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domingo, 13 de janeiro de 2013

Tantos e quantos

Se alguém, do alto de uma torre elevada, se divertisse em observar o gênero humano, como os poetas dizem que Júpiter o faz de vez em quando, que quantidade de males ele não veria atacar de todos os lados a vida dos pobres mortais! Um nascimento imundo e sórdido, uma educação penosa e dolorosa, uma infância exposta ao arbítrio de tudo o que a cerca, uma juventude submetida a tantos estudos s trabalhos, uma velhice sujeita a tantos sofrimentos insuportáveis, e enfim a triste e dura necessidade de morrer. Juntai a isso a quantidade inumerável de doenças que nos assediam constantemente no curso dessa vida infeliz, os acidentes que não cessam de nos ameaçar, a invalidez que de repente nos oprime, o fel amargo que envenena sempre nossos instantes mais doces. Sem falar ainda de todos os males que o homem causa a seu semelhante, como a pobreza, a prisão, a infâmia, a vergonha, os tormentos, as emboscadas, as traições, os processos, os ultrajes, as patifarias... Mas como contá-los? São em tão grande número como os grãos de areia à beira do mar.





Eu, Álison

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Futuro incerto



Porque quando eu tiver essa idade, eu vou estar consideravelmente mais louco do que agora.





Eu, Álison

terça-feira, 20 de março de 2012

A semana das pessoas

A semana da maioria das pessoas se resume assim: Passar o domingo todo reclamando que amanhã é segunda e que você vai ter que ir trabalhar, e passar o resto da semana toda esperando por sexta, que é quando você para de trabalhar. Ou seja, vive-se em função da vagabundagem, da preguiça e da matação de tempo. A pessoa não vive, ela se preocupa única e exclusivamente em ver o dia passar.
Pois quando você tiver 80 anos, tiver quase cego, quase surdo, mais fraco que uma criança de 3 anos de idade e com a saúde toda fudida, você vai ver que agora não adianta mais...





Eu, Álison

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Assim disse um velhinho

Amei uma mulher por mais de 50 anos. Um jovem menino que ouvia impressionou-se com o que havia dito o senhor a sua frente. Logo depois concluiu o velhinho: Só queria que ela soubesse.




Eu, Álison

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

No final, a passos pequenos

É a hora terrível em que surgem as saudades escondidas na sombra. Juventude, força, beleza, o que foi feito delas? Por que se esforçar tanto em buscar os segredos dos céus? Enrugado como um velho libertino, agora calvo e sem dentes, envelhecido antes do tempo, com os membros deformados pela gota e o braço direito, que ontem domava os cavalos mais ariscos, paralisado. Então isso é a vida? Pode a vida reduzir-se a isso? Agora reconhece a angústia surda e o desespero latente que o levaram na juventude a pintar o São Jerônimo. A vida inteira ele buscou como abrir as portas da prisão, a cada vez imaginou ter descoberto. Sempre se inebriou de liberdade, e agora isso acabou!

Envelhecido

Tem 65, 66, 67... e o homem que sempre foi visto como o mais belo, o mais espetacular, de repente aparenta ter mais de setenta. Todos lhe dão dez anos a mais que sua idade. E, de fato, ele se sente velho, fatigado, vagamente enfastiado com sua condição de homem rico que não precisa mais correr atrás do dinheiro. Desprovido de ambição como de necessidade, nada mais realmente lhe interessa. Pôr em ordem os cadernos? Ele faz isso com Melzi. Atender aos menores desejos do rei? Agora só consegue por delegação. Sente o desespero de não ter cumprido a quarta parte de suas intenções e de constatar uma impotência crescente. Tarde demais. Chega o dia em que tudo é tarde demais.
Uma forma insidiosa de tristeza o rói um pouco mais a cada dia. A claridade do dia, a beleza límpida das paisagens que o cercam já não lhe causam emoção. Encerra-se numa espécie de doença, cansaço, paralisia, ou tédio misturados. Tristeza definitiva por ter perdido Salai? Já não monta mais a cavalo, não sai mais... Leonardo torna-se aquele velho misterioso que vemos no autorretrato feito a lápis, conservado em Turim. A morte vem vindo, mas, como sempre com ele, devagar.




Eu, Álison