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sábado, 13 de setembro de 2014

Se importar não é uma vantagem

- Como sabia que ela estava morta?
- Tinha um objeto que garantia sua vida. Resolveu dá-lo. Olhe para eles. Se importam tanto. Se pergunta se há algo de errado conosco?



- Sentimento é um defeito químico achado nos perdedores.
- Sentimento? Do que está falando?
- Você.
- Olhe este pobre homem. Não achou realmente que eu estava interessada em você? Por quê? Porque você é o grande Sherlock Holmes?
- Não. Porque tomei seu pulso. Elevado. Suas pupilas dilatadas. Imagino que Watson acha que o amor é um mistério para mim, mas a química é incrivelmente simples e destruidora. Isso é muito mais íntimo. Este é seu coração e nunca deveria deixá-lo guiar sua cabeça. Sempre disse que o amor é uma vantagem perigosa. Obrigado pela prova final.
- Tudo que eu disse não foi real. Estava apenas jogando.
- Eu sei. E isso é você perdendo. Aí está, irmão. Espero que o conteúdo repare algum inconveniente que tenha causado hoje.
- Com certeza.
- Se for gentil, prenda-a. Se não, deixe-a ir. Não durará muito sem proteção.
- Espere que eu implore?
- Sim.
- ...Por favor.





Eu, Álison

domingo, 17 de agosto de 2014

sábado, 26 de julho de 2014

domingo, 6 de julho de 2014

See everything clearly

Amigo, está tarde,
nós deveríamos ir
Nós estamos sentados
embaixo desse neon cintilante por horas
Enquanto eu estou rompendo o código deles,
você está me decifrando
Porque eu sou um mistério,
eu sou um quarto fechado em uma torre alta
Mas você vê tudo claramente
Tudo vai ficar bem







Eu, Álison

sábado, 12 de abril de 2014

Não é estranho?

"Existem tantas pessoas por aí que secretamente amam alguém. E tantas outras que não fazem ideia de que são secretamente amadas".






Eu, Álison

Mas quem seria?



Sentei-me junto à janela com o livro na mão, mas os meus pensamentos estavam longe das ousadas especulações do escritor. Revia mentalmente a nossa visitante... Os seus sorrisos, o timbre sonoro da sua voz, o estranho mistério que pairava sobre sua vida.






Eu, Álison

Para que tudo isso?

Mas, na medida em que o crente duvide, isto é, se sinta menos solidário com o credo religioso de que é membro e dele se emancipe, na medida em que a família e a comunidade se tornem estranhos ao indivíduo, ele se torna para si mesmo um mistério, e então não pode se esquivar à incômoda e angustiante questão: para que tudo isso?


Em outras palavras, se, como já se disse inúmeras vezes, o homem é dúplice, é que ao homem físico se acrescenta o homem social. Ora, este último pressupõe necessariamente uma sociedade que ele exprime e a que serve. Mas se, pelo contrário, ela vem a se desagregar, e não mais a sintamos viva e atuante em torno e acima de nós, o que há de social em nós ficará destituído de todo fundamento objetivo. Já não passará de uma combinação artificial de imagens ilusórias, uma fantasmagoria que um pouco de reflexão bastará para desvanecer; nada, por conseguinte, que possa servir de finalidade aos nosso atos. E contudo esse homem social é a essência do homem civilizado: é ele que determina o valor da existência. 





Eu, Álison

sábado, 25 de janeiro de 2014

sábado, 18 de janeiro de 2014

Está tudo acabado

Dizem que a obra do grande artista mistura-se com a sua vida, e vice-versa. Com Edgar Allan Poe esta máxima aplica-se perfeitamente. Apesar de ter escrito para as massa, como forma de ganhar a vida, ficou conhecido por produzir obras cheias de morte, medo e dor. Influenciou artistas como Machado de Assis, Fernando Pessoa, Franz Kafka, e outros.

