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sábado, 12 de abril de 2014

Mas quem seria?



Sentei-me junto à janela com o livro na mão, mas os meus pensamentos estavam longe das ousadas especulações do escritor. Revia mentalmente a nossa visitante... Os seus sorrisos, o timbre sonoro da sua voz, o estranho mistério que pairava sobre sua vida.






Eu, Álison

sábado, 6 de julho de 2013

Eu sou um livro

Mas um livro trancado, do qual você não tem a chave, escondido em um lugar que você não sabe onde é, que está escrito em um idioma que você não conhece e que tem em sua capa apenas um fundo branco com um ponto de interrogação pintado de vermelho.







Eu, Álison

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Morte devagar

Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja quem não lê quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.




Eu, Álison

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Floco de neve

Quase morrendo, a formiguinha rezou baixinho:
- Meu Deus, tu que és tão forte,
que governas a morte,
que mata o homem,
que bate no cão,
que persegue o gato,
que come o rato,
que rói o muro,
que tapa o Sol,
que derrete a neve,
desprende meu pezinho...
E Deus, então,
que ouve todas as preces, sorriu.
Estendeu a mão por cima das montanhas
e ordenou que viesse a primavera!
No mesmo instante
no seu carro vermelho de veludo e ouro,
a primavera desceu sobre a Terra,
enchendo de flores os campos,
enchendo de luz os caminhos!
E, vendo a formiguinha quase morta, gelada pelo frio,
tomou-a carinhosamente entre as mãos
e levou-a para seu reino encantado,
onde não há inverno, onde o Sol brilha sempre
e onde os campos estão sempre cobertos de flores!




Eu, Álison

terça-feira, 9 de outubro de 2012

É a distância

Olhe Álison, a pessoa mais importante que você já conheceu está saindo pela sua porta e você está aí, preso à sua vida. Mas ela precisa ir. Ela precisa fazer o que tem que ser feito, apesar dos pesares. Aliás, profundos pesares...


Mas quando me ver novamente
Vou estar diferente
Vou ter uma tatuagem
Vou ter um livro novo
Vou ter um par de asas
Vou ter um cabelo bagunçado
Mas se não me ver novamente
Ainda sim serei diferente
Vou ter um copo vazio
Vou ter uma fresta de luz
Vou ter um caderno fechado
Vou ter um mapa da vida
E outro de como te achar
Porque quero mostrar a você
Que posso ser diferente
Que posso ser como você 
Antes de ir embora
E antes de ir em frente




Eu, Álison

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Minhas férias renderam

Tive um período de férias muito agradável. No primeiro fim de semana fui ao aniversário de uma pessoa muito (muito) importante. Por coincidência (ou não), no último fim de semana das férias fui a outro aniversário, também de uma pessoa muito próxima a mim.
Atingi, um dia depois de ir ao primeiro aniversário, um novo nível com relação a minha capacidade de escrever. Considero o que consegui fazer uma evolução pessoal imensa, além da satisfação, da alegria, dos elogios e tudo mais que vieram acompanhados.
Também pude dedicar um pouco do meu tempo ao livro que estou escrevendo. Reli o que já havia escrito e elaborei mais um pouco da história. Acho que está ficando interessante.
Tirei um dia para organizar e contar minhas pedras. Estou com 674, contando as que eu achei, que eu ganhei e as que eu comprei.
Os maus momentos (e houve sim maus momentos, porque minha vida não é um conto de fadas) já foram apagados por boas lembranças. Sem contar o que normalmente acontece de bom no meu dia, acredito que foi um período especialmente agradável. Espero que para as outras pessoas tenha sido tão bom quanto foi para mim.




Eu, Álison

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Teste de iniciação

Você precisa ler um livro. Simples?

Mas você terá que ler um livro que não tem nada escrito, você estará vendado, estará em uma sala escura, com o livro virado para frente e estará olhando para cima.
Dê um jeito.


Vocês não tem noção do quanto eu e o Bruno rimos por causa disso. Sem contar os outros testes que a gente criou. Humor não tem preço.
Chorei de rir.
 




