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domingo, 21 de setembro de 2014

Você já escutou o silêncio? - XI

Não é bom caminhar chorando


Não é bom caminhar chorando
Creio que seja deselegante
Podem achar que estás sofrendo
E tua dor é tamanha
Que já perdeste o controle

Creio que não seja recomendável
Nem socialmente correto
Pode causar espanto ou compaixão
Às vezes, repulsa
Melhor te comportares

Creio que é melhor nem saíres
Se for para ser assim
Fica em casa e espera
Até o choro cicatrizar
Até a dor acalmar
Até te conformares
Que não tens mesmo aonde ir
Que não tens para onde caminhar
Pois sempre estarás sozinho
Só com ela ao teu lado
Sempre junto, dentro de ti
Sempre companhia silenciosa
Sempre que caminhares
Então, para não entristecer tua saudade,
Creio que não seja bom caminhar chorando





Eu, Álison

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O Dicionário do Diabo - Letra B e C

Baco = Deus inventado oportunamente pelos antigos como pretexto para suas bebedeiras.
Bruxa = (1) Velha feia e repulsiva, em perversa aliança com o demônio. (2) Jovem bela e atraente, em perversa aliança com o demônio.

Calamidade = Um mais do que claro e inconfundível lembrete de que os acontecimentos desta vida não obedecem a nossa vontade. Calamidades podem ser de dois tipos: desgraça para nós e felicidade para os outros.
Casamento = Condição ou estado de uma comunidade composta de um patrão, uma patroa e dois escravos, num total de duas pessoas.
Chato = Pessoa que fala quando você quer que ela escute.
Circo = Lugar onde se permite a cavalos, pôneis e elefantes assistirem a homens, mulheres e crianças fazendo papel de idiotas.
Comércio = Tipo de transação na qual "A" surrupia de "B" os bens de "C", e como compensação "B" rouba da carteira de "D" o dinheiro pertencente a "E".
Comestível = Bom para comer e fácil de digerir, como um verme para um sapo, um sapo para uma cobra, uma cobra para um porco, um porco para um homem e um homem para um verme.
Compaixão = Virtude exaltada pelos criminosos, quando apanhados.
Condoer-se = Demonstrar que o sofrimento é um mal menor do que a compaixão.
Conforto = Estado de espírito provocado pela contemplação das adversidades alheias.
Conhaque = Estimulante composto de uma parte de trovão-e-relâmpago, uma parte de arrependimento, duas partes de sangue-de-assassino, uma parte de morte-inferno-e-sepultura e quatro partes de Satã clarificado. Dosagem: uma cabeça cheia, o tempo todo.
Conhecido = Pessoas a qual conhecemos o bastante para lhe pedir emprestado, mas não o bastante para lhe emprestar. Um estágio superficial da amizade, quando o sujeito é pobre ou obscuro; e íntimo, quando ele é rico ou famoso.
Cônsul = Em política norte-americana, pessoa que, tendo falhado em obter um cargo político através do voto, recebe outro do Governo, sob a condição de deixar o país.
Convento = Local de retiro para mulheres que buscam tranquilidade para meditar sobre o vício da preguiça.
Costas = Parte de seus amigos que você tem o privilégio de contemplar na sua adversidade.
Covarde = Aquele que, numa situação de perigo, pensa com as pernas.
Cristão = Aquele que crê que o Novo Testamento é um livro de inspiração divina, admiravelmente indicado para as necessidades espirituais de seu vizinho. Aquele que segue os ensinamentos de Cristo até o limite em que não atrapalhem uma vida de pecado.







Eu, Álison

sábado, 21 de julho de 2012

C. F. Gounod

Ele não era um mau menino, mas não cuidava das lições. Escrevinhava música em todos os cantos dos livros de latim. Cantarolava trechos de óperas quando o professor procurava explicar um problema de aritmética.
Havia o que quer que fosse de místico na atmosfera romana e isso tocou, dentro dele, uma corda sensível, pois havia também em sua alma profunda tendência para o misticismo.
Além do seu amor à música, adquirira Gounod outra paixão – a paixão da pintura.
“Ainda imaturo, mas possuído de entusiasmo romântico e apaixonado...”.
Desalentado pelo fracasso no teatro, escreveu duas sinfonias e tornou a mergulhar no misticismo.
Havia de ser um tema mundano que tivesse, ao mesmo tempo, fundo religioso – história de paixão e compaixão, poema épico de pecado, sofrimento e redenção, debuxo panorâmico da miséria da Terra, do castigo do Inferno, da glória do céu.
Duas das mais preciosas joias do fulgurante colar dessa música.
E cada manhã, ao despontar do sol, viam os camponeses o estranho misterioso a caminhar pela margem do rio, um homem de meia idade, a barba grisalha, trazendo, nos olhos, uma expressão distante. Voltava sempre dos passeios com ramos de flores nas mãos e grinaldas de música na cabeça.
Sempre que ele tocava para ela, rompia Georgina numa tempestade de lágrimas, chamando-lhe o seu mestre, a sua inspiração, o seu deus.
Esmagado por esse golpe, recolheu-se de novo o compositor ao seu misticismo. E, desta feita, permaneceu místico até o fim.
Antes de morrer, encetou novo trabalho religioso, um Réquiem. Nunca, porém o terminou. Uma tarde, no outono de 1893, ao sentar-se para trabalhar, caiu-lhe a cabeça sobre a mesa. “Psiu”, disse a esposa aos demais membros da família, “não o perturbemos. Ele está dormindo...”.
“A morte”, dissera ele, “é o princípio da vida”.




Eu, Álison

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Eu não ofereço muito

Eu não ofereço braços fortes
Eu não ofereço uma educação refinada
Eu não ofereço um rosto bonito
Eu não ofereço um senso de humor irreverente
Eu não ofereço uma compaixão inspiradora
Eu não ofereço um consolo revigorante
Eu não ofereço uma companhia agradável
Eu não ofereço uma simpatia acolhedora
Eu não ofereço um par de olhos claros
Eu não ofereço uma sensibilidade subjetiva
Eu não ofereço um cabelo sedoso
Eu não ofereço uma inteligência extraordinária
Eu não ofereço uma curiosidade insaciável
Eu não ofereço um gênio criativo
Eu não ofereço uma índole exemplar
Eu não ofereço ternura incondicional
Eu não ofereço uma humildade admirável





Eu, Álison