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sábado, 12 de abril de 2014

Vital

"Eu acho que o processo criativo de cada pessoa nasce da necessidade vital de você querer mostrar ao mundo alguma coisa".






Eu, Álison

sábado, 29 de março de 2014

Janela da Alma - Parte 2

Você nunca se descobre, por exemplo, pensando fora de foco. Você acha que você pensa direito, de algum jeito. Às vezes você pensa melhor ou, às vezes, você tem dúvida, ou tem problemas, ou tem incertezas, mas a ideia do fora de foco, num mundo nosso, visual, é muito grave, entendeu? Eu não me penso fora de foco, mas, então, o mundo está fora de foco ou eu estaria, entendeu? - Carmela Gross

A grande experiência que eu tive assim que eu usei óculos, a primeira vez que eu pus os óculos, foi notar a quantidade de detalhes que se veem normalmente e que eu não via antes de usar os óculos. Então, por exemplo, uma coisa que eu achei maravilhosa, foi ver que as árvores eram múltiplas. Quer dizer, eu sempre soube, intelectualmente, que as árvores, as copas das árvores, eram compostas de folhas, mas eu só via aquela massa. Quando eu pus os óculos e notei, embora você não visse perfeitamente as folhas individuais, você via a multiplicidade de que é composta uma árvore... Aquilo, para mim, foi uma descoberta maravilhosa. - Antônio Cícero

Acho que você fica mais consciente do enquadramento. Quando tinha trinta anos, tentei usar lentes de contato, mas mesmo quando as usava, procurava meus óculos, porque, apesar de enxergar bem sem os óculos, sentia falta desse enquadramento. Acho que a visão é mais seletiva. Temos mais consciência do que vemos de fato. Sem os óculos, tenho a impressão de ver demais, e não quero ver tanto. Quero ver de forma mais... Contida. - Wim Wenders

Foi uma experiência que, naquele momento, parecia dolorosa, mas que foi uma coisa enriquecedora, que leva muito para a subjetividade, faz a gente pensar muitas coisas que normalmente não iríamos pensar. Então, hoje eu acho boa essa experiência, apesar de naquele momento eu ter achado ruim. Na gente, nas relações. Abre a subjetividade da gente. Quando a gente está só no exterior, está tudo bem, a gente está tranquilo. Na verdade, o conhecimento nasce muito disso, do incômodo. O incômodo nos faz pensar, procurar coisas... - Paulo Cezar Lopes

O ato de ver e de olhar não se limita a olhar para fora, não se limita a olhar o visível, mas também o invisível. De certa forma, é o que chamamos de imaginação. - Oliver Sacks

O que mais me agradava nos livros era o fato de que aquilo que eles nos davam não se achava somente dentro deles, mas o que nós, crianças, adicionávamos a eles, é que fazia a história acontecer. Quando éramos crianças podíamos realmente ler nas entrelinhas e acrescentar-lhe toda nossa imaginação. Nossa imaginação realmente completava as palavras. - Wim Wenders

Se dizemos que os olhos são a janela da alma, sugerimos, de certa forma, que os olhos são passivos e que as coisas apenas entram, mas a alma e a imaginação também saem. O que vemos é constantemente modificado pelo nosso conhecimento, nossos anseios, nossos desejos, nossas emoções, pela cultura, pelas teorias científicas mais recentes. Se alguma vez vimos raspas de ferro sobre um ímã e qual o comportamento de um campo magnético. Acredito que isso entra no imaginário, e de certa maneira posso ver o campo invisível do ímã. Não posso vê-lo, mas o vejo. Posso vê-lo com os olhos da mente. - Oliver Sacks

Lembro-me de minha mãe olhando para mim sempre com aquele olhar triste e deprimido. Olhando para mim, mas sem se comunicar comigo. Olhando através de mim, como que dizendo: "Coitada da minha filha, que horrível", e isso me afetou, como se eu fosse um fracasso, porque minha mãe me olhava dessa forma. Mas eu estava decidida a não ser um fracasso, a lutar, a fazer tudo o que pudesse, a escolher uma profissão na qual, possuindo algo de único, pudesse transformar essas cinzas em joias.
"Many Happy Returns" trata do trauma da deformidade, mas, na verdade, foi outra a razão que me inspirou a fazer o filme. Nesse filme, o mal causado à menina é, sobretudo, mental, pelo fato de ter que ver e ser testemunha de fatos difíceis e traumatizantes. Sua visão é machucada, de certa maneira. O filme diz respeito a isso, mais do que a deformidade.
O paradoxo em tudo isso é que logo depois da última operação, que foi bem sucedida e que os olhos foram corrigidos, ninguém notou. Ninguém me disse: "O que houve com seu olho? Que maravilha!". Ninguém notou. Então, de que adiantou todo esse trauma? Foi uma lesão interna. Acho que é isso que tento abordar nesse filme. A verdadeira lesão foi a perda de um olho. A deformidade que transformava meu rosto em uma espécie de ameixa enrugada. Era o fato de eu ser vesga, algo que ninguém reparou. Trágico, não? - Marjut Rimminen

