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sábado, 12 de abril de 2014

Para que tudo isso?

Mas, na medida em que o crente duvide, isto é, se sinta menos solidário com o credo religioso de que é membro e dele se emancipe, na medida em que a família e a comunidade se tornem estranhos ao indivíduo, ele se torna para si mesmo um mistério, e então não pode se esquivar à incômoda e angustiante questão: para que tudo isso?


Em outras palavras, se, como já se disse inúmeras vezes, o homem é dúplice, é que ao homem físico se acrescenta o homem social. Ora, este último pressupõe necessariamente uma sociedade que ele exprime e a que serve. Mas se, pelo contrário, ela vem a se desagregar, e não mais a sintamos viva e atuante em torno e acima de nós, o que há de social em nós ficará destituído de todo fundamento objetivo. Já não passará de uma combinação artificial de imagens ilusórias, uma fantasmagoria que um pouco de reflexão bastará para desvanecer; nada, por conseguinte, que possa servir de finalidade aos nosso atos. E contudo esse homem social é a essência do homem civilizado: é ele que determina o valor da existência. 





Eu, Álison

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

O maior que existe

- Eu acho que o Cristianismo, no Brasil, pelo menos [...] é o maior disseminador de preconceitos que existe. Simplesmente isso. Eu acho que a sociedade é atrasada por causa do Cristianismo.
- Você se consideraria um anticristo? 
- Absolutamente.
- Em que termos?
- ...Todos.


- P. C. Siqueira







Eu, Álison

sábado, 10 de agosto de 2013

Jesus voltou!

Esse poderia ser meu último post, porque eu sei que ninguém mais vai ler meu blog depois dessa publicação, mas não desisto e ainda acredito que alguém, nem que seja apenas uma pessoa, vá entender o que está escrito.
Fonte: http://www.alinevalek.com.br/blog/2013/07/se-jesus-existisse-hoje/


Venho ao povo de Deus trazer uma boa notícia (embora ela venha acompanhada de uma não tão boa assim, para alguns). A boa notícia é que o evento por vós tão aguardado aconteceu: Jesus voltou. A má notícia é que ninguém avisou que ele precisava agradar a sociedade patriarcal cristã. Jesus voltou e só anda com gente esquisita. Seu lugar é ao lado dos marginalizados, dos não aceitos, dos diferentes. Foi visto enrolado numa bandeira de arco-íris na Parada Gay e cercado de amigas com os seios de fora na Marcha das Vadias. Ele, ao contrário dos fariseus do nosso tempo, não carrega preconceitos mesquinhos, nojo de gente, ódio de pessoas por elas serem o que são. Vejam só, que surpresa.

Jesus voltou e não é cristão (aliás, coisa que nunca foi). Ele não frequentou nenhuma igreja ainda, não apareceu nos grandes templos, não pagou o dízimo, não está do lado de quem explora a fé dos outros. Aparentemente, ele se recusa a seguir uma religião tão empenhada em condenar pessoas, em impor proibições e pensamentos, em interferir na lei. Inclusive, Jesus foi fotografado em uma manifestação pelo Estado laico, segurando um cartaz que dizia: “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”

Jesus voltou e não é filho da virgem, é filho da puta. É por isso que ele sabe a barra que essas mulheres enfrentam, o perigo que correm, a humilhação a que são submetidas, a cidadania que lhes é negada. Jesus é amigo das prostitutas, das travestis, das que são empurradas para o submundo ou das que escolhem esse caminho para juntarem uma grana legal e batalharem por uma vida melhor, como qualquer outra pessoa, afinal de contas.

Jesus voltou e talvez seu retorno não tenha sido alardeado, celebrado e divulgado na TV e nos sites de fofoca porque ele nasceu invisível. Jesus voltou negro e, como tantos e tantas outras que não nasceram da cor “certa”, ele foi invisibilizado por uma cultura que celebra apenas a branquitude e que esperava por um Jesus loiro dos olhos claros, como nas imagens espalhadas nas igrejas. Além disso, nenhuma estrela-guia marcou o nascimento de Jesus, porque aparentemente estrelas-guia não chegam na favela onde ele nasceu – lá, onde só chega o descaso do Estado e o preconceito das elites. Sabe-se apenas que sem dúvidas ele é Jesus porque só um milagre explica como uma pessoa negra que cresceu na favela ainda não tenha sido “desaparecida” pela PM em uma de suas truculentas operações no morro.

Jesus voltou e não quer saber dos poderosos. Seu rolê é com a galera das quebradas, com os que moram nas ruas, com os grafiteiros, com os skatistas, com as crianças que vendem balinha no sinal. Quando não é confundido com mendigo, é tomado por bandido. Meliante. Perigoso.

Jesus voltou para barbarizar. Ajudou a quebrar vitrines, a tacar pedras na Tropa de Choque e levou muita bomba na cara. Voltou para virar o mundo de cabeça pra baixo – e não dá para fazer isso sem escandalizar a tia Gertrudes que reza o terço no terceiro andar ou o coxinha engomadinho que apresenta o telejornal.