Eu, Álison

terça-feira, 12 de junho de 2012

O Corpo Fala

Romântico e impressionável, é o grande sentimental. Ama platonicamente.
É a ternura mútua, que dispensa ou antecede, acompanha e permanece após a satisfação dos instintos; é o que há de nobre, carinhoso e belo no amor. É capaz de castidade - rejeitando o insistente boi - ou de afrontar a pressão social de um amor condenado pelos mexericos dos vizinhos - agora protegendo o desprezado boi.

Se insistirmos naquele verbo: ama sim, mas ideias abstratas, ideais, projetos; nunca a doce prisão de um quente e cheiroso abraço.

Mas procurando o amor, o leão pisou num espinho, nas distantes e esquecidas paisagens da sua infância. Este espinho continua encravado.





Eu, Álison

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A sorte me persegue

"Ampara-me tu, ó único refúgio do meu aflito coração! Já que o feiticeiro cruel que me castiga te transformou em uma humilde lavadeira, para que eu não possa contemplar tua excelsa formosura e talvez me tenha transformado também em um ser abominável a teus olhos lindos, peço-te que lances sobre mim a excelsitude de teu olhar e permitas que estes joelhos, dobrados diante de ti, proclamem a tua grandeza e a humildade de quem te adora!"





Eu, Álison

quinta-feira, 15 de março de 2012

Dedicatória




Além de ganhar um livro fantástico, eu ganho isso:

"Ao grande Álison que em muito me proporcionou vastas discussões sobre assuntos que ninguém ousa falar e que sabe me fazer rir com meias palavras.
A um grande amigo de longa data que espero que continue assim.
Leia este livro com redobrada atenção e mente aberta.

Um grande abraço para um gigante."

Lucas N.
14/3/2012


Só digo uma coisa: Se eu sou gigante, quem me deu o livro é quase Thor.




Eu, Álison

sábado, 3 de março de 2012

A minha solução

A solução, às vezes, é ficar sozinho mesmo.
Você não pode confiar na maioria das pessoas, a presença delas te prejudica, te faz mal, então você precisa achar algo para fazer sozinho. Mas algo construtivo, não dormir o dia todo. Vá ler, dê uma volta na rua, pense no seu dia ou em algo que você quer fazer.
Você não pode esperar que as pessoas estejam sempre do seu lado, que elas sempre te ajudem, que nem nos filmes. Você tem que perceber que elas não são assim, elas mentem, elas traem, e a solução que eu encontro para fugir disso é ficar sozinho. Pode parecer ruim, e às vezes é, mas prefiro me sentir mal sozinho do que quando estou rodeado de pessoas. Você também pode parar e pensar em coisas que normalmente não pensa.
Fico inventando histórias na minha cabeça. Fico viajando, como se diz. E ficar sozinho é um remédio que você precisa tomar para se livrar do mal que elas te passam.
Eu sinceramente sou minha melhor companhia, com exceção de poucas pessoas. Eu não quero sair por aí e virar amigo de todo mundo. Estou muito bem como estou.
Se você prestar atenção, ficar sozinho é melhor do que a presença da maioria das pessoas. Elas não merecem sua companhia, ou então você não precisa aturar a delas.





Eu, Álison

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ira

Quis intervir pela última vez. No entanto, apenas interpelei o capitão Nemo, e ele respondeu-me, impondo-me silêncio:
- Eu sou o direito, eu sou a justiça! Sou o oprimido e ali está o opressor! Por ação dele, tudo que amei, idolatrei, venerei, pátria, mulher, filhos, meu pai, minha mãe, tudo vi perecer! Tudo quanto odeio está ali! Cale-se!


Trecho de "Vinte Mil Léguas Submarinas", de Julio Verne


Eu, Álison

Raças a vingar

Crê, então, o senhor que essas riquezas estão perdidas porque sou eu que as recolho? Seria, então, para mim, na sua opinião, que  me dou ao trabalho de recolher tais tesouros? Será que supõe que eu ignoro que existem seres sofredores, raças oprimidas, infelizes a consolar e vítimas a vingar? Será que o senhor não entendeu?





