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sábado, 26 de julho de 2014

Só a arte me amparou!

Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas ações; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos.
Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou! — Ludwig van Beethoven, Testamento de Heilingenstadt, 6 de Outubro de 1802.







Eu, Álison

domingo, 20 de abril de 2014

Uma grande paz

Ficamos, pois, de mãos dadas, como duas crianças, e apesar de todas as coisas tenebrosas que nos cercavam, sentíamos uma grande paz no coração.







 Eu, Álison

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Everywhere

Smooth and smiling faces everywhere, but ruin in their eyes.







Eu, Álison

Ou uma luz



 Mas eu acho que nossa infância é mais decisiva do que geralmente as pessoas estão dispostas a admitir. E o que acontece conosco depois pode lançar uma sombra ou uma luz sobre o que foi criado (ou arruinado) em nós.





Eu, Álison

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Aquilo sim

Se lembra daquele amor de infância que você tinha? Daquela última folha no caderno que servia somente para escrever seu nome junto ao dela dentro de um coração. De sentar atrás dela, e ficar mexendo no cabelo até ela reclamar. De quando chegava e a primeira coisa a fazer era procurá-la em meio aquele monte de crianças. Aquilo sim era amor.







Eu, Álison

domingo, 29 de dezembro de 2013

Tão jovem

"Já vi crianças que mataram inúmeras vezes, à sangue frio, membros da família, vizinhos... Crianças as mataram, e podem fazê-lo de novo. Faz meu sangue gelar só de pensar. Nove anos de idade! Ninguém pensa que alguém é capaz de matar à sangue frio com nove anos, mas é sim".







Eu, Álison

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Pra você guardei

Pra você guardei o amor que nunca soube dar. O amor que tive e vi sem me deixar sentir sem conseguir provar. Sem entregar e repartir.
Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar. O amor que vive em mim vem visitar. Sorrir, vem colorir solar. Vem esquentar e permitir.
Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz no giz do gesto o jeito pronto do piscar dos cílios. Que o convite do silêncio exibe em cada olhar.

Guardei... Sem ter porquê. Nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei... Vendo em você e explicação nenhuma isso requer. Se o coração bater forte e arder no fogo o gelo vai queimar.

Pra você guardei o amor que aprendi vendo os meus pais. O amor que tive e recebi e hoje posso dar livre e feliz. Céu cheiro e ar na cor que arco-íris. Risca ao levitar.
Vou nascer de novo. Lápis, edifício, tevere, ponte. Desenhar no seu quadril meus lábios beijam signos feito sinos. Trilho a infância, terço o berço do seu lar.

Guardei... Sem ter porquê. Nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei... Vendo em você e explicação nenhuma isso requer. Se o coração bater forte e arder no fogo o gelo vai queimar

Pra você guardei o amor que nunca soube dar. O amor que tive e vi sem me deixar sentir sem conseguir provar. Sem entregar e repartir.
Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz no giz do gesto o jeito pronto do piscar dos cílios. Que o convite do silêncio exibe em cada olhar.

Guardei... Sem ter porquê. Nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar
Achei... Vendo em você e explicação nenhuma isso requer. Se o coração bater forte e arder no fogo o gelo vai queimar.






Eu, Álison

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

sábado, 28 de setembro de 2013

sábado, 24 de agosto de 2013

É só um conto de fadas...

Encontrei um pequeno texto que fala um pouco sobre a origem dos contos de fadas. Achei interessante porque ele mostra como uma história pode se modificar com o passar dos anos, tornando-se algo totalmente diferente do original.

Eles vieram das tradições orais de culturas diversas, do folclore mesmo, sem nome definido. E, como muitos sabem, não essas histórias não tinham nada de fadas. São contos recheados de vingança, assassinatos, torturas, sexo, mutilações, e por aí vai. Eles carregam a moral, ritos, anseios e orientações gerais da cultura que os gera. São histórias como as da mitologia grega, celta, hindu e até mesmo a brasileira. Essas histórias da mitologia européia eram contadas de pai para filho e traziam consigo preocupações da vida cotidiana (e nada nobre) como morte, fome, abandono e abusos sexuais onde os personagens principais, em geral, eram crianças ou jovens, servindo de alerta (drástico) para que os pequenos camponeses tomassem cuidado. Esses contos começaram a ser formalmente registrados em prosa na Idade Média, quando a sociedade começou criar uma distinção social entre crianças e adultos.