Jesus voltou e é feminista. Porque não dá para ser revolucionário de verdade sem antes lutar para destroçar o patriarcado e picotar os papéis de gênero em centenas de pedacinhos, como na multiplicação dos pães. Jesus voltou e é queer, é “amigx” dos e das transsexuais, dos inadequados, dos indefinidos. Daqueles e daquelas que se recusam a ser definidos, rotulados, padronizados e limitados por essa sociedade doente.

Jesus voltou não para curar os cegos, os leprosos ou ressuscitar os mortos. Jesus voltou para mandar à merda aqueles que dizem amar, mas discriminam. Aqueles que dizem respeitar, mas desumanizam. Aqueles que dizem que somos todos irmãos, enquanto há tanta desigualdade social, racial, de gênero. Aqueles que prometem o “reino dos céus”, mas são incapazes de refletir sobre seus privilégios aqui na Terra. Aqueles que acreditam que existe um diabo, mas não vêm que o demônio é o racismo, o machismo, a transfobia e a homofobia que eles próprios alimentam. Jesus voltou pra dizer que essa galera tá errando feio. Errando rude.

Jesus voltou e é minoria vândala. Talvez por isso, de novo, não tarde a ser crucificado bem jovem.







Eu, Álison

sábado, 1 de junho de 2013

Eu vou acabar com o sistema

Vou fazer todo esse sistema corrupto cair sobre a sua cabeça.

Essa droga paralisa você, mas deixa todas as outras funções neurológicas intactas. Em outras palavras, você não pode se mexer, mas continua sentindo tudo. Ela não faz absolutamente nada para aplacar a dor... E você vai sentir muito mais dor do que jamais poderia imaginar sentir.

- Não basta, eu quero mais detalhes.
- Arranquei os dedos das mãos com um corta cavilha, os dos pés com uma tesoura de chapa, os testículos com uma serra para metal e o pênis com um estilete. Esses detalhes estão bons para você?

- A justiça tem que ser dura Nick, ainda mais para aqueles que a negam para outros. E um princípio importante que eu gostaria que começasse a aprender é manter a palavra.
- É mesmo? E que princípio usou para torturar e matar aquelas pessoas?
- O de que todo mundo deve prestar conta dos seus atos.
- Acha que sua mulher e sua filha se sentiriam bem por matar em nome delas?
- Minha mulher e minha filha não podem sentir nada... Estão mortas.

- Então Clyde perdeu a cabeça? Alguém deve tê-lo irritado muito.
- Diga com quem estamos lidando. Shelton era espião?
- Espiões existem aos montes. Eu sou espião. Clyde era um gênio. Sua especialidade era operações cinéticas de baixo impacto.
- Um jeito elaborado de dizer que ele mata pessoas.
- Nós matamos pessoas. Ele descobria como fazer isso sem sair de onde estava. Era o dom dele e ele era o melhor. O que estou dizendo é que ele consegue ver e ouvir tudo o que vocês estão fazendo.
- Não, ele está em um presídio de segurança máxima.
- Se ele está na cadeia é porque quer estar. Ele é um estrategista nato. Tudo que ele faz tem um objetivo.
- Então o que quer dizer? Que nós não podemos detê-lo?
- Entrem na cela e deem um tiro na cabeça dele. Fora isso... Não, não podem detê-lo. Se Clyde quer você morto, você morre.

- Pela minha experiência, lições que não são aprendidas com sangue logo são esquecidas.
- E é a vingança que te alimenta.
- Vingança? É isso que você está achando que é? Vingança?
- E o que mais pode ser?
Não Nick, eu tive 10 anos para me vingar, se fosse isso que eu quisesse. Acha que eu não vejo você ir trabalhar todo dia as 8 da manhã? Ou que eu não vejo a Kelly levar a Denise para a escola às 8 e 15 da manhã? Eu podia ter matado você ou a sua família no momento que eu quisesse Nick! [...] Ainda tenho fé em você, por isso vou te dar uma última chance. O acordo é o seguinte: Você me solta e tira cada acusação até às 6 da manhã. Seis da manhã.
- Ou o quê?
- Ou eu mato todo mundo.








Eu, Álison

sábado, 11 de maio de 2013

Ninguém quer assistir Arte

As pessoas querem assistir babaquice, bunda, gente se fudendo. Porque, basicamente, é isso que as pessoas são.







Eu, Álison

sábado, 27 de abril de 2013

Apenas um tijolo no muro

Ninguém pode negar que parte da cultura do século XX é irracional. Completamente irracional e objetal. É uma cultura que valoriza os artefatos, os objetos, as coisas, as promoções, os títulos. Nietzsche, de certa maneira, se encarregou de matar a figura de Deus e, ao matá-lo, os homens trataram de criar uma nova cultura. Esta precisa achar substitutos. Os substitutos achados foram os objetos industrializados. Por isso pensamos praticamente igual ao que pensa o grande grupo. Sentimos igualmente o que sentem as outras pessoas, macro grupos.






