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domingo, 25 de agosto de 2013

domingo, 31 de março de 2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

Quem não sabe tocar o intangível

Não é poeta. Ando com os nervos à flor da pele, mas por que insistis que sou louco?

Fiel a si mesmo, Poe existiu em desacordo social. No senso da arte, avançou a ponto de provocar a contestação que hoje ainda, cá e ali, comicamente se repete. Mas ele não tinha mesmo uma impressão otimista sobre os homens. Por ver a verdade nos sonhos, imaginava de antemão não poder transformar a vida cotidiana para melhor. Segundo Poe, o ser humano, ao contrário do estabelecido por Jean-Jacques Rousseau, nasce marcado pelo mal.


"Será sempre difícil exercer, de forma ao mesmo tempo nobre e frutífera, a condição do homem de letras sem se expor à difamação, à calúnia dos impotentes, à inveja dos ricos - inveja que é o castigo deles! -, às vinganças de mediocridade burguesa" escreveu Baudelaire.
Para Poe, e também para Baudelaire, um conceito como beleza ainda fazia um sentido literário. Não a beleza ligada à versificação, à idealização da natureza, ao encanto dos sentimentos, mas uma beleza visceral, algo ultrajante, fabricada pelo sangue.

"Muitas pessoas já me caracterizaram como louco. Resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada de inteligência". - Edgar Allan Poe.






Eu, Álison

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Até mais ver

Saúdo todos os meus amigos. Que lhes seja dado ver a aurora desta longa noite. Eu, demasiadamente impaciente, vou-me antes. - Stefan Zweig







Eu, Álison

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Fachos de luz

Pois só pode merecer o nome de gênio alguém que assume como tema de suas realizações a totalidade, aquilo que é grandioso, as coisas essenciais e gerais, e não alguém que dedica os esforços de sua vida a esclarecer qualquer relação científica de objetos entre si.

Os eruditos são aqueles que leram coisas nos livros, mas os pensadores, os gênios, os fachos de luz e promotores da espécie humana são aqueles que as leram diretamente no livro do mundo.

No reino da realidade, por mais bela, feliz e graciosa que ela possa ser, nós nos movemos sempre sob a influência da gravidade, força que precisamos superar incessantemente. Em compensação, no reino dos pensamentos, somos espíritos incorpóreos, sem gravidade e sem necessidade. Por isso não existe felicidade maior na Terra do que aquela que um espírito belo e produtivo encontra em si mesmo nos momentos felizes.

É sempre um erro querer transferir para a literatura a tolerância que na sociedade é preciso ter com as pessoas estúpidas e descerebradas que se encontram por todo lado.

Também vemos todo pensador autêntico se esforçar para dar a seus pensamentos a expressão mais pura, clara, segura e concisa possível. Consequentemente, a simplicidade sempre foi uma marca não só da verdade, mas também do gênio.

Além de tudo, os pensamentos postos em papel não passam, em geral, de um vestígio deixado na areia por um passante: vê-se bem o caminho que ele tomou, mas para saber o que ele viu durante o caminho é preciso usar os próprios olhos.

Isso explica por que é possível ler livros de pessoas em cuja companhia não encontramos nenhuma satisfação, e também é por esse motivo que a cultura espiritual elevada nos leva gradativamente a encontrar prazer apenas nos livros, não mais nos homens.

É por isso que a primeira geralmente é angustiante, mesmo terrível: medo, necessidade, engano e assassinatos horríveis, em massa. A outra, em contrapartida, é agradável e jovial, assim como o intelecto isolado, mesmo quando descreve erros e descaminhos.

Assim, o autor poria diante dos nossos olhos aquela interminável batalha travada pelo que é bom e autêntico, em todos os tempos e países, contra o domínio do que é deturpado e ruim; descreveria o martírio de quase todos os verdadeiros iluminados da humanidade, de quase todos os grandes mestres em cada disciplina e em cada arte; mostraria como eles, com poucas exceções, sofreram na pobreza e na miséria, sem reconhecimento, sem apreço, sem alunos, enquanto a fama, a honra e a riqueza eram reservadas aos indignos em cada área.

Trechos de "A Arte de Escrever", de Arthur Schopenhauer



Eu, Álison

domingo, 26 de agosto de 2012

Talvez eu escreva mesmo




"Eu vou lhe escrever uma carta, com tudo que eu sei sobre o peso do mundo e de como as coisas deveriam ser".





Eu, Álison

domingo, 3 de junho de 2012

Pulsos

Há uma citação entre meus pulsos.


Dentro deles, as veias e o sangue.
Acima dela, cicatrizes de outros tempos.
E ao redor disso tudo, nada mais existe e nada mais importa.




Eu, Álison

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Tu escreve muito bem

Em uma janta que eu fui dia 1º de Outubro, uma colega minha disse que eu escrevia muito bem (se quiser saber de que colega estou falando, veja Observar e absorver: É isso que ela faz ). Dia 4 de Outubro, apenas três dias depois, uma professora de Matemática da faculdade também disse que eu escrevia muito bem.
Agora eu faço um desafio a você que está lendo: A qual opinião você acha que eu dei mais valor?

Se você não me conhece, vai escolher uma, mas se me conhece, vai escolher a outra. Boa Sorte!




Eu, Álison

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Literatura Sinistromana

O sentido real para o qual eu criei a Literatura Sinistromana não foi exatamente acadêmico. Na verdade foi até inconsciente. Somente depois de algum tempo que comecei a incluir documentos relacionados a outros assuntos.

Inicialmente criei esses documentos com o intuito de escrever sobre as escolhidas e principalmente sobre "Vênus".