Nascido em Boston, no dia 19 de janeiro de 1809, ficou órfão aos 2 anos. Apesar de algum reconhecimento, foi um completo fracasso em vida como homem e artista.
Em 1835, casou-se com sua prima, Virginia Clemm. Para muitos, o grande amor de sua vida. Em meio à grandes dificuldades econômicas, mudou-se constantemente de cidade, sempre com empregos mal remunerados. No ano de 1845, publicou sua obra mais famosa, O Corvo. Mas ele mesmo, certa vez, havia dito que a maldição era um cão negro seguindo a sua vida, pois em 1847 sua amada Virginia tossiu sangue pela primeira vez.
Era o fantasma da tuberculose pairando sobre sua felicidade. Nos meses seguintes, ela havia apresentado melhoras. Esperança que serviu apenas para acentuar a dor vindoura. Já que no fim daquele mesmo ano, as tosses com sangue voltaram mais intensas, junto com o fogo da febre. Ela viria a morrer pouco tempo depois, em presença do poeta que assistia a tudo impotente. A partir daí, mergulhou numa existência cada vez mais sombria.

Os dois últimos anos de sua vida estão encobertos por uma névoa de mistério. Mas sabe-se que planejava-se casar novamente em 1849. Com esse propósito, ele viajou para Baltimore no dia 27 de setembro de 1849. Depois de jantar com amigos, partiu às 4 horas da manhã, já que planejava uma viajem rápida. Nunca chegou ao seu destino.
Em 03 de outubro de 1849, Edgar Allan Poe foi encontrado em estado de delírio, com roupas que não eram suas, caído nas calçadas da cidade, por um homem que escreveu para um amigo dele. Na carta, ele diz que encontrou um mendigo que responde por Allan Poe e alega conhecer o destinatário da carta. Pede desesperadamente a presença do mesmo, pois o estado de saúde dele era grave. Esse amigo o havia levado à um hospital, no qual faleceria em 07 de outubro de 1849.

Durante os 4 dias de internação, Edgar Allan Poe não conseguiu pronunciar um discurso coerente sobre o que havia lhe ocorrido. Chama constantemente por alguém com o nome de Reynolds. Suas últimas palavras foram: “Está tudo acabado: escrevam Eddy já não existe”. A causa da morte nunca foi precisamente apurada. Nem quem era o homem chamado Reynalds.






Eu, Álison

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Apenas duas cartas


Leonardo foi encontrado morto às 5: 22 da manhã. Com ele não foram encontrados nenhum tipo de arma, nenhuma faca ou objeto cortante, nenhum vestígio de ingestão de veneno ou remédios. Em seu corpo não havia hematomas nem sinais de luta. Sua saúde era excelente. Nunca foi descoberto a causa da morte. Não foi confirmado nem ao menos se foi homicídio. Foi achado caído no chão de seu quarto. Não trazia consigo nenhum objeto em especial, apenas duas cartas que mantinha, mesmo depois de morto, perto de si, como que querendo protegê-las. Uma, que escrevera para seu irmão, e outra, que recebera de uma mulher com quem falara apenas uma vez. Nenhuma das duas cartas foi lida. Apenas se conhece seu conteúdo pelas poucas palavras escritas na parte de fora do envelope. Na endereçada a seu irmão lia-se “Não sei se vou conseguir. Preciso confessar-lhe um segredo”. Na outra, enviada por uma mulher e endereçada ao próprio Leonardo, lia-se “Me deixaste curiosa. Serei grata se puder vê-lo novamente”. Nos diários que foram encontrados no quarto de Leonardo, descobriu-se que ele mandaria a carta a seu irmão no dia seguinte. Descobriu-se também que Leonardo nunca teve coragem de ler a carta que recebera da mulher, pois, apesar de tê-la visto apenas uma vez, notou algo especial na mulher e por isso não era digno de lê-la. Apesar do comentário, Leonardo não diz nada sobre o que era tão especial na mulher. As pessoas que encontraram Leonardo decidiram não ler nenhuma das duas cartas. Elas foram enterradas com ele no dia seguinte. Seu irmão nunca ficou sabendo o que Leonardo queria lhe confessar. Também não se sabe quais as intenções da mulher para com Leonardo, nem o que a fez se interessar tanto nele.
Leonardo manteve diários por quase toda vida. Escrevia sobre tudo. Sobre as pessoas que conhecia, sobre seu irmão, sobre seu trabalho, seus passatempos, planos para o futuro. Lendo-os, uma pessoa poderia conhecer Leonardo muito bem, mas não há, em lugar algum, sequer uma frase sobre o que ele escreveu na carta para seu irmão ou sobre a mulher que conhecera tempos atrás. Leonardo relata até as coisas mais simples, como um gato de estimação que teve durante um longo período, mas sobre as cartas não há sequer um rascunho. É como se elas não existissem. Ou como se fosse isso que Leonardo quisesse que pensássemos.