Eu, Álison

domingo, 7 de abril de 2013

De entender o seu abismo

Continuava a ler a Bíblia e começou a se tornar um excêntrico, um estranho. Com 25 anos era uma pessoa nervosa e abatida. Para ele, a vida é um fardo muito pesado. A sociedade é algo tremendamente inútil e o mais importante é conseguir encontrar-se a si mesmo.
Pessoa triste, apagado e obscuro, van Gogh expressa, por vezes, a beleza que as coisas ignoradas não deixam perceber.





Eu, Álison

domingo, 17 de março de 2013

Independência para o Amor

Sempre hesitei em falar sobre o Amor porque acho um assunto muito complicado, mas achei esse texto, que foi retirado da edição n° 76 da revista Filosofia, Ciência e Vida. Achei interessante porque ela mostra uma visão diferente do que se considera Amor, bem próximo do que eu acredito ser o correto. O título é "Amor e relacionamento versus Felicidade".


Estar solteiro nunca foi um fato social bem aceito. E na modernidade, são cada vez mais constantes as queixas sobre a solidão. Mas estar só não seria uma opção viável e saudável? Para Schopenhauer, a autossuficiência é condição essencial para uma vida feliz.

Tema de grande repercussão social na atualidade, os relacionamentos mostram-se cada vez mais complexos por fugirem de um modelo outrora descrito. Acompanhado da fragilidade pós moderna em todos os âmbitos da sociedade, os relacionamentos são mais uma questão a trazer angustia para indivíduos esvaziados e que vão buscar em um parceiro um alento para satisfazer suas frustrações. Mas que não sabem mais como se relacionar. As discussões desse artigo se baseiam nas ideias de Arthur Schopenhauer, que diz que a felicidade vem de uma forma de vida autossuficiente e de André Comte-Sponville, que diz que mesmo o amor a dois deve ser solitário. Então, será que estar sozinho não pode ser uma questão de opção, uma escolha? Não existe um meio termo entre um relacionamento ortodoxo e um estilo de vida hedonista conhecido como “vida de solteiro?”.

Não estar acompanhado de um parceiro parece estranho aos olhos da sociedade. Isso pode se dever ao fato de inúmeros exemplos em nosso cotidiano, seja no cinema, em letras de músicas, no senso comum ou nas obras de autoajuda, em que proliferam abordagens simplórias sobre o amor e que alimentam ainda mais as frustrações dos relacionamentos por oferecer visões distorcidas e incentivar um relacionamento romântico e raso sobre o tema.

Algumas obras do cinema podem nos servir de exemplos. Em Amor a Toda Prova, parece ao espectador atento que o ser humano tem apensa duas opções: achar um amor verdadeiro, um parceiro ideal, e se entregar a um relacionamento tão comprometido quanto sério, ou viver na “farra”, dentro daquela rotina vulgarmente absorvida na pós modernidade, normal para a existência de solteiro. No mundo real, no subconsciente de boa parte das pessoas, sobretudo dos jovens, percebe-se claramente a epidemia desse mero polarizar de possibilidades na área aqui abordada: ou se está namorando, ou é hora de “viver para valer” a rotina “livre” de desimpedido (a). 

Schopenhauer definiu o Amor como manifestação de um desejo inconsciente de perpetuar a espécie. Pois conscientemente ninguém suportaria carregar o fardo pesado da "vontade de vida" (nome que ele deu ao desejo de perpetuar a espécie). Para ele, todas as juras de amor não passam de um artifício natural para garantir a sobrevivência da espécie. Por isso, o Amor romântico é uma invenção cristã.
Cabe a reflexão: fora da dualidade "amor a dois" e "vida de solteiro", hedonista com relações efêmeras, não há outros caminhos? A solidão não é uma possibilidade?

O universo dos manuais de autoajuda, com sua sede em responder perguntas de maneira “objetiva”, pela utilização de máximas que normalmente possuem, como um de seus erros principais, a generalização, a carência da contextualização das diferenças que existem entre os exemplares da nossa espécie, e, mesmo quando, sob algum ponto de vista, sorrateiras, frequentemente decisivas, também afasta-se bastante da verdade. Biologia, Fisiologia, Cultura, acontecimentos, bagagem pessoal, a ligação intrincada de cada um desses elementos que tornam cada um o que é, acabam sendo negligenciados em detrimento da procura de uma aparente solução, exprimível em um conselho de fácil digestão, quando na realidade nós, humanos, usualmente – e principalmente em áreas tão complicadas como essa -, não somos máquinas para termos nossos problemas resolvidos com uma fórmula, imperativa, mandatória, que ignora as individualidades, as idiossincrasias e mostra-se excessivamente rasteira, sem trazer para o debate outras possibilidades, sem fazer perguntas, sem abrir o leque para as devidas relativizações e ponderações. 