O autor pioneiro na área foi o francês Charles Perrault, que deu uma amaciada nas histórias para agradar as mães da corte francesa. No século seguinte, os famosos irmãos alemães Jacob e Wilhelm Grimm e o dinamarquês Hans Christian Andersen deram seguimento nessa linha literária inclusive absorvendo características de folclores de outras culturas, criando as "morais de história" e também amenizando os enredos. Afinal, já era considerado meio drástico dizer que João e Maria foram abandonados pelos pais por falta de condições para criá-los, passaram fome e tiveram os olhos devorados pelos animais da floresta. Que a Bela Adormecida foi, na verdade, estuprada pelo príncipe e até gerou seu filho enquanto estava inerte na cama. Que a história da doce Chapeuzinho Vermelho fala de canibalismo, onde a neta come a carne da própria avó e acaba sendo abusada e devorada pelo lobo, sem caçador para salvar. Que a Branca de Neve foi feita de empregada pelos anões e, no final, se vinga da madrasta obrigando-a vestir sapatos de ferro quente e dançar até a morte. Que a Pequena Sereia tem a cauda rasgada ao meio pela bruxa do mar e morre no final.

Os contos atuais, cheios de esperança e amor, foram fruto de uma preocupação com o impacto psicológico que as crianças podem sofrer a partir de influências. Preocupação esta que continua até hoje, discutindo cada vez mais o conteúdo da indústria infantil e do politicamente correto. Foi ela que transformou aquelas histórias macabras nos famosos contos de fada e acabou por nos poupar de muitas histórias dignas de pesadelos.






Eu, Álison

sábado, 27 de julho de 2013

Sem luz nem tenda



E minha alma, sem luz nem tenda,
passa errante, na noite má,
à procura de quem me entenda
e de quem me consolará…

Cecília Meireles





Eu, Álison

domingo, 30 de junho de 2013

Cruzem os braços

Fechem os olhos e baixem a cabeça.

Houve um tempo em que eu não precisava me preocupar se os políticos estavam roubando. Não precisava me preocupar em estudar freneticamente para passar em uma prova. Não precisava me preocupar se os outros estavam cuidando da minha aparência. Não precisava me preocupar se tinha dinheiro. Não precisava me preocupar se estava apto para o mercado de trabalho. Não tinha compromissos, não tinha dívidas, não tinha dúvidas, não tinha horários a cumprir, regrar a obedecer. Vivia minha vida plenamente sendo quem eu era e sem precisar ficar provando a cada minuto se eu era capaz, se eu era honesto, se eu era educado. Era tudo tão fácil. Tão simples. Sabe por quê? Porque eu era criança.


Quinta-feira passada, depois de passados 14 anos, eu entrei de novo na sala em que estudei no tempo da pré escola. As coisas pareciam tão diferentes daquela época, mas ao mesmo tempo parecia que eu tinha saído de lá ontem e que estava tudo como eu deixei. Não há como explicar.
Acho que não vou recuperar a tranquilidade daquela época. Claro, as pessoas precisam crescer e se tornarem indivíduos completos, mas tenho que admitir... Nada se iguala a paz em que eu vivia naquele tempo. Não uma simples paz. Era uma paz existencial. Inigualável. Inefável. Uma santa paz, algo que não vou experimentar de novo, mas que fico feliz por um dia ter sentido.






Eu, Álison

domingo, 23 de junho de 2013

Se espantam

As crianças se espantam por as coisas serem como são. Nós, adultos, nos espantamos se elas não fossem desse jeito.








