sábado, 26 de julho de 2014

Só a arte me amparou!

Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas ações; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos.
Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou! — Ludwig van Beethoven, Testamento de Heilingenstadt, 6 de Outubro de 1802.







Eu, Álison

Você sabe o que é fotorrealismo?



 



É isso!





Eu, Álison

Você não iria acreditar

 

The other night, you wouldn't believe the dream I just had about you and me.






Eu, Álison

Porque tudo que você vê











Pode estar vendo pela última vez.






Eu, Álison

E em nome da justiça

Se matou o mais justo dos homens. - Platão sobre a morte de Sócrates







 Eu, Álison

domingo, 20 de julho de 2014

Você já escutou o silêncio? - VI

Explicar o amor


Querem que lhes explique o que é o amor?
Quem poderá fazê-lo?
Quem terá palavras para descrevê-lo?
Traços para desenhá-los?
Música que nos faça senti-lo completamente?

Não há um perfume que o identifique
Embora existam tantos
Um livro, uma obra de arte ou de engenharia
Que se assemelhe a ele

Se me pedirem para cantar o silêncio
Dançar com o que há de mais imóvel
Tudo seria mais fácil, imaginável
Mas, explicar o amor...

Posso querer dizer como ele age
Mas ele age de tantas formas...
Posso ousar falar sobre como ele chega
Mas sei que não há regras
E que para cada ser pode acontecer
De maneiras tão inesperadas
Ou até mesmo programadas
O que é ainda mais inesperado

Explicar o azul para quem nunca o viu
Fazer entender o gosto do mel
Para quem nunca o provou
Por mais eloquente que seja
Por mais técnicas que utilize
Só entenderá quem o viu, quem o provou

Quanto ao amor
O que posso dizer é o mesmo

Provem!





Eu, Álison

Decidiu-se pela primeira

Ao longo da vida do escritor [Ernest Hemingway], o tema suicídio aparece em escritos, cartas e conversas com muita frequência. Seu pai suicidou-se em 1929 por problemas de saúde e financeiros. Sua mãe, Grace, dona de casa e professora de canto e ópera, o atormentava com a sua personalidade dominadora. Ela enviou-lhe pelo correio a pistola com a qual o seu pai havia se matado. O escritor, atônito, não sabia se ela queria que ele repetisse o ato do pai ou que guardasse a arma como lembrança. Aos 61 anos e enfrentando problemas de hipertensão, diabetes, depressão e perda de memória, Hemingway decidiu-se pela primeira alternativa.






Eu, Álison