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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ira

Quis intervir pela última vez. No entanto, apenas interpelei o capitão Nemo, e ele respondeu-me, impondo-me silêncio:
- Eu sou o direito, eu sou a justiça! Sou o oprimido e ali está o opressor! Por ação dele, tudo que amei, idolatrei, venerei, pátria, mulher, filhos, meu pai, minha mãe, tudo vi perecer! Tudo quanto odeio está ali! Cale-se!


Trecho de "Vinte Mil Léguas Submarinas", de Julio Verne


Eu, Álison

Raças a vingar

Crê, então, o senhor que essas riquezas estão perdidas porque sou eu que as recolho? Seria, então, para mim, na sua opinião, que  me dou ao trabalho de recolher tais tesouros? Será que supõe que eu ignoro que existem seres sofredores, raças oprimidas, infelizes a consolar e vítimas a vingar? Será que o senhor não entendeu?





Eu, Álison

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sábio incompreendido

"O pobre rapaz continuava a enxergar no capitão Nemo apenas um sábio incompreendido, que retribuía à humanidade o desprezo com a indiferença. Para ele, o capitão era um gênio cansado das incompreensões e decepções, que se refugiara naquele meio inacessível, em que sua capacidade se expandia livremente. Na minha opinião, porém, tal hipótese explicava apenas uma das facetas do capitão Nemo."





Eu, Álison

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A tumba era lentamente cavada

Nunca meu espírito sofreu comoção tão profunda. Nunca ideias mais impressionantes invadiram-me o cérebro! Não desejava ver o que contemplavam meus olhos.






Eu, Álison

Tormentos

Durante todo o dia, sinistros pensamentos agitaram-me. À noite, dormi mal e, pareceu-me ouvir suspiros longínquos e uma espécie de ladainha fúnebre. Seria a oração dos mortos sussurrada naquela língua, que eu não conseguira compreender?




Eu, Álison

O continente desaparecido

Pensaria ele naquelas gerações desaparecidas e indagaria delas o segredo do destino humano?

Que não daria eu para conhecer os seus pensamentos, para participar deles, para compreendê-los!






Eu, Álison

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A última maravilha

É sempre a mais espantosa e, se esta progressão continuar, não sei como isto irá acabar. Sou da opinião que nunca mais teremos ocasião semelhante.
- É evidente que não.




Eu, Álison

O Capitão

"Não havia entre os homens quem lhe pudesse pedir contas de seus atos! Deus, se acreditasse Nele, e a sua consciência, se tivesse, eram os seus únicos juízes.
Estas reflexões atravessaram-me o espírito, enquanto aquele estranho personagem calava-se, absorto e como entregue a tumulto interior.  Eu o contemplava com pavor misto de curiosidade, decerto sentindo emoção análoga à que sofreu Édipo ao fitar a Esfinge."





Eu, Álison

Perdidos e sozinhos

"Nesse momento, a lua reapareceu por entre as franjas da pesada nuvem, que o vento arrastava para o leste. A superfície do mar cintilou sob seus raios. A benéfica luz reanimou nossas forças. Levantei a cabeça e investiguei com a vista todos os pontos do horizonte."





Eu, Álison

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Lê-los é o que ele faz

"Um deles era de pequena estatura, musculatura vigorosa, membros fortes, cabeça grande, cabeleira negra e abundante, bigode espesso, olhar vivo e penetrante, toda a sua pessoa impregnada dessa vivacidade meridional que caracteriza em França os filhos da Provença. Diderot, com justiça, afirmou que o gesto do homem é metafórico, e aquele homenzinho era a prova viva dessa asserção. Sentia-se que em sua linguagem habitual devia prodigalizar as prosopopéias, metonímias e hipólages. Fato que, aliás, nunca tive ocasião de verificar porque, em minha presença, usou sempre idioma singular e absolutamente incompreensível.

O segundo desconhecido merece descrição mais minuciosa. Era fácil de ler em sua fisionomia. Reconheci, sem hesitar, as suas qualidades dominantes: a confiança em si, porque a sua cabeça assentava nobremente sobre o arco formado pela linha dos ombros e seus olhos negros fitavam com impassível segurança. A calma, porque a sua pele, tendendo mais para a palidez do que para o corado, denunciava o equilíbrio sanguíneo. A energia, demonstrada pela facilidade de contração dos músculos superciliares e, enfim, a coragem, porque a sua respiração profunda denotava grande expansão vital.

Acrescentarei que sua altivez era visível, que seu olhar firme e claro parecia refletir pensamentos elevados e que todo esse conjunto, a homogeneidade das expressões, do gesto, do corpo e do semblante, segundo a observação dos fisionomistas, sugeria indiscutivelmente a sua franqueza.

Senti-me, involuntariamente, tranquilo na presença dele e augurei bem de nossa entrevista.

Se tinha trinta e cinco ou cinquenta anos, não me teria sido possível precisar. Sua estatura elevada, sua testa larga, seu nariz reto, sua boca nitidamente desenhada, seus dentes magníficos, suas mãos finas e alongadas eram dignos de servirem a alma altiva e apaixonada. Aquele homem constituía indubitavelmente o mais admirável tipo humano que até então me fora dado encontrar.

Particularidade estranha, os olhos dele, um pouco afastado um do outro, podiam abarcar simultaneamente cerca de um quarto do horizonte. Esta faculdade, como verifiquei mais tarde, era reforçada por capacidade visual superior a de Ned Land. Quando esse desconhecido fitava um objeto, a linha das sobrancelhas franzia-se, suas grandes pálpebras cerravam-se de modo a circunscrever-lhe a pupila dos olhos, restringindo assim a extensão do campo visual. Que olhar aquele! Como aumentava os objetos diminuídos pela distância! Como nos devassava até a alma!"


Trecho de "Vinte Mil Milhas Submarinas" de Julio Verne




Eu, Álison

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Fundo do mar

"Portanto, não encolha os ombros tão levianamente e não negue crédito a uma coisa sob pretexto de que nunca ouviu falar nela."



"O perfume é a alma da flor, e as flores do mar, essas esplêndidas hidrófitas, não têm alma!"



Lembranças ao meu amigo Lucas, autor de À Menina dos Olhos





Eu, Álison

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Quis resistir ao sono

Foi-me impossível. A minha respiração tornou-se lenta. Um frio mortal gelou-me os membros, que se tornaram pesados e aparentemente paralisados. As pálpebras, verdadeiras calotas de chumbo, caíram sobre os olhos. Não pude erguê-las. Um sono mórbido, cheio de pesadelos, apoderou-se de meu ser. Depois, as visões desapareceram, deixando-me completamente aniquilado.





Eu, Álison

Um mundo de selvagens

- Selvagens? - retrucou o capitão, em tom irônico. E o senhor admira-se que, tendo posto o pé sobre a terra firme, ali tenha encontrado selvagens? Em que lugar do mundo não há selvagens?
[...]
- Pelo menos eu sempre encontrei selvagens em toda parte.




Eu, Álison

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A vida no mar

Pouco a pouco, a névoa dissipou-se sob a ação dos raios solares. O astro radioso despontava no oriente. O mar, como rastilho de pólvora, incendiou-se sob seu olhar. As nuvens, esparsas pelo céu, coloriram-se de tons vivos, admiravelmente matizados, e inúmeras nuvenzinhas, alvas e recortadas, anunciaram-me vento o dia inteiro.




Eu, Álison