fixara na tela as sombras dos seus belos traços e a luz do sol em seus olhos.
O piloto compreendeu que devia ir imediatamente em busca de socorro ou Dr. Banting não viveria até a noite. Saiu a caminhar a passos trôpegos por aquela solidão de rochas, arbustos e gelo. Voltou arrastando-se para o avião. O Dr. Banting conseguira desembaraçar-se dos escombros e sair para o ar livre, onde jazia a cinco pés do aparelho.
Fora o último dos seus atos obstinados. Estava silencioso agora.






Eu, Álison

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Precisamos deles

"Todos precisamos de segredos, desde que esses segredos não nos matem e mantenham seguros quem os guardam".


Você só queria saber como a cabeça dele funcionava. Como ele pensava. Porque você não é comum. Você é diferente das outras pessoas. Sou seu melhor amigo e metade do tempo não te entendo. Você é solitário, passou a vida toda sozinho. Você queria olhar através das pessoas e saber que tem mais alguém como você.




Eu, Álison

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Você deve ser uma pessoa muito feliz

Enquanto gastam uma fortuna no carnaval fazendo fantasias, montando carros alegóricos e colocando mulheres seminuas em cima deles fingindo que sabem dançar, pessoas que não tem condições financeiras de ter um plano de saúde morrem esperando por ajuda médica.

Você deve estar muito bem consigo mesmo e com sua consciência, não é? Você vai ficar assim... Até uma pessoa que você ama morrer por causa de alguma doença. Aí sim...

Mas não se preocupe, o que é uma vida, se você festeja o carnaval todos os anos, certo?





Eu, Álison

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Sou um cientista, sou o Álison

Eu não sou filósofo só porque eu falo sobre o que acontece na vida das pessoas. Também não sou um artista só porque eu faço alguns desenhos (que eu não coloco no blog porque são muito feios). Não sou Psicólogo só porque gosto de ouvir certas pessoas falarem e leio sobre o cérebro.
Não sou geólogo apenas porque coleciono pedras. Não sou astrônomo só porque olho as estrelas e sei o nome de algumas constelações. Não sou químico só porque sei o que é uma cadeia de carbono.
Não sou físico só porque faço experiências em casa. Não sou geógrafo só porque sei o conceito de ilha. Não sou Teólogo só porque sei quem foi Buda.
Não sou anatomista só porque sei que o osso da perna (fêmur) é o maior do corpo. Não sou psiquiatra só porque sei o que é Esquizofrenia. Não sou médico só porque sei que gripe é pior que resfriado.
Não sou zoólogo só porque sei a diferença entre camelo e dromedário. Não sou cosmólogo porque sei o que é a Teoria do Big Bang. Não sou historiador só porque sei o que foi o Renascimento.
Não sou farmacêutico só porque sei o que é um remédio ansiolítico. Não sou matemático só porque sei o que é fractal. Não sou neurocientista apenas porque sei o que é um neurônio. Também não sou um mago só porque sei o que é Alquimia.

Diferentemente do que muitos pensam, eu não sou um escritor (eu não suporto português e uso a licença poética como desculpa para os meus erros de escrita), apenas admiro as pessoas que escrevem e tento, de alguma forma, ser parecido com elas. Sempre tive dificuldade de me expressar falando, o contato humano não é o meu forte, com exceção de algumas pessoas mais íntimas, então acho que escrever é uma maneira de me expressar sem ter que olhar dentro dos olhos de cada um que lê. Isso pode ser ruim... Ou não, não sei, minha cabeça pensa muitas coisas, mas ainda vou descobrir.

Nem tudo o que eu escrevo eu coloco no blog. Textos em que cito nomes, situações fora do comum ou algo mais estranho eu prefiro não mostrar, pelo menos não agora. As pessoas podem não ter uma visão muito boa do que está escrito, então o anonimato é a melhor opção.
O que mais me surpreende, e falo por experiência própria, são as pessoas, no bom e no mau sentido, e muito do que eu escrevo é exatamente sobre elas. O que me frustra, às vezes, é que o que eu sinto (e aí entra a Filosofia) eu não tenho a capacidade de passar pro papel. Acredito que por um lado, a culpa é minha, por falta de habilidade e capacidade (apesar de, modéstia à parte, já terem dito que eu escrevo muito bem). Mas acredito que as pessoas são complicadas demais (e aqui eu me incluo) e isso dificulta que eu escreva exatamente o que sinto.
Ainda posso melhorar muito, vou melhorar, mas acredito que sempre vai ser difícil escrever sobre as pessoas. Quer fazer um teste? Tente você escrever algo sobre alguém que você conhece ou até sobre você mesmo, você vai ver como é complicado.
Acho que escrever é um passatempo, quase uma terapia.

Bem, vou parar de escrever sobre mim senão daqui a pouco eu falo demais. E eu preciso manter alguns segredos... Secretos. 




Eu, Álison