De maneira geral, essas manifestações e obras culturais citadas, além dos equívocos e defeitos arrolados, fogem dos conceitos de sabedoria propostos pelos grandes filósofos, por pensadores e intelectuais clássicos. Ademais, depois dessa reflexão, cabem algumas perguntas: fora da dualidade “amor a dois” e “vida de solteiro, hedonista, relações efêmeras, despidas de qualquer vínculo”, não há outros caminhos? A solidão não é uma possibilidade? Calma, tempo para si, contemplação... Relacionamentos distintos, com outros contornos, não seriam válidos? E as diferenças de cada um, não devem ser melhor contextualizadas antes da divulgação de preconceitos que supostamente valem para todos? Para completar, se, verdadeiramente, escolhas sobre relacionamentos, o mundo exterior, a forma de se vincular a ele, têm sua relevância, não se negligencia erroneamente nossas características internas, biológicas, fisiológicas? E nossas tendências, vícios, que pairam no âmago, na psique? Nossa melhor adaptação a certo tipo de caminho, relação, cotidiano, e, por que não, nossa predisposição à felicidade, em termos essencialmente internos? Sabe aquela coisa do sujeito infeliz em um lugar, que pinta como firmamento outro diferente, e, quando ele passa a habitar, leva consigo toda a infelicidade, toda a melancolia? Uma analogia disso vale em vários aspectos, e poderia se estender a diversos campos da vida. 

O interno, espécie de autossuficiência, a tranquilidade, e a volta para o ser são as chaves para chegar à felicidade, segundo Schopenhauer.

O refúgio na Arte como “salvação” 

Ao lado de boa dose de autossuficiência e abnegação, Schopenhauer também defendia o refúgio na Arte como uma estratégia útil para a aproximação de uma vida mais feliz. A fruição nas obras artísticas genuínas seria capaz de trazer o “desligamento” da vontade por alguns instantes, de afastar dos tumultos de desejos por ela ocasionado, proporcionando a chamada apreciação desinteressada, um período de calmaria. A companhia das grandes mentes, de eminentes pensadores, ou melhor, de suas ideias, por meio de seus livros e produções diversas, era exaltada pelo alemão como um triunfo na procura de uma existência superior. Nessa esteira, se a limitação intelectual, para o filosofo, possuía vantagens – por, entre outros motivos, diminuir os estímulos para a vontade -, a inclinação para apreciar o oficio do gênio poderia ser um beneficio. 
Flaubert, prodígio em seu realismo de mestre, em historias que mostram como as circunstâncias exteriores são capazes de frustrar os sonhos, e que escancaram o fracasso de homens que, frequentemente donos de temperamentos românticos, têm a mania de buscar o inacessível, também conclui: diante desse cenário obscuro, da costumeira austeridade do real, a melhor seria “o desprezo pelas tentações do mundo e o refúgio na Arte”. 

O solteiro, normalmente, não é socialmente bem aceito. Por isso, até inconscientemente, as pessoas buscam freneticamente um parceiro para se relacionar, mesmo que isso não as façam se sentir verdadeiramente completas.

Abnegação e autossuficiência como escolha

Em toda a sua obra, a visão de Arthur Schopenhauer (1788-1860) sobre o que seria a sabedoria foge, basicamente, tanto da busca pelo prazer, da afirmação da vontade – supostamente contemplada numa existência inflamada e, normalmente, apenas no discurso, livre -, quanto da procura pela felicidade que dependeria decididamente de um amor, de um laço com o outro. O interno, uma espécie de autossuficiência, a tranquilidade, e a volta para o ser são as chaves para o filosofo alemão. Em Parerga e Paralipomena, ou em Aforismo, para a sabedoria de vida, essas concepções se apresentam latentes, sobretudo quando o pensador analisa as maneiras de tornar a existência melhor, mais agradável e feliz. 

Segundo ele, a maior de todas as maravilhas não seria sagrar-se conquistador do mundo, do amado (a), de posses. Tornar-se dominador de si próprio – algo que apenas um seletíssimo grupo é capaz de atingir: essa sim seria a vitória suprema. 

Já no livro O mundo como vontade e representação, Schopenhauer define o conceito de vontade, fundamental para a compreensão de seu sistema: uma força metafisica que atinge, está presente em todos os seres, rege o mundo e controla o homem, que não é, assim, guiado pela razão. Nessa linha, “nós não queremos uma coisa porque encontramos motivo para ela, encontramos motivos para ela porque a queremos”. O intelecto, em geral, trabalharia para a vontade, seria um escravo dela. Daí resultaria a dificuldade exorbitante de se possuir considerável domínio sobre si mesmo. 

O casamento ainda é uma cobrança imposta pela sociedade, algo como um passo natural a ser dado na vida das pessoas e, por isso, torna-se uma obsessão caso não o seja concretizado.