A Literatura Sinistromana inclui tudo que está dentro de uma caixa, na qual guardo muitas coisas, a maioria delas textos que escrevi, seja sobre o assunto que for, porque se está incluído dentro desse grupo, de alguma forma me interessa. Na verdade, não era nem para eu estar escrevendo nesse blog. Minha primeira ideia era escrever e não mostrar para ninguém. Guardar só para mim. Mas aí teve uma pessoa que me deu uma sugestão, que aliás, já rendeu frutos... Agradeça a ela, senão você não saberia de nada disso que estou escrevendo.

Hoje em dia, não escrevo mais com o interesse que tinha no começo, o que de maneira alguma vai me fazer descartar o que já escrevi. Agora escrevo sobre vários assuntos diferentes: a vida, meus amigos, meus colegas, sobre uns monstros que eu encontro por aí e até sobre mim mesmo.

Escrever se tornou muito importante para mim porque além de tratar de todos os problemas e maravilhas da vida, posso dizer que estou produzindo minhas próprias obras, mesmo que elas sejam as mais simplórias e obsoletas possíveis.

Pretendo continuar escrevendo até Deus permitir, e talvez até me torne um bom escritor, aprendendo essa difícil arte de escrever, tendo no fim de minha vida caixas e mais caixas sobre a minha Literatura Sinistromana.

Sei que a maior parte do que escrevo simplesmente foi algo que vivi ou que sinto e que o processo de criação não está totalmente ativo, mas é que se inspirar e criar obras incríveis não se faz da noite para o dia, sem contar que somente uns poucos escolhidos têm esse dom.

Talvez eu ainda consiga criar vários documentos e relatos realmente bons, mas até que esse dia chegue eu vou, com certeza, continuar a escrever sobre os vários e inigualáveis acontecimentos da minha bela vida.

Talvez eu escreva até sobre você que está lendo, mas provavelmente eu não vou poder te contar o que eu escrevi... Mas não se preocupe, sempre que escrevo sobre alguém, estou registrando suas qualidades.





Eu, Álison

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O Corvo - Edgar Allan Poe (Versão de Os Simpsons)

Era uma vez eu refletia, à meia-noite erma e sombria, a ler doutrinas de outro tempo em curiosos manuais, e exausto quase adormecido, ouvi de súbito, tal qual se houvesse alguém batido em meus umbrais. – É um visitante que vem bater em meus umbrais, é só isso e nada mais.
Ah! Claramente eu relembro! Era no gélido dezembro e o fogo agônico pintava o chão de sombras espectrais. Ansiando ver a noite finda, em vão a ler buscava ainda algum remédio a amarga infinda, atroz saudade de Lenora. Essa mais bela que a aurora, a quem
os céus chamam Lenora e nome aqui já não tem mais.
A seda rubra da cortina arfava em lúgubre sur
dina, arrepiando-me e evocando medos sepulcrais. Que de susto o coração batia e a sossegá-lo eu repetia: – É um visitante que pede abrigo e bate em meus umbrais, apenas isso e nada mais.
No momento em que me senti forte, sem hesitar lancei a sorte. – Senhor – disse eu – ou então senhora, perdoai-me se muito me esperais, mais é qu
e eu estava adormecido e foi tão débil o batido que mal podia ter ouvido alguém bater em meus portais assim de leve a horas tais. Escancarei então a porta. Escuridão e nada mais.
Alma febril, eu novamente entrei no quarto e de repente o ruído recomeça e ressoa em meus vitrais. – Com certeza – disse eu – com certeza é na janela, vamos ver o que esta nela e ao mistério dar finais. Abro a janela e eis que, em tumulto, a esvoaçar, penetra um vulto. É um c
orvo hierático e soberbo, egresso entre eras ancestrais. Como fidalgo passa augusto, e sem notar sequer meu susto, adeja e pousa sobre o busto que se encontra em meus umbrais, bem sobre o pórtico e lá se instala sobre a cabeça de Palas que se encontra em meus umbrais, empoleirado e nada mais.
– Sem crista embora digo – ao corvo – não tens pavor antigo e singular amigo que na noite me pede abrigo, diga-me qual é teu nome ó nobre corvo, o nome teu no inferno torvo.
E o corvo disse: – Nunca mais.
O ar pereceu-me então mais denso e perfumado qual s
e incenso, ali descessem a espargir turibulários celestiais. – Mísero! – exclamo – enfim teu Deus me dá, mandando anjos seus a esquecimento para a saudades de Lenora. Sorve o nepentes. Sorve-o, a glória, esquece olvida essa Lenora!
E o corvo disse: – Nunca Mais.
– Sejam palavras da nossa despedida ave de agouro – ergo-me e grito – volta de novo à tempestade, aos negros antros infernais! Nem leve pluma de ti reste, que tal mentira ateste, deixa-me só neste ermo agreste, sai do busto em meus portais, retira o bico que me fere o peito
, alça voo e deixa meus umbrais.
E o corvo disse: – Nunca mais.
Retira o bico que me fere o peito, alça voo e deixa meus u
mbrais.
E o corvo disse: – Nunca mais.
E lá ficou, hirto e sombrio, ainda hoje o vejo, horas a fio. Sobre o busto pálido de Palas, inerte, sempre em meus umbrais. No seu olhar medonho e enorme, um anjo do mal, e
m sonhos dorme e a luz da lâmpada disforme atira ao chão suas sombras imortais, nelas que ondulam sobre a alfombra, está minha alma e presa á sombra não há de erguer-se nunca mais!


 Edgar Allan Poe






Eu, Álison