sábado, 8 de junho de 2013

Abandonei-me ao desespero

E esse desejo ardente insondável que tem a alma de se torturar a si mesma - de violentar a sua própria natureza - de praticar o mal por amor do mal - que me impeliu a continuar e finalmente a consumar a injúria que tinha infligido ao inocente bruto. Uma manhã, a sangue frio, passei um laço pelo seu pescoço e enforquei-o no ramo de uma árvore. Enforquei-o com as lágrimas a saltarem-me dos olhos e o mais amargo remorso no coração.
[...]
Pegando num machado e esquecendo na minha fúria o meu medo pueril que até aí havia sustido a minha mão, lancei ao animal um golpe que teria sido mortal se o atingisse, mas a mão da minha mulher interpôs-se. Esta intervenção espicaçou a minha raiva até torná-la demoníaca. Soltei o braço e enterrei-lhe o machado no crânio. A minha mulher caiu morta no chão, sem soltar sequer um gemido.
[...]
Um gemido, a princípio surdo e quebrado como os soluços de uma criança, que rapidamente se transformou num grito longo, alto e contínuo, completamente anormal e inumano - um uivo - um berro crescente, misto de horror e de triunfo, como só poderia ser soltado no Inferno pelas gargantas dos condenados na agonia e dos demônios que exultam a danação.

Retirado de 'O Gato Preto', de Edgar Allan Poe.







Eu, Álison

terça-feira, 4 de junho de 2013

Voz nenhuma se faz necessária

Nada há para ser falado, palavra alguma a ser escrita. 
Nada há para ser visto, gesto algum a ser expresso.
Nada há para ser pensado, memória alguma a ser lembrada.


Nada há para se reivindicar, agradecer, mencionar ou responder,
 porque já escrevi o que pretendia escrever e minhas palavras já estão com você.
Pois está decidido. E está tudo dito.






Eu, Álison

domingo, 2 de junho de 2013

Você seria?

Imagine quantos segredos existem nesse mundo. Imagine quantas coisas são feitas no apagar das luzes, em lugares remotos, escondidos ou protegidos. Imagine lugares restritos que, pessoas normais como nós, nunca terão a chance de conhecer e lugares que nem imaginamos que existem. Você seria capaz de dimensionar quanta coisa obscura ou sigilosa acontece ao seu redor?







Eu, Álison

Não se trata somente de ganhar



Foi a primeira vez que o mundo viu a perfeição.








Eu, Álison

sábado, 1 de junho de 2013

Mas ela tinha

Sabe-se muito pouco dela devido a sua raridade, mas ela sentiu que ele capturava um aspecto seu que permanece escondido das outras pessoas. E ela só percebe esse aspecto quando olha no espelho ou quando o encontra a encarando de volta.
Mas fico pensando de que forma ele me explicaria como consegue enxergar esse aspecto secreto. Talvez ele só consiga ver quando olha para ela. Talvez as outras pessoas não tenham o que ele enxerga.








Eu, Álison

Nós não precisamos

Saber para onde estamos indo.


Nós só precisamos ir.






Eu, Álison

Eu vou acabar com o sistema

Vou fazer todo esse sistema corrupto cair sobre a sua cabeça.

Essa droga paralisa você, mas deixa todas as outras funções neurológicas intactas. Em outras palavras, você não pode se mexer, mas continua sentindo tudo. Ela não faz absolutamente nada para aplacar a dor... E você vai sentir muito mais dor do que jamais poderia imaginar sentir.

- Não basta, eu quero mais detalhes.
- Arranquei os dedos das mãos com um corta cavilha, os dos pés com uma tesoura de chapa, os testículos com uma serra para metal e o pênis com um estilete. Esses detalhes estão bons para você?

- A justiça tem que ser dura Nick, ainda mais para aqueles que a negam para outros. E um princípio importante que eu gostaria que começasse a aprender é manter a palavra.
- É mesmo? E que princípio usou para torturar e matar aquelas pessoas?
- O de que todo mundo deve prestar conta dos seus atos.
- Acha que sua mulher e sua filha se sentiriam bem por matar em nome delas?
- Minha mulher e minha filha não podem sentir nada... Estão mortas.

- Então Clyde perdeu a cabeça? Alguém deve tê-lo irritado muito.
- Diga com quem estamos lidando. Shelton era espião?
- Espiões existem aos montes. Eu sou espião. Clyde era um gênio. Sua especialidade era operações cinéticas de baixo impacto.
- Um jeito elaborado de dizer que ele mata pessoas.
- Nós matamos pessoas. Ele descobria como fazer isso sem sair de onde estava. Era o dom dele e ele era o melhor. O que estou dizendo é que ele consegue ver e ouvir tudo o que vocês estão fazendo.
- Não, ele está em um presídio de segurança máxima.
- Se ele está na cadeia é porque quer estar. Ele é um estrategista nato. Tudo que ele faz tem um objetivo.
- Então o que quer dizer? Que nós não podemos detê-lo?
- Entrem na cela e deem um tiro na cabeça dele. Fora isso... Não, não podem detê-lo. Se Clyde quer você morto, você morre.

- Pela minha experiência, lições que não são aprendidas com sangue logo são esquecidas.
- E é a vingança que te alimenta.
- Vingança? É isso que você está achando que é? Vingança?
- E o que mais pode ser?
Não Nick, eu tive 10 anos para me vingar, se fosse isso que eu quisesse. Acha que eu não vejo você ir trabalhar todo dia as 8 da manhã? Ou que eu não vejo a Kelly levar a Denise para a escola às 8 e 15 da manhã? Eu podia ter matado você ou a sua família no momento que eu quisesse Nick! [...] Ainda tenho fé em você, por isso vou te dar uma última chance. O acordo é o seguinte: Você me solta e tira cada acusação até às 6 da manhã. Seis da manhã.
- Ou o quê?
- Ou eu mato todo mundo.








Eu, Álison