Na filosofia de Schopenhauer, a sabedoria passa, primordialmente, por nos livrarmos da ditadura imposta pela vontade, tentando controlar da melhor forma, e o máximo possível, os desejos e impulsos dela advindos. Diante dessas teses, fica claro não somente a incompatibilidade destas com a procura pela realização, pela felicidade, por meio de uma vida fortemente atrelada à busca de conquistas amorosas, sexuais, ou das meras relações efêmeras tidas usualmente como típicas, naturais à vida de solteiro; enxergamos também que o ideal de amor perpetuado pelo cinema, nos moldes já descritos, no qual muitas vezes nossa “salvação” depende dessa completude do outro, “de algum outro”, em uma alta relação de dependência, não era defendido, por Schopenhauer, como ponto importante e efetivo no alcance de uma existência melhor. Afinal, nos contornos apresentados pelos filmes em geral, ele também estaria excessivamente entrelaçado a desejos e inquietações que fogem do simples voltar-se para si e, uma última análise, não seria parte de um processo de renúncia, de abdicação da procura efetiva “do lado de fora”. 


André Comte-Sponville sobre relacionamentos: “Há casais fiéis e outros não. Pelo menos se entendermos por fidelidade, nesse sentido restrito, o uso exclusivo do corpo do outro. Por que só amaríamos uma pessoa? Por que só desejaríamos uma pessoa? Ser fiel a suas ideias não é ter só uma ideia; nem ser fiel em Amizade supõe que tenhamos um só amigo. Fidelidade, nesses domínios, não é exclusividade. Por que deveria ser diferente no Amor?”. 

A procura de parceiro pela internet virou uma modalidade nova em nosso universo social, e o aumento de sites dessa espécie representa a solidão na sociedade pós moderna. 

Abnegação, resignação, desapego: palavras centrais para a compreensão correta do que é exaltado por Schopenhauer. Influenciado pelo Budismo, pela Filosofia Oriental e, de certa forma, pelo Cristianismo, que teve vários de seus mandamentos e ensinamentos interpretados por ele como sendo espécies de alegorias da negação de vontade, tudo na obra schopenhaueriana, no que concerne à sabedoria, ao que seria mais frutífero para o interior da espécie humana, é repleto, esparge, lança ao ar, direta ou indiretamente, a procura pela tranquilidade, por algum tipo de desligamento, pelo aniquilamento, dentro do possível, de impulsos, desejos. 

Para Schopenhauer, qualquer desejo, seja o de relacionamentos efêmeros ou o de laços duradouros, nasce da falta, e, quando é concretizado perde o seu valor.

Tratando de amor, especificamente, ele defendia que, em função da vontade, ambicionamos preservar a espécie. O amor, nessa esteira, seria uma ilusão: “Nenhuma união é tão infeliz quanto esses casamentos por amor – e precisamente pelo fato de que o seu objetivo é a perpetuação da espécie, e não o prazer do indivíduo”. “Só um filósofo pode ser feliz no casamento, e os filósofos não casam”. O verdadeiro mote, por trás da vontade de reproduzir, seria, em suma, a preservação da espécie, e para isso, “cada qual procura um companheiro que vá neutralizar seus defeitos, para que esses não sejam transmitidos”. 

Em sintonia com todos esses pontos, há de se lembrar que, para o pensador alemão, qualquer desejo, não excluído seja o de relacionamentos efêmeros, de satisfazer impulsos imediatamente, ou o da edificação de laços mais duradouros, nasce da falta, e, a partir do momento no qual é concretizado, perde o seu valor. “(...) a vida oscila, como um pêndulo, da direita para a esquerda, do sofrimento para o aborrecimento: estes são os dois elementos de que ela é feita, em suma”. A falta geraria dor e desejo; este, na medida em que é alcançado, não satisfaria de modo consistente, duradouro, dando lugar ao tédio que, para Schopenhauer, é ainda pior para o homem do que o estado de ansiedade e sofrimento de falta, quando se quer algo que não se possui. “E a realização nunca satisfaz; nada é tão fatal para um ideal do que a sua realização”. E, além disso, “A paixão satisfeita leva com mais frequência à infelicidade do que à felicidade. Porque suas exigências muitas vezes conflitam tanto com o bem estar pessoal do interessado, que o prejudicam”. Nessa última passagem nota-se que não apenas a fugacidade dos louros colhidos com o atingir de um objetivo aparece como argumento contra a busca dele. O próprio processo de esforço par tal, em que frequentemente temos nosso “bem estar” ferido, surge como ponto ser observado, como diligencia, digamos, com pouco “custo-benefício”. 

Se a companhia de um ente querido, de um parceiro, não é direta e expressamente despida de qualquer valor para Schopenhauer, no seu pensamento, enxergamo-nos em um posicionamento totalmente distante – difícil conceber separação, incompatibilidade maiores... – e em incontáveis acepções, oposto aos disseminados, expressos no senso comum, no ramo da autoajuda, no Cinema em geral. O amor, não apenas pelo fato de ser visto como uma máscara criada pelo desejo de preservar a espécie, no sentido decantado, na sétima arte, nas ruas (...) é desmistificado, até por ser colocado, de determinada maneira, nesses espaços, como salvação, como fonte direta para a felicidade, sem a contextualização devida do papel da autossuficiência e de outras complexidades. 

A procura por saciar o desejo por relações transitórias, em si, também é questionada; entretanto, não só ela: o próprio estado espiritual e corporal que a acompanha aparece como natural nesse tipo de existência, “ansiosa, demasiadamente acesa”, repleta de estímulos; todo o aparato (consumo, trabalho, atrelados à vivência de um papel enxergado como o de sucesso, o “correto”) para projetarmos determinada imagem encarnarmos certo “tipo”, foge do avaliado por Schopenhauer. 

