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sábado, 24 de agosto de 2013

Reclinar-se-á nunca mais

Encontrei uma versão do poema "O Corvo", do Edgar Allan Poe diferente da que eu postei muito tempo atrás. Aliás, esse poema foi o primeiro post do blog (O Corvo - Edgar Allan Poe (Versão de Os Simpsons)). Conheci ele olhando Os Simpsons. Essa tradução é do Fernando Pessoa e é um pouco mais complicada, mas ainda sim acho muito legal. De gênio.

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais." Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais! Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais". E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais. A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais. Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais." Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais. E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais". Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais". Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais". A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais". Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais". Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais! Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais". "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais". "Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais". "Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais". E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!





Eu, Álison

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Minha salvação

"Eu ia cortar os pulsos, mas acabei indo te visitar em uma madrugada dessas. Você disse que tinha uma coisa para me contar e acho que isso salvou minha vida".






Eu, Álison

sábado, 31 de março de 2012

Na madrugada

Eu queria poder chegar em sua casa em um dia de chuva, no meio da madrugada, e bater na sua porta.
Queria que você me atendesse de pijama e que ficasse feliz em me ver, apesar da hora incomum e das condições adversas.
Queria que você perguntasse se eu estava com frio e por que estava acordado a essa hora, para que pudesse mentir sobre o não e sobre minha insônia, e ficássemos a noite toda conversando na sua sala, sobre assuntos que as pessoas desconhecem...






Eu, Álison

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Fique perto de mim

Fique perto de mim quando a noite escurecer, quando o Sol desaparecer, sua luz enfraquecer
Quando meus amigos sumirem e algo me fizer temer, quando não puder descrever o que se passa no meu ser 
Fique perto de mim quando não houver um haver, quando o campo não mais ceder flores a se colher
Quando eu pensar em me render, quando a vida o sentido perder e eu não puder me proteger, quando o espírito adoecer e me fizer querer morrer
Fique perto de mim quando eu não mais crer, quando eu não quiser viver a vida que queria ter
Quando eu não quiser saber o que vai me surpreender, quando eu chorar pelo amanhecer de mais um dia a sofrer, enquanto a dor fizer arder e a ferida transparecer minha alma a entristecer
Fique perto de mim para ver a botão florescer, ver o que vai acontecer após o dia nascer.
Quando na madrugada chover, espere o Sol renascer, pois assim você verá iluminar todo o seu ser.





Eu, Álison

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Céu

A partir de um tempo atrás, comecei a me interessar muito por estrelas e então decidi observar o céu e procurar pelas que tivessem mais destaque ou que fossem mais famosas.

Quando comecei a entender suas trajetórias no céu, notei que veria estrelas diferentes das que eu estava acostumado a ver no inicio da noite se olhasse de madrugada, e foi isso que eu fiz. Comecei a me levantar no meio da noite para ver como o céu estava.

Como a quantidade de compromissos que eu tinha havia crescido, e consequentemente não poderia mais acordar tarde, tive de parar de me levantar à noite para estudar, com exceção de quando despertava naturalmente, em que podia dar uma rápida olhada no céu, mas sem nenhum tipo de pesquisa. Apenas contemplação.

Em uma dessas noites que eu acordei normalmente, por volta de 04h30min, me levantei e notei que o céu estava mais claro do que o normal, mas não prestei muita atenção. Quando estava voltando para meu quarto, passei pela área da minha casa e parei para ver se havia algo de diferente no céu. Logo quando olhei, pude tirar a conclusão de que aquele céu não era como os outros. Decidi então ir para a rua para poder ter uma visão mais ampla e foi aí que eu realmente percebi o quão incrível e belo o céu estava naquela noite de Primavera.

Por causa da tanta beleza, fiquei tentado a subir em um local mais alto, nos fundos de minha casa, para poder desfrutar melhor de tudo aquilo que estava diante de meus olhos.

Quando cheguei a esse lugar, não sabia o que falar nem o que pensar, visto que o momento parecia mais um sonho do que realidade.

Eu ficava olhando todas aquelas incontáveis estrelas; as constelações que conhecia pareciam, naquela noite, estar na mais perfeita ordem no céu.

Quando notei que já estava ali a algum tempo, pensei comigo mesmo: "Tenho que voltar para dentro de casa, vou olhar uma última vez e já vou". Pensei isso na primeira vez achando que funcionaria, mas não adiantou nada, continuei ali, olhando, hipnotizado por aquela maravilha, sem conseguir me mexer. Cada vez que eu pensava novamente em ir para dentro de casa, sentia uma vontade imensa de permanecer ali. Era como se cada estrela do céu me segurasse ali...

E depois de pensar umas três vezes é que tive coragem de abandonar aquela obra celestial e voltar para casa.

Depois de raciocinar um pouco, pude concluir que aquele céu foi o mais fantástico que eu já tinha visto em minha vida, mas como um ávido curioso, espero ter outras noites com céus ainda mais bonitos que esse, o que de maneira alguma diminuirá a importância deste, que mais pareceu um presente um minha noite e que acabo de descrever.


"Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio e eis que a verdade se me revela" - Albert Einstein






Eu, Álison