Eu, Álison
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sábado, 19 de abril de 2014
Destruir o real
De fato, em Roma e na Grécia, foi quando a sociedade se sentiu gravemente atingida que surgiram as teorias pessimistas de Epícuro e Zenão. A formação desses grandes sistemas é pois índice de que essas corrente pessimista chegou a certo grau de intensidade anormal, devido a alguma perturbação do organismo social. Ora, é sabido como esses sistemas se multiplicaram modernamente. Para se ter uma justa noção do número e importância deles não basta considerar as filosofias que têm oficialmente esse caráter, como as de Schopenhauer, Hartmann e outros. Deve-se também considerar todas as que, sob nomes diferentes, procedem de um mesmo espírito. O anarquista, o esteticista, o místico, o socialista revolucionário, se não perdem a esperança no futuro, como o pessimista, concordam pelo menos num mesmo sentimento de ódio ou aversão pelo estado de coisas vigente, e na necessidade de destruir o real ou esquivar-se dele.
sábado, 12 de abril de 2014
Para que tudo isso?
Mas, na medida em que o crente duvide, isto é, se sinta menos solidário com o credo religioso de que é membro e dele se emancipe, na medida em que a família e a comunidade se tornem estranhos ao indivíduo, ele se torna para si mesmo um mistério, e então não pode se esquivar à incômoda e angustiante questão: para que tudo isso?
Em outras palavras, se, como já se disse inúmeras vezes, o homem é dúplice, é que ao homem físico se acrescenta o homem social. Ora, este último pressupõe necessariamente uma sociedade que ele exprime e a que serve. Mas se, pelo contrário, ela vem a se desagregar, e não mais a sintamos viva e atuante em torno e acima de nós, o que há de social em nós ficará destituído de todo fundamento objetivo. Já não passará de uma combinação artificial de imagens ilusórias, uma fantasmagoria que um pouco de reflexão bastará para desvanecer; nada, por conseguinte, que possa servir de finalidade aos nosso atos. E contudo esse homem social é a essência do homem civilizado: é ele que determina o valor da existência.
Em outras palavras, se, como já se disse inúmeras vezes, o homem é dúplice, é que ao homem físico se acrescenta o homem social. Ora, este último pressupõe necessariamente uma sociedade que ele exprime e a que serve. Mas se, pelo contrário, ela vem a se desagregar, e não mais a sintamos viva e atuante em torno e acima de nós, o que há de social em nós ficará destituído de todo fundamento objetivo. Já não passará de uma combinação artificial de imagens ilusórias, uma fantasmagoria que um pouco de reflexão bastará para desvanecer; nada, por conseguinte, que possa servir de finalidade aos nosso atos. E contudo esse homem social é a essência do homem civilizado: é ele que determina o valor da existência.
Eu, Álison
domingo, 6 de abril de 2014
I'm hollow
"... Mas ajo como autômato e, quando me dirigem a palavra, elas me parecem ressoar no vazio. Meu maior tormento provém do pensamento do suicídio do qual não posso me livrar um minuto. Há um ano sou vítima dessa impulsão, que era, a princípio, pouco pronunciada. Mas há dois meses ela me persegue em todos os lugares, e, no entanto, não tenho motivo algum para me suicidar...".
Eu, Álison
domingo, 23 de março de 2014
Desajustado
Sua debilidade muscular, sua sensibilidade excessiva, que o tornam desajustado à ação, predestinam-no, em contrapartida, às funções intelectuais que, por sua vez, exigem órgãos adequados.
Eu, Álison
sábado, 22 de março de 2014
É o contraste
"Deixa-se ficar, durante horas inteiras, imóvel, com os olhos fixos no chão, com o peito oprimido e no estado de uma pessoa que teme um acontecimento sinistro. Na firma resolução de se jogar no rio, procura os lugares mais afastados para que ninguém possa vir socorrê-la".
Eu, Álison
Por demais íntima
A intenção é uma coisa por demais íntima para que seja percebida de fora, a não ser por aproximações toscas. Quantas vezes nos enganamos sobre as verdadeiras razões que nos fazem agir! É tão comum atribuirmos a sentimentos generosos ou considerações elevadas atos inspirados por sentimentos bem mesquinhos ou pela mera rotina cega!
Eu, Álison
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