Schopenhauer, em suas obras, foge da ideia de que a felicidade só viria se complementada na união com outra pessoa.

Ainda que não concorde com o pautar de uma teoria em qualquer concepção metafisica, e a despeito de exageros, simplismos, generalizações e erros que Schopenhauer, de fato, também comete, é inegável o acerto, o beneficio ao trazer para o plano da felicidade, da existência, a importância que pode possuir boa dose de abnegação, de desligamento, de volta para si, arrancando o foco excessivamente ancorado no que se adquire, se atrela ao mundo exterior, e naquilo que esquiva, pouco perpassa pela importância de nós mesmos, de nossa disposição interna, biológica, fisiológica, do que em nós foi influenciado pela cultura. Interessante também notar a diferença de um sistema filosófico clássico com o que se difunde hoje. E se recordarmos que Schopenhauer não foi exatamente um precursor, em variados aspectos, e que, essencialmente em sua linha de pensamento possui convergências decisivas – em pontos nos quais esses autores e escolas a seguir listados justamente também discordam do que está sendo tratado nesse artigo como comumente espalhado na atualidade – com Platão, Kant, Budismo, filosofias orientais diversas (...), fica mais latente a carência de sintonia, a oposição do que se vê na contemporaneidade como correto e/ou comportamento adotado, às vezes indiretamente apoiado, com distintas concepções clássicas. 

Com a clareza peculiar ao texto schopenhaueriano, concluo com trecho de uma de suas máximas que, talvez, apresenta oposição mais flagrante ao que se alastra por aí, na atualidade: “Bastar-se a si mesmo; ser em tudo para si, e poder dizer ‘trago todas as minhas posses comigo’ (cf. Cícero, Paradoxa, I, I, 8, e Sêneca, Epistulae, IX, 18) é decerto a qualidade mais favorável para a nossa felicidade. Sendo assim, nunca é demais repetir a máxima de Aristóteles: ‘A felicidade pertence àqueles que bastam a si mesmos’ (Ét a Eud., 7, 2)”.

André Comte-Sponville preconiza que o amor, em sua mais pura verdade, é solidão. Pode ser considerado como duas solidões se completando.

Amor à Solidão 

Dizer que existem muitas falhas em abordagens sobre o amor, as quais corriqueiramente vendem um ideal demasiadamente “inocente”, pueril, sonhador, fincado em versões, em potencias reflexos ainda que amenizados e recauchutados, da escola romântica, e/ou se perdem no simplismo, no reducionismo, por não se entrelaçarem com a complexidade humana e das coisas, dos acontecimentos, entre outras claudicações e distanciamentos da realidade, não é desprezar o valor que esse sentimento e a vida a dois pode ter. Nada perto disso. Também sequer aproxima-se de uma preterição, de uma desvalorização do impacto sensacional, positivo, que a companhia certa chega a ter na errante existência de nós mortais, ao dizer-se que boa dose de autossuficiência é indispensável para a beatitude, para a felicidade, que acaba dependendo unicamente de nós, como indivíduos. 

André Comte-Sponville (1952) é certeiro, no seu Amor à Solidão, ao defender que devemos aceitar o outro como tal, ou seja, como outro, alguém diferente, e não como apêndices de nós mesmos, um instrumento pessoal que funciona de acordo com nosso belo prazer. “E é nisso que o amor, em sua verdade, é solidão”. Afinal para o pensador, o nobre sentimento não seria nada mais do que duas solidões se complementando, se protegendo, que se limitam e se inclinam diante da outra. “O amor não é o contrário da solidão. É solidão compartilhada, habitada, iluminada – e, às vezes, ensombrecida – pela solidão do outro. O amor é a solidão sempre; não que toda solidão seja amante, longe disso, mas porque todo amor é solitário. Ninguém pode amar em nosso lugar, nem em nós, nem como nós”. 




Eu, Álison

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Não suportará

Mas não é mil vezes melhor entregar-se a esse doce engano do que abandonar-se aos tormentos, às inquietudes devoradoras do ciúme, e semear por toda a parte a confusão e a desordem por cenas violentas e trágicas?


Dizei-me, pergunto-vos, pode-se amar alguém quando se odeia a si mesmo? Pode-se viver em bom entendimento com os outros quando não se está de acordo com o próprio coração? Pode-se oferecer algo de bom à sociedade quando se está aborrecido e fatigado com a própria existência? Seria preciso ser mais louco que a Loucura mesma para responder afirmativamente a essas perguntas. Ora, se for excluído da sociedade, o homem, longe de poder suportar os outros, não poderá suportar a si próprio; desgostoso com tudo que tiver alguma relação consigo, logo se tornará a seus próprios olhos um objeto de ódio, de aversão e de horror.