Lembro-me de ter pensado: "Estou fazendo toda essa ficção sobre Jacques e ele está aí, vivo, e talvez por pouco tempo", porque ele estava doente. E pensei, como quando queremos fazer algo por alguém, e dizemos: "Fiquei próxima, tanto quanto possível, de quem sofria". E para um cineasta, estar próximo quer dizer estar realmente próximo. Então, eu filmava o que todos viam. Seu rosto, seus braços, suas mãos, nada de especialmente íntimo, como, por exemplo, tomar um banho em casa. Mas a maneira como filmei seus braços, suas mãos e seu rosto, de perto, de muito perto, chegando à textura desse homem, a pele, pode-se ver cada pelo, como se entrássemos dentro de sua pele. Muito perto. Acho que só tive essa visão devido ao medo de perdê-lo... E o perdi. Ele morreu seis meses depois da filmagem. Acho que ninguém teria sido capaz de realizar esse filme exatamente da maneira como eu fiz. Como já disse, a visão é alterada por sentimentos, por fortes sentimentos. - Agnès Varda





Eu, Álison

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Ernst Haeckel

Além de sua dupla visão física, Haeckel possuía uma dupla visão mental. Era metade cientista arguto e metade artista imaginativo.
Então se desenrolou o primeiro dos seus dois romances trágicos. Enamorou-se de sua prima Anna Sethe, moça “de raros dotes de espírito e coração”. Foi precisamente no trigésimo aniversário de Haeckel que sua jovem esposa morreu. Por algum tempo os amigos temeram que ele não sobrevivesse ao golpe. “Só o trabalho pode salvar-me da loucura”.
Nas salas de aula, entretanto, os alunos sentiam unicamente uma única admiração por aquele professor que “falava como um demônio e desenhava como um deus”. Não o tolhia nenhum senso de falsa modéstia.
Uma figura alta e venerável, com os ombros largos de um atlas que sustentasse um mundo de pensamentos... “Era como se algum sábio sublime da antiguidade helênica, um Sócrates ou um Aristóteles, surgisse redivivo à minha frente”.
“Não existe Deus”, dizia. Atacava o “fanatismo da religião” com um fanatismo irreligioso igualmente frenético.
Desvencilhado das algemas do preconceito, ele seguira um novo caminho para o âmago do mistério do mundo.
Sem dúvida, hás de ter percebido, pelo meu porte canhestro, quão completamente a tua gentil visita veio transformar a serenidade habitual da minha existência prosaica – como a radiação de uma doce fada primaveril, que trouxe o recender de flores a um pobre cativo solitário.
Os dias adoráveis que passamos juntos parecem-me um sonho belo demais para durar. Essa recordação ainda me envolve e enfeitiça de tal maneira que me é difícil exprimir em palavras o que me agita o coração.
“A idade” – escreveu Haeckel em uma de suas cartas a Franziska, - “não é garantia contra as loucuras. Parto para os mares tropicais a fim de escapar de ti e de mim – duas almas raras e extraordinárias, feitas uma para a outra, e que, separadas, devem errar solitárias pela vida... Mas, aonde quer que fosse, levava a sua mágoa. O homem não pode fugir de si mesmo em parte alguma”.
“O enigma da vida humana”, escreveu alguns dias antes de morrer, “continua indecifrado”.






 Eu, Álison

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Tem um tipo de desespero doentio no seu riso

Às vezes, tudo que dava para ouvir era o som abafado dos socos enquanto gritavam, ou engasgavam quando alguém tentava respirar e cuspia sangue. A gritaria histérica era indistinta.
Não significava ganhar ou perder, não significava palavras. Se eu não dissesse nada, as pessoas sempre pensariam o pior. Eu estava morrendo mesmo. Já ouviu alguma vez o som da morte?


Ela vai fazer jus ao seu nome ou será fruto da nossa imaginação? A garota que mora lá é uma graça, mas perdeu a confiança em si mesmo. Ela é um monstro, ela é uma doença. Sua filosofia de vida é de que ela poderia morrer a qualquer momento. A tragédia, ela disse, foi que não morreu. Sua mentira refletia a minha mentira. E de repente, não sentia nada.
Isso não é um suicídio de verdade. É mais um daqueles pedidos de socorro.
Ponha uma arma na minha cabeça e pinte as paredes com o meu cérebro.
Não foi um monte de coisas que foi destruído, fui eu. Numa estimativa a longo prazo, as chances de sobrevivência para todos cai para zero.
Aguente a dor, não evite isso. Sem dor, sem sacrifício nós não teríamos nada. Dane-se a maldição, dane-se a redenção. Primeiro você tem que se entregar. Primeiro tem que saber e não temer, saber que um dia você vai morrer. Só depois que perdemos tudo é que estamos livres para fazer qualquer coisa.
O líder caminhava entre a multidão, no meio da escuridão. Poderia ser alguém que você conhece há anos. Alguém muito próximo de você.

Eu corri. Corri até meus músculos queimarem; minhas veias bombearem ácido de bateria. Depois... Eu corri mais.





Eu, Álison