Eu, Álison

Algo a mais

"Devia haver alguma coisa em mim, não sei o quê, que me fazia sobressair dentre os demais estudantes, para que esses alunos tão brilhantes, todos mais velhos que eu, e também outras pessoas já de certa posição social me honrassem com sua companhia." - Charles Robert Darwin





Eu, Álison

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Sábio incompreendido

"O pobre rapaz continuava a enxergar no capitão Nemo apenas um sábio incompreendido, que retribuía à humanidade o desprezo com a indiferença. Para ele, o capitão era um gênio cansado das incompreensões e decepções, que se refugiara naquele meio inacessível, em que sua capacidade se expandia livremente. Na minha opinião, porém, tal hipótese explicava apenas uma das facetas do capitão Nemo."





Eu, Álison

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A tumba era lentamente cavada

Nunca meu espírito sofreu comoção tão profunda. Nunca ideias mais impressionantes invadiram-me o cérebro! Não desejava ver o que contemplavam meus olhos.






Eu, Álison

O continente desaparecido

Pensaria ele naquelas gerações desaparecidas e indagaria delas o segredo do destino humano?

Que não daria eu para conhecer os seus pensamentos, para participar deles, para compreendê-los!






Eu, Álison

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A última maravilha

É sempre a mais espantosa e, se esta progressão continuar, não sei como isto irá acabar. Sou da opinião que nunca mais teremos ocasião semelhante.
- É evidente que não.




Eu, Álison

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Lê-los é o que ele faz

"Um deles era de pequena estatura, musculatura vigorosa, membros fortes, cabeça grande, cabeleira negra e abundante, bigode espesso, olhar vivo e penetrante, toda a sua pessoa impregnada dessa vivacidade meridional que caracteriza em França os filhos da Provença. Diderot, com justiça, afirmou que o gesto do homem é metafórico, e aquele homenzinho era a prova viva dessa asserção. Sentia-se que em sua linguagem habitual devia prodigalizar as prosopopéias, metonímias e hipólages. Fato que, aliás, nunca tive ocasião de verificar porque, em minha presença, usou sempre idioma singular e absolutamente incompreensível.

O segundo desconhecido merece descrição mais minuciosa. Era fácil de ler em sua fisionomia. Reconheci, sem hesitar, as suas qualidades dominantes: a confiança em si, porque a sua cabeça assentava nobremente sobre o arco formado pela linha dos ombros e seus olhos negros fitavam com impassível segurança. A calma, porque a sua pele, tendendo mais para a palidez do que para o corado, denunciava o equilíbrio sanguíneo. A energia, demonstrada pela facilidade de contração dos músculos superciliares e, enfim, a coragem, porque a sua respiração profunda denotava grande expansão vital.

Acrescentarei que sua altivez era visível, que seu olhar firme e claro parecia refletir pensamentos elevados e que todo esse conjunto, a homogeneidade das expressões, do gesto, do corpo e do semblante, segundo a observação dos fisionomistas, sugeria indiscutivelmente a sua franqueza.

Senti-me, involuntariamente, tranquilo na presença dele e augurei bem de nossa entrevista.

Se tinha trinta e cinco ou cinquenta anos, não me teria sido possível precisar. Sua estatura elevada, sua testa larga, seu nariz reto, sua boca nitidamente desenhada, seus dentes magníficos, suas mãos finas e alongadas eram dignos de servirem a alma altiva e apaixonada. Aquele homem constituía indubitavelmente o mais admirável tipo humano que até então me fora dado encontrar.

Particularidade estranha, os olhos dele, um pouco afastado um do outro, podiam abarcar simultaneamente cerca de um quarto do horizonte. Esta faculdade, como verifiquei mais tarde, era reforçada por capacidade visual superior a de Ned Land. Quando esse desconhecido fitava um objeto, a linha das sobrancelhas franzia-se, suas grandes pálpebras cerravam-se de modo a circunscrever-lhe a pupila dos olhos, restringindo assim a extensão do campo visual. Que olhar aquele! Como aumentava os objetos diminuídos pela distância! Como nos devassava até a alma!"


Trecho de "Vinte Mil Milhas Submarinas" de Julio Verne




Eu, Álison