Eu, Álison

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Múltiplas opções

A despadronização da globalização abriu um leque de opções para as pessoas e as pessoas estão muito angustiadas, porque fazer escolhas angustia. Quando você escolhe uma coisa entre 10, a única certeza que você tem é que você perdeu 9, e as pessoas estão muito preocupadas com isso.






Eu, Álison

Antoine Lavoisier

Lavoisier desfrutou a benção do gênio e sofreu a maldição da riqueza. O gênio levou-o à glória; a riqueza trouxe-lhe a morte.
Andava tão absorvido nos experimentos científicos, que já nos tempos de estudante se apartava dos “frívolos passatempos” da sociedade.
Andava sempre de cara fechada por causa das “patifarias” dos seus semelhantes.
“Lavoisier”, dizia, “tem inteligência e caráter”. E o caráter refinado, mas superlativo, de Lavoisier era reconhecido à terna simpatia. Desde a infância, sempre fora ansiosamente protegido contra as arestas do mundo.
“Este rapaz maluco vai matar-se de tanto trabalho”.
Mas Lavoisier não perdeu a coragem diante da morte. “Vivi uma vida razoavelmente longa e feliz”, escreveu. “Ser-me-ão poupados os desconfortos da velhice, e legarei à humanidade um pouco de ciência e talvez um pouco de glória. Que mais pode uma pessoa desejar nesse mundo?”
A justiça, contudo, era a última coisa que se poderia esperar naquele momento de histeria revolucionária. Lavoisier foi publicamente estigmatizado como “um vampiro cujo acervo de crimes é tão esmagador que clama por vingança”. Levaram-no à guilhotina em uma manhã de maio de 1794.




Eu, Álison

domingo, 18 de novembro de 2012

E todo mundo fica feliz

Nesse monte de mentira. É tudo muito fingido, é tudo muito falso, e de falsidade o mundo já está cheio.

Você pai, você mãe, você tem esse filho idiota e imbecil por sua causa. A culpa é sua, que cria seus filhos para ter sucesso financeiro, sucesso social e esquecem que seu filho tem que ser feliz de verdade. Muito provavelmente vocês pais já foram vítimas desse mesmo problema com seus próprios pais, porque agora a gente vive em uma sociedade de filhos superprotegidos que vão virar adultos totalmente incapazes de viver no mundo porque tiveram pais que só se importam com a porra do status, com o sucesso social e financeiro dos seus filhos.
Ninguém quer falar que tem um filho que não é diretor de alguma coisa ou formado em alguma coisa. Ninguém quer que sua filha tenha um namorado tatuado. As pessoas preferem empurrar seus filhos para um abismo, para um monte de gente idiota, a troco de status. E você quer que seus amigos tenham orgulho do que seus filhos têm passado. E daí você tem que dar Prosac para o seu filho, você tem que levar sua filha no psicólogo porque ela está ficando com fobia social, tudo por culpa sua. Você tem uma filha anoréxica, você tem um filho louco, psicótico, porque você simplesmente não deixa as coisas acontecerem e não deixa as pessoas serem felizes.
Eduque-os, mas eduque-os de uma forma interessante. Não crie seu filho para ser um soldadinho da classe média e ser mais um idiota que não vai fazer a menor diferença na vida de ninguém e nem da sua própria. Contribuam para um mundo melhor e não deixe seus filhos serem iguais a vocês, não levem eles para o mesmo buraco que vocês estão e que nós todos estamos.





Eu, Álison

terça-feira, 13 de novembro de 2012

São doidos


Hoje perdi-me no pensamento e na dor daqueles que chegam até mim no desespero e na agonia de serem e de se sentirem diferentes. Não é o ser diferente que lhes dói. O que lhes dói é a sensação de não serem respeitados na sua diferença, serem olhados como diferentes, incompreendidos, sentirem que não existe espaço nesta sociedade para existirem tal como são... São os loucos!
Em agonia, tristes, muitos isolam-se no seu canto... Desistem! Outros, porém, agem a sua dor, continuam a lutar, a tentar existir nesta sociedade, a denunciar ativamente e a proclamar os seus direitos!
Nem sempre é fácil existir!
Foi perdida neles que me lembrei deste pequeno texto de um grande escritor, e que descreve muito bem o que é isto da loucura!
Talvez vos sirva de consolo... Talvez seja apenas uma questão de números!

“Loucura?! Mas afinal, o que vem a ser a loucura? Um enigma... Por isso mesmo é que às pessoas enigmáticas, incompreensíveis, se dá o nome de “loucos”. Que a loucura, no fundo, é como tantas outras, uma questão de maioria. A vida é uma convenção: isto é vermelho, aquilo é branco, unicamente porque se determinou chamar à cor disto vermelho e à cor daquilo branco. É a gente de juízo... Pelo contrário, um reduzido número de indivíduos vê objetos com outros olhos, chama-lhes outros nomes, pensa de maneira diferente, encara a vida de modo diverso. Como estão em minoria... São doidos. Se um dia, porém, a sorte favorecesse os loucos, se o seu número fosse o superior e o gênero da sua loucura idêntico, eles é que passariam a ser ajuizados: Na terra dos cegos, quem tem um olho é rei, diz o adágio: na terra dos doidos, quem tem juízo é doido, concluo eu. O meu amigo não pensava como toda a gente... Eu não o compreendia: chamava-lhe doido... Eis tudo".

