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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A Morte devagar

Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja quem não lê quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.




Eu, Álison

domingo, 1 de abril de 2012

Senso incomum

De acordo com o senso comum, todas as pessoas que têm tatuagens são traficantes, vagabundos, idiotas e retardados.
De acordo com o senso comum, as pessoas que já tem uma idade avançada precisam ser tratadas com respeito.
Agora, se existir uma pessoa que tenha tatuagem e seja velha, o que você vai fazer? Você vai escorraçá-la e chamá-la de inútil e sem serventia porque ela é toda tatuada, mas dessa forma vai estar desrespeitando-a.

Criei uma situação em que uma afirmação contrapõe a outra. Isso porque o senso comum nem sempre está certo. Mostrei mais uma vez como as pessoas se contradizem simplesmente pelo fato de que a pessoa ser tatuada não influi de maneira alguma no seu caráter nem o torna pior do que você que está lendo. Digo por experiência própria: Uma das pessoas mais incríveis que eu já conheci (Observar e absorver: É isso que ela faz) é tatuada. O PC Siqueira, que é umas das raríssimas pessoas que vale a pena admirar hoje em dia, também é tatuado.
Então da próxima vez, preocupe-se em conhecer a pessoa antes de chamá-la de algo que você vai se arrepender depois.





Eu, Álison

domingo, 29 de janeiro de 2012

* As pessoas se contradizem

Pessoas falam muito, mas dizem pouco. E, além disso, as pessoas, às vezes, conseguem contradizer a si próprias, para você ver como elas não prestam atenção no que falam. Eis um exemplo:
Eu estava na escola com alguns colegas e tinha uma menina conversando com uma colega minha. Já que eu não estava falando com ninguém, estava prestando atenção na conversa que as duas tinham. Pois a pessoa que estava conversando com a minha colega estava falando mal de "Fulano de Tal" (para não citar nomes) e disse isso: "Pois ela se "acha" melhor do que os outros. Eu não suporto gente que se "acha". Ela que fique sabendo que eu sou muito melhor do que ela". Agora vamos à explicação:
No começo, ela disse que não gostava de pessoas que se "acham", no sentido de não gostar de pessoas orgulhosas. Certo. Mas depois ela disse que é muito melhor que "Fulano de Tal". Ora, pois dizendo isso, ela está agindo como uma pessoa orgulhosa, tipo que ela acabou de dizer que não suporta. Então concluo que ela não suporta a si mesmo?
Isso que dá as pessoas não pensarem no que dizem, acabam se contradizendo. Imagina se alguém inventa de falar isso pra ela, o que que ela ia dizer???






Eu, Álison