Eu, Álison

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Karl Steinmetz

O menino dobrou lentamente o seu traje de cerimônia e dobrou-o. As lágrimas lhe escaldavam as faces. Compreendia a razão da sua dispensa. O corpo deformado do aluno. As mentes deformadas dos mestres. Tinham vergonha de exibi-lo em público. Dando-lhe uma posição de proeminência entre os alunos, não tinham feito mais que acentuar-lhe dolorosamente o senso de solidão. Karl Steinmetz nunca mais tornou a usar traje de rigor.
Pouco depois de entrar na Universidade de Breslau, deu provas de um intelecto prodigioso. Os professores se espantavam dos seus “inconcebíveis malabarismos” com os números. Apelidaram-no Proteu. O corcunda marinho da antiga mitologia. De acordo com a lenda grega, Proteu não era maior que a mão humana. Quando capturado, assumia as mais diferentes formas. Mas se o captor o segurasse bem, Proteu retornava gradualmente à sua forma verdadeira e sussurrava ao ouvido os segredos do mundo.
Tinham certo medo à sua “inteligência sobrenatural”.
Antes de três anos, Karl Steinmetz tinha subido ao trono do reino da luz.
Por que não adotar Proteus como segundo nome?
E então, convencido de que aquilo não era um sonho, tomou da varinha de condão e realizou outro milagre. Sonhe o dia inteiro se tiver vontade.
Quando as luzes começaram a fluir dos dínamos sussurrantes e um milhar de sóis dançaram no ar da meia noite, Steinmetz compreendeu que alcançara a sua meta. Era esse o santuário milagroso que ele procurava desde a infância.
Supunha ser sua personalidade pitoresca o que fascinava as pessoas e não o respeito por suas ideias e sentimentos. E seriam capazes de perceber o quanto se sentia só nesse ambiente luxuoso? E era por isso que tinha edificado uma mansão – um eremitério que lhe satisfizesse as necessidades de experimentador, um espaçoso templo de luz. Um rei sem família, sem amigos. Os jornalistas se entusiasmavam com o esplendor da casa, sem se preocuparem com a solidão do proprietário. Mas ele procurou vencer a solidão.
Mas Steinmetz continuava só – fugindo à companhia do próximo de quem tanto diferia fisicamente.
“Trazei luz às vidas das pessoas – uma luz que não destrói, e apenas cura”.
Mas as sombras ameaçavam tanto a beleza como a fealdade. Steinmetz ia ficando velho e cansado.
Alguns minutos depois o filho adotivo entrou no quarto com a bandeja. Aproximou-se da cama. O homenzinho estava profundamente adormecido.





Eu, Álison

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sempre a perguntar

Todas as pessoas comentam que crianças pequenas estão sempre perguntando sobre as coisas. Se prosseguissem dessa forma por toda a vida dariam ótimos filósofos. Mas essa característica de perguntar é totalmente tolhida quando ela entra na escola e é obrigada a somente responder. Não há espaço para que ela encontre respostas para seus próprios questionamentos. Ela é obrigada a deixar a condição de curiosa e torna-se um robô mecanicamente treinado para responder perguntas que ela nem queria saber.







Eu, Álison

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Leonardo e Freud VI - O Final

Foi assim que se tornou o primeiro cientista natural moderno e uma abundância de descobertas e de ideias sugestivas recompensaram sua coragem de ter sido o primeiro homem, desde o tempo dos gregos, a indagar os segredos da natureza baseando-se unicamente na observação e em seu próprio julgamento.
“Os homens falarão com homens que nada percebem, que têm olhos abertos, mas que nada veem; falarão com eles e não terão resposta; implorarão as graças daqueles que têm orelhas, mas nada ouvem; acenderão luzes para quem é cego.”
Isto é lastimável, pois assim sacrificam a verdade em beneficio de uma ilusão, e por causa de suas fantasias infantis abandonam a oportunidade de penetrar nos mais fascinantes segredos da natureza humana.
O próprio Leonardo, com seu amor à verdade e sua sede de conhecimento, não desencorajaria qualquer tentativa de descobrir o que determinava seu desenvolvimento mental e intelectual, tomando como ponto de partida as peculiaridades triviais e os enigmas de sua natureza.
Não podemos conhecer direito as circunstâncias de sua hereditariedade; verificamos, por outro lado, que as circunstâncias acidentais de sua infância tiveram sobre ele um efeito profundo e perturbador. O instinto de ver e o de saber foram os mais fortemente excitados pelas impressões mais remotas de sua infância.
Leonardo surge da obscuridade de sua infância como artista, pintor e escultor devido a um talento especifico que foi reforçado, provavelmente, nos primeiros anos de sua infância pelo precoce despertar do seu instinto escoptofílico.
Antes disso, seu intelecto se elevara até o mais alto grau da realização formulando uma concepção do mundo que de muito ultrapassou sua época.
Parece, em todo caso, que somente um homem que tivesse passado pelas experiências infantis de Leonardo poderia ter pintado a Mona Lisa, ter acarretado um destino tão melancólico para suas obras e ter embarcado numa carreira tão extraordinária de cientista.





Eu, Álison

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Misterioso e incompreensível

"Na verdade, o grande Leonardo continuou a ser como que uma criança durante toda a sua vida, e em mais de um sentido; diz-se que todos os grandes homens devem conservar alguma parte infantil. Mesmo adulto continuou a brincar, e foi essa a razão por que se mostrou frequentemente misterioso e incompreensível aos olhos dos seus contemporâneos."

- Sigmund Freud


"Em conjunto, o seu gênio era tão prodigiosamente inspirado pela graça de Deus, os seus poderes de expressão eram tão fortemente alimentados por uma memória e por uma inteligência sempre prontas, e os seus escritos transmitiam as suas ideias com tanta precisão, que os seus argumentos e os seus raciocínios confundiam os críticos mais formidáveis."

- Giorgio Vasari




Eu, Álison