Mário de Sá Carneiro, In "Loucura"



Eu, Álison

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Horário nobre

A impressão que eu tenho é de que a maioria do que passa na TV, principalmente os programas do chamado "horário nobre", são feitos por umas pessoas meio bestas, para que quem estiver assistindo possa se identificar com elas. Os responsáveis pela programação colocam no ar programas imbecis, que falam sobre assuntos idiotas, com apresentadores babacas. Se for algum filme, são os personagens que são retardados.
Porque eles devem pensar assim: "Como o público que assiste é muito idiota, temos que apresentar uma programação tão idiota quando, porque se colocássemos programas interessantes, todos iam parar de assistir, já que ninguém iria entender nada".
Pois então, se eu fosse você, me preocuparia, pois o que passa na TV é reflexo do que você pensa. Ou talvez seja o contrário, seja o reflexo de você não pensar.





Eu, Álison

domingo, 1 de julho de 2012

Resposta ao comentário "E tem gente que acredita"

Dessa fez não foi um estranho que comentou em "E tem gente que acredita", foi o Lucas, então como amigo devo satisfações a ele.

O comentário foi esse: "Meu, esses caras da Universal nem cristãos direito eles não admitem ser. Pergunta pra qualquer outro cristão de outra igreja que tu vai ver o que eles pensam dessa universal.
Tu pode até dizer que não generaliza só que não é isso que tu posta. E tu tbm acaba se enojando de milhões por causa de milhares. Por que que tu também não procura coisas ruins que ateus fazem? Das mentiras que eles contam e de como são rudes? Se é um cristão fazendo isso "Meu Deus! Tá acabando o mundo". E e sei que tu me conhece, quem escreveu isso."

Bem, vamos começar: Sobre os caras da igreja eu nem vou falar mais nada, senão vou acabar ofendendo outras pessoas. Segundo, eu generalizo sim, mas não cito as exceções, porque senão eu vou me perder em pormenores e também porque para mim elas são óbvias. Se a pessoa que ler faz parte da exceção, ela nem vai se ofender, porque ela sabe que não estou falando dela. Se tu é uma boa pessoa, tu sabe disso. Se não é, também. Isso só interessa à pessoa que está lendo, por isso não vejo necessidade de ficar falando todas as exceções. Isso não me diz respeito nem é da minha conta. Pode ter certeza de que existem exceções, e tu Lucas, é uma delas, mas, desculpa, eu não vou ficar citando cada uma. Espero que tu entenda.
Sobre os ateus... Bem, eu não critico somente os religiosos. Tu sabe minha opinião sobre as pessoas, a misantropia e tudo mais, só que vejo em ALGUNS religiosos (para não generalizar) casos claros de como as pessoas agem. Para mim, os ateus fazem tanta merda quanto qualquer outra pessoa, mas acho, no mínimo, inconcebível esses casos onde uma mentira está disfarçada pela fé.
Vou tentar mostrar o motivo de eu comentar somente pessoas religiosas: Se um ateu faz algo errado, ele diz "Errei porque não sabia o que fazer". Agora, se um religioso erra, ele não diz isso, ele fala que o que ele fez foi a vontade de Deus. Desculpe se vou ser rigoroso demais, mas para mim isso tem nome, chama-se HIPOCRISIA. Eles sabem que é errado, mas prosseguem com o que estão fazendo.

Os ateus erram, os religiosos erram, eu posso estar errado por escrever isso, todas as pessoas erram, mas a partir do momento em que existe alguém que faz algo assim de propósito... Lavo minhas mãos.




Eu, Álison

domingo, 24 de junho de 2012

Estou sempre bem

Tenho uma boa saúde, minha vida social é ótima, me relaciono facilmente com estranhos, durmo bem todas as noites, gosto de começar novas amizades com pessoas desconhecidas, saio todos os dias, gosto de ir a festas, tenho dúzias de amigos, estudo diariamente, sou educado e simpático, me alimento bem, pratico exercícios toda semana, não tenho problemas pessoais, nunca fui um mau aluno, sou mentalmente estável, não tenho nenhuma doença crônica ou genética, sou um exemplo de pessoa, me esforço para preservar o meio ambiente, amo o próximo como se fosse eu mesmo, sigo piamente a ética e a moral, sou racional, não tenho problemas de nenhum tipo.


Esqueci de dizer: estou morto.
 




Eu, Álison

terça-feira, 12 de junho de 2012

Na contra mão

Desculpa sociedade brasileira, mas eu não ouço Mamonas Assassinas, nem Legião Urbana, nem Capital Inicial.
Também não olho o programa do Pânico que dá na televisão.
Não olho nenhuma novela, não olho Casseta e Planeta nem o Zorra Total, e sinceramente, não me acho pior do que ninguém por causa disso.


Tenho mais o que fazer!




Eu, Álison