Eu, Álison

sábado, 28 de setembro de 2013

Mas você não acredita no além?



- "Além?... Eu acho que o além é para dentro. O além é para dentro das nossas mentes. A gente não consegue ir para fora. A gente consegue ir para dentro."





Eu, Álison

sábado, 14 de setembro de 2013

Você está bem?

- Pareço diferente?
- Está um pouco diferente, mas sempre foi um pouco diferente. Estratégia brilhante. Assim ninguém sabe se há algo com você.
- Como eu saberia se houvesse algo com você?
- Não saberia. Mas diria a você se me perguntasse.







Eu, Álison

domingo, 4 de agosto de 2013

Eles dirão que foi coincidência

Leonardo estava indo para a casa de um de seus colegas com John, seu amigo de longa data. Decidiram fazer uma visita e ir passar a tarde lá, juntamente com outros de seus colegas. Depois de muitas risadas, já no fim da tarde, John pergunta a Leonardo se ele poderia acompanhá-lo até a cidade vizinha de carro para buscar sua namorada. Leonardo faz sua primeira escolha. Decide ir com John. Depois de uma rápida passagem pela casa de Leonardo, os dois partem. Devido à proximidade da cidade, rapidamente chegam até ela. Vão até a casa da namorada de John e em seguida tomam o caminho de volta. Em poucos minutos encontram-se retornando à cidade.
John pergunta a Leonardo de se ele queria ficar em casa ou se iria voltar com ele e sua namorada para a casa de seu colega. Leonardo faz sua segunda escolha. Decide acompanhar os dois. Antes de seguirem, passam na casa de John. Este pergunta se Leonardo quer entrar ou esperar no carro. Então Leonardo faz sua terceira escolha. Decide esperar ali mesmo, enquanto os dois entram em casa.
Enquanto esperava, Leonardo tem uma surpresa. Avistou, ao longe, do outro lado da rua, Gilian, amiga sua que não via há muito tempo, pois morava em outra cidade. Ela também o viu, atravessou a rua e dirigiu-se a ele. Nos instantes que se passaram entre o momento em que viu sua amiga e o momento em que se encontraram, rápidos pensamentos passaram pela cabeça de Leonardo. Quando John pediu para acompanhá-lo, ele poderia ter recusado. Quando John perguntou se ele queria ficar em casa, ele poderia ter aceito. Quando John o convidou para entrar em sua casa e esperá-lo lá dentro, ele poderia ter consentido. Mas por incrível que pareça tudo aconteceu como se planejado. Leonardo nem tentou imaginar o que teria feito sua amiga vir para sua cidade naquele dia e tê-la feito sair de casa exatamente naquele momento. Isso estava além de sua imaginação. Quando Leonardo se deu conta de seus pensamentos, Gilian estava quase junto dele e foi obrigado a abandonar seus devaneios.
Quando se vê alguém que se gosta muito, é impossível que nenhuma emoção se faça presente, e com Leonardo não foi diferente. Apesar de sua amiga estar de passagem, o simples fato de poder cumprimentá-la já foi o suficiente para alegrá-lo, e ele tinha certeza de que Gilian também tinha ficado feliz em vê-lo. Depois de alguns minutos, John e sua namorada voltaram e os três foram para a casa de seu colega como fora previsto, mas o imprevisto já havia acontecido e o dia já estava completo para Leonardo, pois a surpresa fez suas pernas tremerem, suas mãos suarem, suas pupilas dilatarem. Sua pulsação acelerou, sua respiração pesou. Borboletas no estômago. Uma agradável confusão o acompanhava. Estava tudo bem agora.







Eu, Álison

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Como eu te vejo

Você, com seu jeito único, me viu, diferentemente das outras vezes, em que eu fazia o papel de quem olha. Você me viu, mas eu não te vi. E o que eu queria saber era se, quando você me mirou, viu-me de que jeito? Viu-me com tudo o que escondo? Viu-me como que num espelho? Ou você conseguiu ir além de mim e ver-me como eu te vejo?








Eu, Álison