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domingo, 31 de agosto de 2014

Are you lying?

O Desejo tem duas formas de te humilhar. Uma é não deixando que você o realize nunca. A outra é deixando que você realize. Esse é o pior tipo de humilhação que o desejo pode fazer, pois dessa forma sobrevém o tédio, e como dizia Oscar Wilde, "nesse mundo, a única coisa horrível é o tédio. Eis o único pecado para o qual não há perdão".








Eu, Álison

terça-feira, 8 de julho de 2014

Meus pedidos foram atendidos

No dia da abertura da Copa do Mundo, escrevi que esperava que o Brasil tivesse o pior resultado da história (Torço para o Brasil). Hoje ele foi pisoteado e reduzido a pó pela Alemanha. Foi a pior goleada (7 a 1) sofrida pelo Brasil em Copas e a primeira seleção a levar 5 gols em 29 minutos na história de todas as Copas do Mundo. Mas estou muito contente. Hoje foi a primeira vez em que vi o Brasil mostrar quem ele é de verdade.







Eu, Álison

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

É maldade pura



 Enfim, eu só queria que as pessoas parassem de serem más do jeito que elas são, porque isso é pura maldade. Humilhar uma pessoa que já está se sentindo humilhada é maldade pura. Você não ganha nada com isso e a outra pessoa só perde. E a outra pessoa não merece perder o que ela está perdendo. - P. C. Siqueira






Eu, Álison

sábado, 10 de agosto de 2013

Jesus voltou!

Esse poderia ser meu último post, porque eu sei que ninguém mais vai ler meu blog depois dessa publicação, mas não desisto e ainda acredito que alguém, nem que seja apenas uma pessoa, vá entender o que está escrito.
Fonte: http://www.alinevalek.com.br/blog/2013/07/se-jesus-existisse-hoje/


Venho ao povo de Deus trazer uma boa notícia (embora ela venha acompanhada de uma não tão boa assim, para alguns). A boa notícia é que o evento por vós tão aguardado aconteceu: Jesus voltou. A má notícia é que ninguém avisou que ele precisava agradar a sociedade patriarcal cristã. Jesus voltou e só anda com gente esquisita. Seu lugar é ao lado dos marginalizados, dos não aceitos, dos diferentes. Foi visto enrolado numa bandeira de arco-íris na Parada Gay e cercado de amigas com os seios de fora na Marcha das Vadias. Ele, ao contrário dos fariseus do nosso tempo, não carrega preconceitos mesquinhos, nojo de gente, ódio de pessoas por elas serem o que são. Vejam só, que surpresa.

Jesus voltou e não é cristão (aliás, coisa que nunca foi). Ele não frequentou nenhuma igreja ainda, não apareceu nos grandes templos, não pagou o dízimo, não está do lado de quem explora a fé dos outros. Aparentemente, ele se recusa a seguir uma religião tão empenhada em condenar pessoas, em impor proibições e pensamentos, em interferir na lei. Inclusive, Jesus foi fotografado em uma manifestação pelo Estado laico, segurando um cartaz que dizia: “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.”

Jesus voltou e não é filho da virgem, é filho da puta. É por isso que ele sabe a barra que essas mulheres enfrentam, o perigo que correm, a humilhação a que são submetidas, a cidadania que lhes é negada. Jesus é amigo das prostitutas, das travestis, das que são empurradas para o submundo ou das que escolhem esse caminho para juntarem uma grana legal e batalharem por uma vida melhor, como qualquer outra pessoa, afinal de contas.

Jesus voltou e talvez seu retorno não tenha sido alardeado, celebrado e divulgado na TV e nos sites de fofoca porque ele nasceu invisível. Jesus voltou negro e, como tantos e tantas outras que não nasceram da cor “certa”, ele foi invisibilizado por uma cultura que celebra apenas a branquitude e que esperava por um Jesus loiro dos olhos claros, como nas imagens espalhadas nas igrejas. Além disso, nenhuma estrela-guia marcou o nascimento de Jesus, porque aparentemente estrelas-guia não chegam na favela onde ele nasceu – lá, onde só chega o descaso do Estado e o preconceito das elites. Sabe-se apenas que sem dúvidas ele é Jesus porque só um milagre explica como uma pessoa negra que cresceu na favela ainda não tenha sido “desaparecida” pela PM em uma de suas truculentas operações no morro.

Jesus voltou e não quer saber dos poderosos. Seu rolê é com a galera das quebradas, com os que moram nas ruas, com os grafiteiros, com os skatistas, com as crianças que vendem balinha no sinal. Quando não é confundido com mendigo, é tomado por bandido. Meliante. Perigoso.

Jesus voltou para barbarizar. Ajudou a quebrar vitrines, a tacar pedras na Tropa de Choque e levou muita bomba na cara. Voltou para virar o mundo de cabeça pra baixo – e não dá para fazer isso sem escandalizar a tia Gertrudes que reza o terço no terceiro andar ou o coxinha engomadinho que apresenta o telejornal.

Jesus voltou e é feminista. Porque não dá para ser revolucionário de verdade sem antes lutar para destroçar o patriarcado e picotar os papéis de gênero em centenas de pedacinhos, como na multiplicação dos pães. Jesus voltou e é queer, é “amigx” dos e das transsexuais, dos inadequados, dos indefinidos. Daqueles e daquelas que se recusam a ser definidos, rotulados, padronizados e limitados por essa sociedade doente.

Jesus voltou não para curar os cegos, os leprosos ou ressuscitar os mortos. Jesus voltou para mandar à merda aqueles que dizem amar, mas discriminam. Aqueles que dizem respeitar, mas desumanizam. Aqueles que dizem que somos todos irmãos, enquanto há tanta desigualdade social, racial, de gênero. Aqueles que prometem o “reino dos céus”, mas são incapazes de refletir sobre seus privilégios aqui na Terra. Aqueles que acreditam que existe um diabo, mas não vêm que o demônio é o racismo, o machismo, a transfobia e a homofobia que eles próprios alimentam. Jesus voltou pra dizer que essa galera tá errando feio. Errando rude.

Jesus voltou e é minoria vândala. Talvez por isso, de novo, não tarde a ser crucificado bem jovem.







Eu, Álison

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Você aprende

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. 
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la… E que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. 
Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam… Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa... Por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vejamos. 
Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou, mas para onde está indo… Mas se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve. Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão… E que ser flexível não significa ser fraco, ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. 
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens… Poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. 

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém… Algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não para para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar, portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
E você aprende que realmente pode suportar… Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.





Eu, Álison